Evento mobiliza 220 para palestras que miram em mudança de hábitos

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Cristiano Mota

Atividades incluíram apresentações do canil da PM; cães da GCM também participaram da programação

 

“Achei espetacular, ainda mais por saber que Deus fez o sol e nos deu e que nós usamos pouco o benefício em prol de nós mesmos”. Essa é a impressão que Valquíria Aparecida Lemo teve da primeira das oito palestras das quais ela participou no domingo, 31 de maio, na “Feira da Saúde”.

Realizado pela Igreja Adventista do Sétimo Dia, o evento contou com apoio da Prefeitura, por meio da Secretaria Municipal da Saúde e de entidades locais. Em sua primeira edição em formato “maior”, a feira mobilizou 220 voluntários entre palestrantes, organizadores e atrações convidadas.

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Valquíria passou pela feira no período da tarde. “Em primeiro lugar, o tema me motivou a vir. Em segundo, vim porque todos que estão participando são de fonte fidedigna. Então, estou vendo que vou aprender muito”, comentou.

Quem passou pela feira, como Valquíria, percorreu oito salas da Emef (Escola Municipal de Ensino Fundamental) “João Florêncio” que foram transformadas em estandes. Em cada uma delas, profissionais voluntários ministraram palestras sobre os chamados remédios naturais. Trata-se de substâncias presentes na natureza para prevenção, tratamento ou cura de patologias.

Os temas incluíram alimentação saudável, água, ar puro, exposição à luz solar, prática de exercício físico, repouso, temperança e confiança em Deus. A forma de apresentação dos assuntos impressionou a participante. Valquíria disse que teve a chance de mudar conceito. Entre eles, o de que o sol faz mal.

“Normalmente, nós trabalhamos em lugares fechados, passamos protetores e, às vezes, até em excesso. Eu fiquei feliz em saber que o sol pode ajudar no humor, na pressão arterial e também na questão de absorção da vitamina D”, disse.

Para Valquíria, as orientações devem ajudar na melhoria de qualidade de vida. A participante tem problema de saúde relacionado à descalcificação. Como a maioria das pessoas, ela disse que fugia do sol e que passava protetor até mesmo em excesso para evitar o aparecimento de manchas com o passar do tempo.

“A questão é que eu descobri que o sol é um ótimo condutor para que o meu corpo absorva o cálcio. Então, eu gostei muito e o meu foco, aqui, é ouvir o máximo de informação possível porque quero ter mais saúde”, declarou.

Proposta central da feira, a reflexão a respeito da saúde a partir da mudança de hábito abrangeu pessoas de todas as idades. “Tivemos, aqui, desde bebezinhos até idosos”, comentou a nutricionista e palestrante, Eliamara Gonzales Machado.

A profissional recebeu o público no estande da nutrição, para orientações com, no máximo, sete minutos de duração. “Na verdade, muito rapidamente, nós ensinamos como ter uma alimentação mais saudável e equilibrada no dia a dia”, comentou.

Para desmistificar o uso de alimentos integrais, por exemplo, Eliamara completou as informações com exemplos práticos. Montou uma mesa com alimentos saudáveis e acessíveis às pessoas. “Tudo que está aqui é fácil de comprar. Nós mostramos que vale a pena mudar o hábito de consumo”, adicionou.

Ao final de cada palestra, os profissionais tiraram dúvidas da população. Estudantes do Colégio Adventista, que exibiram exposição sobre o corpo humano, também conversaram com o público que passou pelo evento nas oito horas de duração.

Caliza de Fátima Cardoso fez questão de conferir as informações repassadas pelos alunos de forma voluntária no projeto. “Estou gostando muito. Amando, na verdade, porque as pessoas estão aproveitando bastante”, opinou.

A chuva que atingiu o município no período da manhã de domingo atrapalhou a abertura oficial. Conforme o diretor do Departamento de Saúde da Igreja das Mangueiras (avenida Cônego João Clímaco de Camargo), o médico neurocirurgião Glaucio Pinheiro, a solenidade ficou prejudicada.

