Henrique Autran Dourado lança novo livro no 2º semestre

“Memórias de Isolamento – Velhos Amigos e Outras Crônicas” traz compilado de artigos escritos para O Progresso

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Da reportagem

O professor, músico e escritor Henrique Autran Dourado, colunista de O Progresso e ex-diretor do Conservatório de Tatuí, programa para lançar no segundo semestre do ano o livro “Memórias de Isolamento – Velhos Amigos e Outras Crônicas.

Conforme o autor, a obra está sendo finalizada e a previsão é publicá-la no começo de junho pela editora Edicon. O livro é um compilado de artigos escritos para a coluna semanal que mantém em O Progresso.

Autran contou que a ideia do livro já existia havia anos, porém, diante da indisponibilidade de tempo, foi sendo e adiado, até que, com a pandemia da Covid-19ª, a quarentena fez o que era ideia tornar-se realidade. “O isolamento, ironicamente, veio trazer ímpeto àquilo que adormecia”, comenta.

“Resolvi dividir o livro, como o título bem diz, em memórias desse tempo de isolamento, que continuam como artigos, mesmo fechado o volume – em quatro partes:  a primeira, as memórias da quarentena propriamente ditas, que tomam oito capítulos, várias reflexões, onde me sinto envolvido nas análises e comentários pelas artes, que é a minha opção de vida, especialmente a música”, revela o autor.

Na introdução do livro, o escritor detalha que, “não por coincidência, os assuntos abordados nos capítulos mais recentes versam sobre temas relacionados à pandemia”. O primeiro bloco aborda inteiramente o isolamento. São seis textos, que vão da literatura a filmes, músicas e fatos relacionados ao assunto.

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“Como meu mestrado e doutorado na USP foram, respectivamente, nas áreas de artes plásticas e artes cênicas, traçar paralelos entre peças de teatro históricas, filmes de grande importância e, claro, música, foram quase que automáticos. Não tive de pensar muito, apesar da óbvia pesquisa”.

Nos capítulos seguintes, o autor fala de personalidades que conheceu ou com quem trabalhou, em maioria grandes nomes do meio artístico – todos amigos mais próximos, in memoriam –, grupo em que insere também memórias do pai, o escritor Autran Dourado.

“A segunda parte dedico a pessoas que perdemos, com quem tive contato estreito, como a Naomi Munakata, que foi regente do Coro da Osesp e do Coral Paulistano do Municipal, uma dor grande pela constante que foi durante 35 anos de minha vida – e foi pela Covid-19”, detalha Autran

Entre os capítulos, também são citadas histórias com Osvaldo Lacerda, grande compositor da fase nacionalista brasileira, e Aírton Pinto, que tocou na Boston Symphony e foi spalla da Osesp, falecido em Boston.

Já na terceira parte, são abordadas histórias de músicos e artistas da MPB ou clássicos e, para fechar com a quarta parte, crônicas diversas, sobre vários assuntos, desde 1915. “Sempre nascidos desse rico embrião que foi O Progresso”, destaca.

Autor de diversos livros já publicados, Autran lembra que a nova obra começou com incentivo do jornalista Ivan Camargo, editor do bissemanário, que o convidou a escrever uma coluna semanal.

“Aceitei o convite e assim tenho feito, metodicamente, sobre os mais variados assuntos. Em seguida, a partir dos artigos, lancei meu blog pessoal, mas com os textos já ampliados, revisados, corrigidos e ilustrados”, acrescenta o autor.

O blog é mantido há nove anos. Nele, são reproduzidos, semanalmente, os textos da coluna, e, de acordo com Autran, desses textos – desde 2011, algo em torno de 400 artigos – nasceu a vontade de extrair um livro.

“Calhou de ser exatamente durante o isolamento que a ideia se tornou realidade. Falei com minha primeira editora no Brasil, a Edicon, e ela aceitou no ato. Fechamos uma edição com 160 páginas”.

Segundo o escritor, ao todo, 23 artigos serão publicados. Os textos originais, que já tinham sido transformados para o blog foram refeitos, adaptados e, quando necessário, estendidos.

