Mais de 800 voluntários colocaram a Festa da Caridade para funcionar

Pessoas de todas as idades colaboraram com evento no Lar S. Vicente

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Antônio Teodoro atua como colaborador da instituição desde 1984
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Com números impressionantes para um evento de um único dia, o voluntariado da Festa da Caridade também deixa os visitantes surpresos. A festividade, realizada no feriado de Corpus Christi, movimentou mais de 800 pessoas nos bastidores, de acordo com estimativa do presidente do Lar São Vicente de Paulo, Ivan Rezende Ferreira.

Os voluntários são de todas as idades, desde os mais jovens, que vão ajudar acompanhando pais e avós, até idosos, que vão colaborar com a instituição que cuida de 80 internos.

Entre os filantropos que ajudam com a festa, está o “seu” Antônio Teodoro, que desde 1984 trabalha na barraca de churrasco do Silveira. O idoso é da época na qual os voluntários eram responsáveis por picar a carne, temperá-las e colocá-las no espeto antes de ir para a brasa.

“Quando eu comecei a vir aqui, era tudo mato. Eu ficava embaixo daquela árvore e fazia o churrasquinho em tijolos. Quase morria. Depois, foram arrumando, e veio mais gente ajudar. Nunca deixei de vir”, contou.

Teodoro veio pelas mãos de um ex-presidente do lar vicentino. Nos mais de 30 anos de voluntariado, o aposentado viu centenas de pessoas passarem pelas barracas.

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Convidado por Teodoro a trabalhar na barraca de churrasco, o aposentado Luís Carlos Arantes divide a churrasqueira com outras duas pessoas. O clima ameno ajudou o novato a lidar com o braseiro. Outras sete pessoas trabalharam no mesmo local, servindo os visitantes.

“Os espetos chegam em pacotes com 36 unidades cada. Para começar, temos duas caixas com vários pacotes. Conforme o pessoal vai pedindo, nós vamos fazendo mais, para não ficar muito produto parado aqui”, explicou.

O aposentado disse que a canseira não seria empecilho no trabalho da Festa da Caridade. Antes do término do dia, o voluntário já tinha sido convidado para voltar no ano que vem.

Na cozinha, um grupo de pessoas revezou-se nas panelas e na preparação dos vegetais e dos temperos que seriam distribuídos para as barracas. A aposentada Ilda Rodrigues Ferreira é voluntária do asilo durante todo o ano e trabalha no local desde a década de 1980.

No decorrer da festa, ela ajudou cortando centenas de tomates, cebolas e ramos de cheiro-verde. Com a faca na mão desde as 6h30, a aposentada disse não estar cansada. “Depois de um banho quente e um copo de leite, o peso no corpo passará”.

“O tomate que estou cortando agora servirá para vinagretes, pizzas, lanches e o que precisar. Nós viemos para colaborar onde precisar. Cada um ajuda como pode”, contou.

Presente na barraca do suco de laranja, a estudante de veterinária Giovani Scaglione de Oliveira decidiu trabalhar no feriado junto aos avós e parentes. O grupo de oito pessoas revezava-se em diferentes postos. O trabalho mais cansativo é o do espremedor, que faz os pulsos doerem após alguns minutos de trabalho.

“Estou separando o açúcar para o suco. Temos 65 caixas de laranjas para servir ao público. Eu me sinto feliz atendendo, gosto de ajudar na festa. Venho há três anos”, contou.

Para o voluntário Luiz Antonio da Silveira, a transparência do trabalho do Lar São Vicente de Paulo ajuda na atração de pessoas para trabalhar gratuitamente na Festa da Caridade. Durante a manhã de quinta-feira, 15, diversas pessoas procuraram o idoso para saber como ser voluntário.

“As pessoas trabalham sorrindo, satisfeitas. Atendi um casal disposto a trabalhar neste feriado. O trabalho é enorme, mas é muito gostoso fazer o serviço e saber que o dinheiro será bem usado pela entidade”, frisou.

Um dos pontos com maior movimentação de visitantes, o Bazar do Lar São Vicente tem na Festa da Caridade o dia de maior faturamento no ano. O valor arrecadado no dia de Corpus Christi é de R$ 11 mil, em média, e supera as vendas mensais, segundo a coordenadora Célia Holtz.

“Temos fregueses de Sorocaba, de Boituva e Cerquilho que aproveitam o feriado para vir ao bazar. Hoje, é um dia especial para a gente. Temos o faturamento de um mês em um dia”, contou.

A preparação do bazar começou há dois meses. Para ajudar na exposição, os voluntários aproveitaram o dia ensolarado para montarem uma tenda na área externa do galpão e expuseram aparelhos eletrônicos do local para dar maior visibilidade.

Por conta do trabalho na festa, os ajudantes do bazar terão um dia de folga na próxima quinta-feira, 22. O brechó permanecerá fechado, reabrindo no dia 29.

Agradecimento

O presidente do Lar São Vicente agradeceu aos voluntários da 88a Festa da Caridade. Os ajudantes trabalharam em 40 barracas, entre postos de “comes e bebes”, caixas, comissão de leilão, cozinha e bastidores.

“Tem gente que aparece no dia, vem na véspera. É impressionante. A pessoa pega um avental, uma touca e procura um canto para trabalhar. Isso é muito comum aqui”, contou.

Para Rezende, a melhoria nas condições da assistência dos idosos é um chamariz para que novos voluntários apareçam na Festa da Caridade. Como as festividades aumentam a cada ano, é necessário número maior de trabalhadores.

“A transparência e a estrutura do Lar ajudam na hora de conseguirmos voluntários. Todo esse movimento é por eles e para eles (os idosos). A estrutura que nós oferecemos aos idosos tem reação na comunidade, e o pessoal vem ajudar, pois tem confiança”, opinou.

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