Evento aborda a saúde na 3ª idade e polí­ticas públicas para os idosos

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O aumento da expectativa de vida do brasileiro tem levantado uma série de questões relacionadas à terceira idade, entre elas, a saúde. O assunto é tema de debate da quarta edição do Seminário de Gerontologia, que começou na segunda-feira, 24, e termina nesta quinta-feira, 27.

Realizado no auditório “Jornalista Maurício Loureiro Gama”, do Nebam (Núcleo de Educação Básica Municipal) “Ayrton Senna da Silva”, o seminário é organizado pelo Fundo Social de Solidariedade de Tatuí, com apoio da ABG (Associação Brasileira de Gerontologia).

Especialistas em envelhecimento discutem formas de atravessar a terceira idade com mais qualidade de vida. As palestras abordam questões dos âmbitos da saúde, sociedade, cultura, psicologia, neurologia e biologia, além do direito dos idosos.

De acordo com a organizadora, a gerontóloga Paola de Campos, outubro foi escolhido para a realização da ação por ser considerado o “Mês do Idoso”.

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A cada ano é escolhido um tema a ser tratado durante as palestras. Em outros, foram discutidas ações afirmativas para a terceira idade, direito e políticas públicas e “empoderamento” dos idosos.

“Cada edição tem um tema geral. O seminário serve como política pública para levar à população uma reflexão sobre o processo de envelhecimento, tanto na parte biopsicossocial, como na de lazer, cultura e sociedade”, declarou.

Nos dois primeiros dias, o auditório do Nebam ficou lotado. A maior parte do público era formada por pessoas idosas, não só de Tatuí, mas de cidades como Cesário Lange, Tietê, Capivari, Quadra, Boituva e Cerquilho.

“Nosso seminário está se tornando referência na nossa região. Membros da sociedade civil, participantes em programas de terceira idade, trabalhadores da área de saúde, de asilos e cuidadores de idosos vêm de outras cidades para assistir as nossas palestras”, afirmou.

De acordo com Paola, os idosos estão mais “atentos” às questões do envelhecimento e se cuidam mais.

“Nós percebemos que as pessoas estão querendo saber mais, estão buscando informações na mídia e também no seminário. Teve uma melhora nessa área, até mesmo porque a população tem envelhecido, mas os idosos estão mais ativos e atuantes, dirigindo as próprias vidas”, opinou.

A gerontóloga Thaís Bento Lima destacou o processo de envelhecimento populacional pelo qual o país atravessa nas últimas décadas. Durante a palestra sobre a memória na terceira idade, ministrada na manhã de segunda-feira, a especialista procurou esclarecer sobre pontos relacionados ao esquecimento na senescência.

“Tentamos desmistificar algumas questões relacionadas aos idosos, além de tentar quebrar alguns estereótipos, que são percepções negativas e errôneas da velhice. Esses tipos de mitos atrapalham a saúde e a educação sobre o envelhecimento”, explicou.

Um dos mitos abordados por Thaís é sobre uma planta medicinal chamada “ginkgo biloba”. A especialista, que é doutoranda em neurologia e graduada em neurociência, explicou que o vegetal, usado como fitoterápico, não colabora com a melhora da memória em idosos.

“O ginkgo biloba teve o nome relacionado ao melhor desempenho da memória. Durante gerações, essa informação foi passada. Mas, na verdade, não tem essa função. O que ela faz é diminuir o número de infecções no organismo e ajudar a manter a imunidade estável”, explicou.

De acordo com Thaís, com mais informações e políticas públicas voltadas à terceira idade, os idosos tendem a envelhecer com mais saúde. O investimento em atividades culturais, esportivas e sociais para essa faixa etária pode, ainda, diminuir gastos na área de saúde.

“Uma população idosa desassistida gera significativo prejuízo ao município, porque tem maior índice de hospitalização, de institucionalização, pois o indivíduo vai morar em asilos. Quando ele é estimulado a ter uma vida mais ativa, todos esses tipos de obstáculos são superados”, ressaltou.

Durante a palestra, o presidente da ABG, Tiago Nascimento Ordonez, afirmou que cientistas estão trabalhando com o conceito de quarta idade. O gerontólogo explicou que, em termos biológicos, de bem-estar e de saúde, há “grandes diferenças entre um idoso de 60 anos e outro de 80 anos”.

“Existe esse tipo de diferenciação. Se pensarmos na parte da saúde, alguns problemas são bastante comuns quando a pessoa tem 60 anos, mas se tornam mais difíceis de ocorrer quando se tem 80. Tem essa especificidade que precisa ser estudada”, declarou.

Ordonez, que é gestor de políticas gerontológicas do município de São Caetano do Sul, afirmou que a população idosa tem que exigir dos governos locais a criação e adoção de políticas públicas sobre a senilidade.

“Se os idosos não pedirem atenção especial, os governos e a sociedade vão entender que não estão precisando. Quero muito insistir nisso, que eles precisam procurar saber sobre os direitos e exigir das prefeituras”, disse.

Na terça-feira, dois palestrantes da cidade de Capivari estiveram no evento para explicar os processos de envelhecimento e mudança da voz e a importância do canto para a qualidade de vida dos idosos.

Os painéis foram ministrados por Eder de Luca, professor de canto e coral, e Vanessa Costa Rugê, fonoaudióloga e coordenadora da Faceti (Faculdade Cenecista da Terceira Idade de Capivari).

Para hoje, quarta-feira, 26, está prevista a palestra “Aparência no Processo de Envelhecimento e seus Significados: Saúde e Qualidade de Vida na Velhice”. O evento será às 8h30 e o assunto, abordado por Aparecida Costa da Silva.

Ela é graduada em gerontologia pela USP e membro do grupo de pesquisa Eapis (Envelhecimento, Aparência, Imagens e Significados na Velhice), da mesma instituição. A profissional também acumula funções de instrutora de dança sênior, faz oficinas de memória para idosos e é auxiliar de profissões da ABG.

A última palestra será realizada na quinta-feira, às 8h30: “Orientações Sobre os Direitos dos Idosos em Saúde”, a cargo do advogado Elton Euclides Fernandes, especialista em ações contra planos de saúde e o SUS (Sistema Único de Saúde).

 

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