Hemodiálise em Tatuí­

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A Santa Casa de Misericórdia, em aproximadamente um mês, deverá começar o atendimento de hemodiálise na unidade de terapia intensiva. O serviço, de alta complexidade, será oferecido mediante convênio com empresa especializada.

A máquina para a hemodiálise já está instalada no hospital e, conforme anunciou a entidade, testes realizados por empresa especializada não apresentaram contaminação na água utilizada pelo equipamento.

Segundo a provedora da Santa Casa, Nanete Walti de Lima, a Vigilância Sanitária analisará os testes e emitirá aval para o funcionamento do serviço.

A empresa Nefro Lins Clínica Apoio Dialítico Ltda., do município de Lins, implementará, sem ônus ao hospital, o serviço com duas máquinas – uma usada como “reserva”, com intuito de manter o atendimento caso o outro equipamento precise de manutenção.

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A UTI da Santa Casa, atualmente, tem espaço apenas para oito pacientes. Nanete lembra que a hemodiálise é um procedimento de alta complexidade e que, anteriormente, era inviável ao hospital.

“Demorou porque tudo é caríssimo. Agora, aceitamos essa oferta da empresa. Quanto mais a gente puder lutar para melhorar a Santa Casa, vamos fazer”, afirmou a provedora.

Nanete considera o funcionamento da hemodiálise na UTI da Santa Casa um “marco para a saúde municipal”, porque o serviço nunca foi oferecido na cidade.

Ela contou que os pacientes, principalmente na terapia intensiva, tomam muito remédio e “podem evoluir para um quadro de doença renal”.

“Agora, logo que o problema aparece, o paciente já recebe o tratamento. Antes, procurávamos vagas em outros hospitais, mas nem sempre encontrávamos leitos disponíveis. A hemodiálise pode salvar vidas”, ressaltou.

As máquinas da hemodiálise servem para “substituir” o rim em mau funcionamento, que não consegue expelir, na urina, impurezas como as substâncias tóxicas produzidas pelo próprio organismo ou resíduos de remédios, por exemplo.

Por meio de uma agulha a máquina capta o sangue do corpo e realiza o processo de limpeza.

Nanete ressaltou que, com o atendimento, a Santa Casa deverá “virar referência” na região, pois também receberá pacientes de outros municípios. “Nesse caso, só aceitaremos internados de outras UTIs”.

As cidades mais próximas que possuem o mesmo tratamento são Itapetininga e Sorocaba. “Tivemos casos de pacientes que tiveram que ser levados até para Jau, porque não tinha vaga na nossa região”, contou a provedora.

De acordo com ela, as máquinas de hemodiálise chegaram no começo de outubro. O equipamento ficou guardado até o final do mês, quando aconteceu o término da reforma para a colocação de dutos pelos quais passam a água utilizada na máquina.

“Faz um tempo que nós estamos lidando com isso. A empresa já fez as simulações e testou tudo. O equipamento não apresentou nenhum problema”.

A provedora informou que o serviço é realizado mediante convênio com a Santa Casa, o qual prevê a contratação dos representantes da empresa pela Prefeitura.

Por atuarem no quadro clínico do hospital, afirma Nanete, eles receberão salário como os demais funcionários. Ela também informou que os médicos utilizarão a hemodiálise da UTI para atendimento de pacientes da esfera particular. “A Santa Casa, contudo, receberá verba do SUS por cada procedimento realizado na hemodiálise”.

A provedora contou que a iniciativa para a implantação da hemodiálise no hospital foi da empresa de Lins, a qual “entrou em contato com a Secretaria da Saúde”.

Nanete relatou, ainda, que os médicos representantes da empresa pretendem construir um centro para hemodiálise ambulatorial em Tatuí.

“Essa parte, no entanto, não será na Santa Casa. Nós vamos dar um respaldo no sentido de que internaremos os pacientes deles, se necessário, dependendo da disponibilidade do hospital”.

A falta da hemodiálise em Tatuí já rendeu muito empenho de diversos profissionais da Saúde e demais cidadãos interessados em amenizar o sofrimento dos pacientes carentes do serviço, forçados ao desgaste duplo do próprio tratamento aliado a viagens severamente desgastantes.

O tema, também, esteve no alto do palanque eleitoral, lembrando que a saúde pública assumiu grande peso no pleito mais recente. Essa “luta”, portanto, não é de hoje e, por certo, não se encerra simplesmente por um convênio.

Contudo, parta de onde partir, seja creditado a quem for – ou até mesmo deixe de ser -, o fato é que os tatuianos terão concretizada uma antiga reivindicação, justa e devida. Um serviço que, sim, pode salvar vidas.


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