Doença meningocócica

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Dr. Jorge Sidnei Rodrigues da Costa – Cremesp 34708

Aspectos clínicos e epidemiológicos 

Descrição – A doença meningocócica (DM) pode se apresentar sob a forma de uma doença benigna, caracterizada por febre e bacteremia, simulando uma infecção respiratória ou virose exantemática.

Também pode ter um quadro mais grave, a exemplo de septicemia (meningococcemia), caracterizada por mal-estar súbito, febre alta, calafrios, prostração, acompanhada de manifestações hemorrágicas na pele (petéquias e equimoses); e, ainda, sob a forma de meningite, com ou sem meningococcemia, de início súbito, com febre, cefaleia intensa, náuseas, vômitos e rigidez de nuca, além de outros sinais de irritação meníngea.

O paciente pode apresentar-se consciente, sonolento, torporoso ou em coma. Não apresenta reflexos patológicos e os reflexos superficiais e osteotendinosos estão presentes e normais.

Outra apresentação é a meningoencefalite, onde ocorre depressão sensorial profunda, sinais meníngeos, comprometimento dos reflexos superficiais e osteotendinosos e presença de reflexos patológicos.

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Sinal de Kernig

Paciente em decúbito dorsal: eleva-se o tronco, fletindo-o sobre a bacia; há flexão da perna sobre a coxa e dessa sobre a bacia; ou com o paciente em decúbito dorsal: eleva-se o membro inferior em extensão, fletindo-o sobre a bacia após pequena angulação, há flexão da perna oposta sobre a coxa. Essa variante chama-se, também, manobra de Laségue.

Sinal de Brudzinski

Flexão involuntária da perna sobre a coxa e dessa sobre a bacia, ao se tentar antefletir a cabeça. Delírio e coma podem surgir no início da doença, ocorrendo, às vezes, casos fulminantes, com sinais de choque.

É frequente o aparecimento de exantema purpúrico ou hemorrágico, podendo apresentar-se sob a forma de petéquias. Lactentes raramente apresentam sinais de irritação meníngea, o que leva a necessidade de se observar febre, irritabilidade ou agitação grito meníngeo e recusa alimentar, acompanhados ou não de vômitos, convulsões e abaulamento da fontanela. A meningococcemia pode ou não vir acompanhada de meningite.

Agente etiológico

“Neisseria meningitidis”, bactéria em forma de diplococos Gram negativos. Apresenta 13 sorogrupos, sendo oito responsáveis, com maior frequência, pela doença meningocócica (A, B, C1+, C1-, X, Y, W-135, L). Estes podem ainda ser classificados em sorotipos e subtipos.

Reservatório

O homem doente ou portador assintomático.

Modo de transmissão

Contato íntimo de pessoa a pessoa, através de gotículas das secreções da nasofaringe. O principal transmissor é o portador assintomático.

Incubação

De 2 a 10 dias, em média de 3 a 4 dias.

Transmissibilidade

Dura enquanto houver o agente na nasofaringe. Em geral, após 24 horas de antibioticoterapia, o meningococo já desapareceu da orofaringe.

Complicações

Necroses profundas com perda de tecido nas áreas externas, onde se iniciam as equimoses; surdez, artrite, miocardite, pericardite, paralisias, paresias, abcesso cerebral, hidrocefalia, dentre outras.

Diagnóstico

Através do isolamento da “Neisseria meningitidis” do sangue, líquor, líquido sinovial ou de derrame pericárdico ou pleural. O LCR pode se apresentar turvo, com cor leitosa ou xantocrômica. A bioquímica evidencia glicose e cloretos diminuídos (concentração de glicose inferior a 50% da glicemia, coletada simultaneamente ao líquor), proteínas elevadas (acima de 100mg/dl) e pleiocitose (aumento do número de leucócitos, predominado polimorfonucleares neutrófilos).

A doença meningocócica é dinâmica, imprevisível e suas consequências podem ser devastadoras. A maior parte dos casos de DM ocorre em indivíduos saudáveis.

É uma doença com sintomas iniciais inespecíficos, de difícil diagnóstico, podendo ter uma evolução “fulminante” em até 24 horas. A doença é transmitida por secreções respiratórias, durante contato próximo com o portador, então qualquer pessoa pode ser infectada.

No Brasil, 58% dos casos de DM, em menores de um ano são devidos ao sorogrupo B, 29% do sorogrupo C, 10% do sorogrupo W e 3% do sorogrupo Y. Os lactentes são os mais vulneráveis, sendo que dos casos de DM abaixo de um ano de idade, 55% acontecem até os seis meses.

Portanto, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) recomendam a vacinação contra o meningococo B (Bexsero da GSK), a partir dos três meses de idade.

Juntamente com a Bexsero, pode aplicar no mesmo dia a Menveo (contra as meningites meningocócicas A, C, W e Y). Recentemente foi mudada a indicação do número de doses.

Agora são duas doses a intervalo de dois meses (pode ser com três e cinco meses de idade da criança e um reforço com um ano de idade).  A vacina contra o meningocócica B (Besteiro) só é encontrada na rede particular e ainda não faz parte do calendário do SUS.

A vacinação é a forma mais efetiva de proteção contra a DM. A Bexsero (vacina contra o meningoco B) foi introduzida no Brasil em 2015, portanto, muitas crianças que estão hoje com cerca de quatro anos de idade, ou mais, não tiveram a oportunidade de receber essa vacina.

E, a partir de 24 meses (dois anos de idade) até 50 anos, são duas doses com intervalo não menos que um mês, entre a primeira e a segunda dose (o ideal é dois meses de intervalo, sem necessidade de reforço).

A DM não acomete somente crianças: adolescentes e jovens adultos também estão sob risco, tendo trabalhos científicos mostrando que ela é bem mais frequente em jovens de 19 a 20 anos. Até 23% dos adolescentes e jovens adultos são carreadores e os principais transmissores da Neisseria Meningitidis (meningococo).

Fontes: diversas, contidas no panfleto promocional da GSK sobre a Bexsero, e SBP, SBIm, Anvisa e www: saude.gov.pr.com

* Médico pediatra com título de especialista em pediatria e membro da Associação Médica Brasileira e da SBIm (Sociedade Brasileira de Imunizações).

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