“Nós não conseguimos fazer a abertura como programamos, com evento cívico, hasteamento da Bandeira do Brasil, participação da fanfarra dos Desbravadores e da Ordem Unida, mas as pessoas compareceram”, ressaltou.

A feira teve início às 9h e prosseguiu até às 17h, com “um fluxo muito interessante”, conforme o médico. Pinheiro explicou que, em função da chuva, a organização precisou reorganizar os espaços internos nos quais os parceiros ofereceriam atendimentos. Entre elas, a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil). “Na medida do possível, nós acomodamos todos”, afirmou.

A programação também contou com atrações gratuitas na praça Paulo Setúbal (Barão). No local, houve apresentações de corais, de grupos musicais e dos canis da PM (Polícia Militar) e GCM (Guarda Civil Municipal).

“A população sempre responde bem a um evento como esse, porque ele impacta a pessoa de uma forma muito impressionante. A pessoa sai, realmente, com um brilho no olho e isso é o que nos motiva”, mencionou o médico.

Para participar das palestras, os participantes preencheram ficha de inscrição. Ao final de cada orientação, os profissionais fizeram anotações a respeito das condições de saúde das pessoas. “Ao final, elas responderam uma série de perguntas para que fizéssemos o cálculo da idade biológica”, disse Pinheiro.

Por último, as pessoas passaram por aconselhamento para um “balanço geral” com um médico. Nos casos em que houve necessidade, o profissional aconselhou para encaminhamento do caso, para segmento com especialista.

De forma simultânea, a Igreja Adventista promoveu edições do evento em nove cidades da região. Conforme o diretor da Saúde de Sorocaba, Ivan Canhadas, a intenção era provocar um “impacto muito grande na saúde das pessoas”.

O pastor atua no escritório de Sorocaba e atende 240 igrejas que são acompanhadas por 42 pastores. Juntamente com outros dez pastores, ele atende as igrejas da região nas demandas das áreas da família e da saúde. “Então, essa feira é o resultado de trabalho que fazemos em longo prazo”, disse.

Nas nove cidades, a igreja aplicou o mesmo modelo do evento, cuja meta é propagar a prevenção. Para evitar que as pessoas fiquem doentes, Canhadas explicou que a Adventista oferece os oito remédios naturais, gratuitos e sem contraindicação.

“Dessa forma, criamos um conjunto de elementos que permite à pessoa evitar certos tipos de doença. A pessoa estando bem fisicamente, vai estar bem mentalmente, com a família, com sociedade e com Deus”, argumentou.

O evento é promovido internacionalmente pela denominação religiosa e considerado um mecanismo para divulgar Jesus Cristo. “Esse é o nosso oitavo remédio, o poder da fé na vida das pessoas. Mas o nosso propósito com a feira não é fazer a pessoa mudar de religião, mas ter qualidade de vida”, falou.

Dando continuidade à ação, a Igreja Adventista realizará curso e palestras. As atividades serão realizadas na Câmara Municipal e na sede da denominação, respectivamente.

Na Câmara, entre os dias 8 e 12, acontecerá o curso “Como deixar de Fumar”. Aberto à comunidade, ele será realizado às 19h. No auditório da igreja, os adventistas promoverão o “café da manhã com o doutor”. São encontros que acontecerão a partir das 9h, sempre no último domingo de cada mês.

O primeiro encontro será com o médico cirurgião cardíaco, Wladmir Faustino Saporito, que falará sobre hipertensão arterial. Os demais terão como temas: câncer cervicouterino (com a médica Maria Laura Lavorato Matias, da Santa Casa); depressão (Dalton Duarte, psiquiatra do Caps – Centro de Assistência Psicossocial); obesidade infantil (Graziella Russo Oliveira, pediatra); e demência de Alzheimer (com Luiz Eduardo, neurologista).


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