Grupo de profissionais traz conceito e está aberto a amadores e amantes

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Fabio Villa Nova





Eduardo Alarcom

Turma de fotógrafos teve como ponto de partida  o Museu Histórico ‘Paulo Setúbal’

 

André Loretti, Evandro Ananias, Fernando Foster e William de Moraes se conhecem do meio da fotografia e fora dele. Profissionais do ramo, eles somam em experiência 86 anos e uma paixão que começaram a dividir com amadores e amantes da arte.

Há dois anos, os fotógrafos mantêm um grupo em rede social (Facebook). O canal é usado para marcar encontros, discutir sobre desafios da profissão e está aceitando adeptos. A única exigência é gostar de fotografia e ter, no mínimo, um equipamento pelo qual se podem discutir técnicas de ângulo e iluminação.

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A equipe de amigos conta, ainda, com Roberto Palmeira e Luiz Cláudio Garcia. Também é composto por profissionais mulheres, que participam de discussões, comentam postagens em foto e as “curtem”.

O desejo de criar um grupo específico surgiu justamente do encontro dos fotógrafos. A ideia inicial era criar uma comunidade voltada a profissionais a partir da possibilidade oferecida pela rede social. Depois de um tempo em atividade, os integrantes começaram a convidar conhecidos.

“Como a maioria usa Nikon (câmera fotográfica), nós denominamos o grupo de ‘Eu Sou Nikon Tatuí’, porque esse é o slogan que a própria fabricante usa”, explicou Ananias. “Nós incluímos Tatuí só para dar uma localização e, a partir daí, adicionamos quem conhecemos”, completou Moraes.

Com a chegada de novos membros, o grupo agregou adeptos de “outras marcas” e que são considerados bem-vindos. “Isso tomou uma proporção grande e, agora, não é só Nikon. Também tem Canon e, até, Tekpix”, brincou Loretti.

Antes realizados somente para discutir fotografia, os encontros tiveram conceito ampliado. Seus participantes falam de tudo um pouco e, de preferência, sobre a arte, o mercado de trabalho e os vários tipos de equipamentos.

“Somos amigos que curtem fotografia e abertos a profissionais, amadores e amantes. Claro que nem todos se sentem à vontade para discutir alguma dificuldade, mas, eventualmente, nós falamos sobre conceitos”, contou Moraes.

Também eventualmente, os membros publicam fotos. A iniciativa é espontânea e livre de “julgamento”. O objetivo é sempre incentivar a exposição do trabalho e, a partir dele, originar debates que visam aperfeiçoamento.

O ponto principal é reunir pessoas que vivem de fotografia, gostam ou pretendem entrar na profissão. Também, dissolver a imagem de que, no ramo, há somente concorrência.

“Não existe mais aquele comportamento antigo, de que um fotógrafo não poderia ser amigo do outro porque iria olhar qual era o equipamento do outro. Isso é algo que não acontece mais, porque não há concorrência”, disse Foster.

Para Moraes, a concorrência é “um fantasma que não existe”. Apesar de muitos fotógrafos trabalharem com o mesmo nicho de mercado (casamentos, batizados, festas de aniversário, sociais, entre outros), ele afirma que esse tipo de pensamento não vigora no grupo por conta da troca de informações.

O estilo dos membros, o chamado “olhar fotográfico”, também é apontado como um diferencial entre os trabalhos e que elimina o quesito concorrência como possível fator desagregador. Ainda que Loretti tenha citado que os fotógrafos oferecem trabalhos diferentes sobre o mesmo tema.

“Claro que, se a pessoa pensa em dinheiro quando procura um fotógrafo, ela vai para o mais barato. O que não significa que esse seja o pior. Agora, se ela quer um profissional, é porque ela gostou do trabalho que ele faz”, argumentou.

Por conta dessa tônica, o grupo trouxe uma experiência que evidencia o “olhar diferenciado” de seus membros. Realizou no domingo, 1º, a edição “oficial” do “photowalking”.

Ele consiste no ato de caminhar com uma câmera com o propósito principal de tirar fotos de coisas que possam interessar aos participantes, sejam eles profissionais, amadores ou amantes.

“É um conceito bem interessante e mais uma maneira de reunião”, comentou Moraes. Conforme ele, o photowalking é, essencialmente, realizado com fins de produção de um trabalho fotográfico, mas sem compromisso.

A proposta ganhou projeção a partir do norte-americano Scott Kelby. O fotógrafo valorizou a ideia e a trouxe para São Paulo. Tatuí entrou no “circuito” a partir do engajamento dos fotógrafos. “Nós reunimos um grupo de amigos que gosta de fotografar e saímos por determinados trechos”, disse Moraes.

Basicamente, todos fotografam o mesmo trecho, coincidindo de clicar um ou mais pontos em comum. Entretanto, o resultado é muito diversificado, em termos de “produto final”. “Como não é um trabalho autoral, ele serve de registro”, falou.

O 1º Photowalking de Tatuí tornou-se realidade após “experiências tímidas”. Por mais de uma vez, o grupo juntou de três a quatro pessoas para fotografar. “Essas experiências não valeram porque não eram abertas”, relatou Moraes.

A partir da expansão do grupo, os responsáveis organizaram uma primeira edição. Os fotógrafos percorreram trecho que compreende o Museu Histórico “Paulo Setúbal” e a antiga fábrica São Martinho. “Foi uma loucura. Todos passaram pelo mesmo lugar, mas não têm uma foto igual”, disse Loretti.

Para as próximas experiências, o grupo pretende aumentar o número de adeptos. Como o photowalking é realizado costumeiramente aos fins de semana, a quantidade de profissionais pode não ser tão grande. “Domingo é o dia de trabalho para os fotógrafos. Por isso, não dá para reunir muito”, declarou Moraes.

Entretanto, o grupo pode crescer se houver a participação de amadores e amantes da arte. No momento em que o grupo tiver “mais encorpado”, seus organizadores querem juntá-lo com o movimento da capital e, também, “gerar novos produtos”.

A proposta é realizar um trabalho de preservação histórica, a partir da fotografia. Moraes afirmou que a principal razão é a transformação urbana de Tatuí. “Ela está perdendo antigos casarões para estacionamentos. Quem não fotografou as casas antigas não vai fotografar mais”, alertou o profissional.

Junto com o registro, Moraes afirmou que a cidade corre o risco de perder parte de sua “identidade”. Problema que o photowalking poderia evitar.

“Então, isso pode virar até um “photolog”, uma forma de trocar e publicar fotos em formato de blogue (diário virtual)”, disse o idealizar do grupo tatuiano.

Num segundo momento, os fotógrafos pretendem realizar exposições. Todas as possibilidades serão discutidas com a participação de mais adeptos.

Os requisitos para que a pessoa possa se juntar aos fotógrafos são o gosto pela arte e o equipamento. A princípio, até celulares são permitidos para registro.

Entretanto, Moraes disse que, ao passo em que o participante ganha conhecimento, ele tende a melhorar não só a técnica, mas o equipamento de registro.

Quem quiser participar do grupo deve procurá-lo pelo Facebook e solicitar. Os pedidos estão sujeitos a análise, com base no perfil dos solicitantes.


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