“Dois eles, como um que escrevi para a revista Veja nacional (páginas amarelas, de abertura) e outro para o escritor Autran Dourado – que é meu pai -, têm o dobro do tamanho original da coluna de O Progresso. O do meu pai, por razões obvias”, aponta.

A data de publicação ainda será definida, contudo, o escritor adianta que, desta vez, o lançamento será virtual. Posteriormente, serão divulgados os sites e endereços eletrônicos nos quais será possível adquirir a versão impressa da obra.

“Sempre lancei meus livros em festas, lugares tradicionais como o Terraço Itália, a Livraria Cultura, em São Paulo, mas, sinceramente, neste ponto puxei meu pai: não sou muito afeito a isso. Era um pouco difícil ficar sentado autografando”.

“Por isso, em muito mais ainda por causa do isolamento social, vou precisar fazer um lançamento virtual, pela imprensa, pelas redes sociais e outros canais. Enfim, estamos isolados, mas não estamos sós”, conclui.

Henrique Autran

Autran é mestre, doutor e professor (aposentado) pela ECA/USP. Cursou a Fefierj (Uni-Rio), foi bolsista da Orquestra Sinfônica Brasileira, estudou no Berk-lee College of Musica e no The New England Conservatory (EUA).

Entre as experiências de estudo, teve aulas de contrabaixo com Edwin Barker, solista da Sinfônica de Boston, e de composição com Wilian Mckinley, Di Domenica (ex-aluno de Arnaldo Schönberg) e Joseph Maneri (Alban Berg).

Durante a carreira como músico, participou das versões originais de “Gota D’Água”, de Chico Buarque, com Bibi Ferreira, a “A Caverna”, junto com o suíço Walter Smetak (MAM/Rio), integrou orquestras norte-americanas e brasileiras, como a Osesp, com Eleazar de Carvalho.

Como professor, Autran lecionou na EMM do Theatro Municipal de São Paulo e foi diretor da unidade de 1985 a 2008. Também foi criador e diretor da Escola Superior de Música da Faculdade Cantareira de SP (2005).

Atuou como diretor do Conservatório de Tatuí entre os anos de 2008 e 2018, foi palestrante na Universidade de Rchmond (EUA), em 2003, duas vezes compositor da Bienal de Música Contemporânea (RJ) e apresentador, com Marcelo Tas, do programa Sinfonia Cultura, da Rádio Cultura FM.

Durante a carreira, ainda atuou na Associação Brasileira de Escolas de Música (Abemus) e na Frente Parlamentar pela Inclusão do Ensino da Música (Alesp), foi curador de música do Sesc Pinheiros, trabalhou como consultor da Fundação Roberto Marinho e parecerista da Fapesp, da USP e da UFRG. É membro da Academia Luminescência Brasileira (Alumbra).

Como escritor, Autran soma obras como “O Arco dos Instrumentos de Cordas” (Edicon, 1998), que recebeu prêmio da Academia Paulistana de História, em 1999; “Pequena Estória da Música” (Vitale, 1999); “Dicionário de Termos e Expressões da Música” (Ed. 34, 2003); e foi colaborador de “Uma Poética Musical Brasileira e Revolucionária”, de Jorge Antunes, da UnB (Sistrum).

Pelo trabalho realizado, recebeu os títulos de “Músico do Ano” (OMB, 1986), “Cidadão Paulistano” pela Câmara Municipal (2003), “Diploma de Mérito”, “Medalha Carlos Gomes”, “Comendador e Chanceler” pela Sbace/MINC (Sociedade Brasileira de Arte, Ciencia e Grã-Cruz da Ordem do Mérito, “Cônsul e Chanceler Internacional”, pela AB-FIP ONU (Forças Internacionais de Paz ONU, 2013), “Internacional Visitor Leadership Program” pela (US Dept. of State, 2009), “Medalha Tiradentes” (Alesp), “Master in Total Quality Administration” e “Quality Assurance Manager” (2013), pela Latin American Quality Institute (LAQ).

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