Futuro seco





Na semana passada, a Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) informou que está perfurando “dois grandes poços artesianos” para atender Tatuí.

Por e-mail a O Progresso, informou que, desde o ano passado, intensificou o monitoramento dos mananciais que abastecem a cidade. Declarou, ainda, que adotou a medida preventiva como “frente a uma das piores estiagens dos últimos 84 anos no Estado de São Paulo”.

Também sustentou que os níveis dos rios Tatuí e Sarapuí têm se mantido “satisfatórios”. A condição tem sido verificada pela companhia “mesmo com o índice de chuvas abaixo do esperado”.

Em função disso, a empresa citou que o abastecimento à população não sofreu alterações. Entretanto, a Sabesp não respondeu se pode ou não adotar medida de “redução de pressão” na rede de abastecimento em Tatuí, como em São Paulo.

Há duas captações no município: uma no rio Tatuí e outra no Sarapuí. Neste último, a Sabesp instalou um novo “booster” (unidade de bombeamento). Ainda conforme a empresa, o equipamento ampliou a capacidade de abastecimento de água tratada na cidade.

A empresa anunciou que está perfurando “dois grandes poços artesianos” para “maior garantia de abastecimento”. Contudo, não informou onde eles se localizam, qual capacidade de produção (de captação para bombeamento em estação de tratamento) e qual região eles atenderão.

Mesmo com os investimentos descritos, a Sabesp destacou que a população precisa continuar “usando a água de forma responsável, sem desperdícios”. O motivo é que o índice de chuvas está abaixo do esperado e as altas temperaturas desta época do ano contribuem para o aumento do consumo.

A Sabesp aproveitou para reiterar “dicas de economia”. Entre elas, banhos curtos; não uso de mangueira para lavar calçada e carro; retirada de excesso de comida de louças com esponja antes de usar a torneira; acumular roupas por períodos para utilizar a máquina de lavar na capacidade máxima; e manter a torneira fechada enquanto se escova os dentes ou faz a barba.

Na nota, a companhia não menciona se os níveis dos rios estão baixos. Também não constou – como havia feito anteriormente em outras duas oportunidades – se a cidade corre risco de desabastecimento e se vem utilizando outras represas para manter o fornecimento de água.

A Sabesp produz e distribui 30 milhões de litros de água por dia na cidade. Ela é fornecida com “padrão de qualidade que atende todos os quesitos da legislação vigente”.

A companhia tem sido consultada pela reportagem de O Progresso desde o início do ano passado, por conta da estiagem e das altas temperaturas registradas a partir de novembro de 2013.

Em fevereiro de 2014, medições da Defesa Civil apontavam que, no penúltimo mês do ano retrasado, as precipitações somaram apenas 60 milímetros. Em dezembro de 2013, o órgão totalizou 39 milímetros de chuva e, em janeiro do ano passado, 70 milímetros.

Em seu primeiro comunicado, a Sabesp afirmou que, “apesar dos esforços que estavam sendo realizados para garantir o atendimento, a situação impunha aos sistemas uma condição de extrema atenção e delicada operação”.

Na ocasião, a empresa informou que nenhuma cidade da região atendida por ela corria risco de desabastecimento por conta da situação climática.

Havia destacado, ainda, que os consumidores deviam “fazer uso de água com racionalidade”. A empresa citou que a medida valia tanto para redução de despesas (no tocante a consumo e produção) como para preservação ambiental.

Também por conta de solicitação de O Progresso, em agosto de 2014, a Sabesp voltou a divulgar nota. Na ocasião, enfatizou que Tatuí não corria risco de desabastecimento, mas relatou que dezenas de municípios do Estado já enfrentavam problemas por conta da estiagem. Segundo ela, a falta de chuvas havia causado redução da vazão dos principais mananciais paulistas.

Apesar de não intensas, as chuvas recentes provocaram alta do nível do rio Sorocaba. No distrito de Americana, a cheia fez com que a empresa que administra a Usina Hidrelétrica Santa Izabel fechasse a maioria das comportas.

Na semana passada, a elevação podia ser vista “a olho nu” por quem passava pela estrada que dá acesso à barragem. Na rua Maria Conceição Martins, boa parte das casas (ribeirinhas) que ficam na beira do rio já registravam água bem próxima aos quintais.

A despeito disto e da falta de claras informações – medida aparentemente que se tornou regra na empresa a nível estadual -, certo é que a população precisa ser intensamente instruída sobre a necessidade de mudança radical de postura.

Mais uma vez, são urgentes investimentos. Contudo, investimentos não só na prestação do serviço, mas muito maiores na educação, de tal forma que se forme uma próxima geração capaz de sobreviver à falta de água, a qual, se não ocorrer de maneira catastrófica agora, acontecerá no futuro. Infelizmente.