Falso médico envolvido em esquema atendeu no PS de Tatuí­ por 6 meses

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Denúncia encaminhada ao jornal O Progresso na tarde de quarta-feira, 19, foi confirmada pela direção do Pronto-Socorro Municipal “Erasmo Peixoto” na manhã de quinta-feira, 20. O jornal recebeu a informação de que um falso médico, envolvido em esquema de aliciamento de pessoas para trabalhar em cidades do interior paulista, atuara no ambulatório local.

Dados obtidos extraoficialmente pela reportagem dão conta de que Bertino Rumarco da Costa preencheu fichas de atendimento e assinou receituários com outro nome. Em Tatuí, ele teria se identificado como Naas Adonai Carvalho de Assis. O registro pertenceria a um médico do Estado de Santa Catarina.

Conforme informações repassadas à reportagem, o suposto farsante foi detido na cidade mineira de Caratinga, no Vale do Rio Doce. Também teria atuado em Franca, num esquema que vem sendo divulgado em âmbito nacional.

Costa é apontado como aliciador de falsos médicos que atuavam nas cidades do interior. Ele acabou detido no início do mês, durante a “Operação Placebo”, realizada em Minas Gerais.

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Em Tatuí, além do pronto-socorro, há informações de que Costa teria atendido em duas UBSs (unidades básicas de saúde). O suspeito será ouvido em depoimento na cidade de Mairinque.

Em nota à imprensa, a direção do ambulatório informou que “o profissional não atua junto ao corpo clínico da unidade”. Também mencionou que ele “realizou apenas alguns plantões esporádicos no município”. Costa trabalhou no ambulatório entre dezembro do ano passado e junho de 2015.

A diretoria também ressaltou que o falso médico apresentou toda a documentação necessária para contratação. Os responsáveis pelo ambulatório citaram que não houve registro de reclamação por parte da população, com relação ao atendimento prestado pelo falso profissional.

O corpo diretor do ambulatório mencionou, ainda, que as condutas e procedimentos médicos adotados por Costa “sempre foram pertinentes e verificados pelo diretor clínico do pronto-socorro”. E acrescentou que “as medidas preventivas já foram tomadas pela gestão do PS” para evitar novas fraudes.

A diretoria declarou que está à disposição da Justiça e das investigações para mais esclarecimentos. Considerou, por fim, que “o município e a população foram vítimas do golpe” aplicado pelo homem que se passou por médico.

A reportagem apurou que Costa teria formação em medicina. Segundo dados fornecidos por pessoas que atuaram com o falso médico, ele havia estudado na Bolívia, mas não dispunha de autorização para exercer a profissão no país.

Os médicos que se formam no exterior precisam prestar um exame de revalidação de diploma, instituído por meio de portaria no ano de 1996.

Os trabalhos de investigações da Operação Placebo apontam que Costa era um dos responsáveis por atrair outros médicos que estudaram no país vizinho. Além de Tatuí, ele teria atuado em Franca, entre junho e outubro do ano passado.

Na cidade que abriga polo calçadista, ele exerceu função de emergencialista, atendendo no Pronto-Socorro “Álvaro Azzuz”. O falso médico teria sido contratado por meio de um instituto e, em Franca, também usado o nome de um médico catarinense para evitar suspeitas.

O caso resultou em denúncia apresentada pela Promotoria de Justiça de Mairinque. A acusação é de que Costa se formou em medicina na Universidade de Santa Cruz de La Sierra.

Ao voltar ao Brasil, ele teria começado a trabalhar para o instituto e para outra empresa, convocando outras pessoas que estariam na mesma situação que ele para atuarem no interior do Estado.

O esquema de aliciamento funcionava pela internet. A promotoria de Mairinque destaca, na denúncia, que ele utilizaria redes sociais para convidar os médicos que ainda não dispunham de autorização para trabalhar no país.

Ele também faria contato com mais pessoas em cursos preparatórios de revalidação do diploma de medicina ministrados via internet. Daí, criando “uma rede”.

A Polícia Civil de Franca identificou outros dois falsos médicos: Pablo Mussolim – que está detido – e um homem ainda não identificado. Este último, teria utilizado o registro de Danilo Bringel Landim, para atuar. O nome é de um médico recém-formado e que reside em Brejo Santo, no Ceará.

A partir da divulgação do nome de Costa (que atuava como Naas), houve a suspeita de atuação em Tatuí. A Prefeitura confirmou o fato à PC de Mairinque.

O Executivo não informou se vai rever o contrato firmado com a Santa Casa para o fornecimento de profissionais por conta do episódio do falso médico.

Por meio de acordo, o hospital ficou responsável pela contratação de empresa especializada no fornecimento de médicos para atuarem no ambulatório. A Prefeitura faz o repasse mensal para a SC, que reenvia o valor integral para o pagamento dos profissionais plantonistas.

O Executivo também não informou se vai acionar a Santa Casa para rever a contratualização.


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