Distrito de Americana está entre 5 pontos que necessitam de ‘atenção’

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Cristiano Mota

Moradores do bairro monitoram quantidade de precipitação por meio de pluviômetro instalado em USB

 

O distrito de Americana é um dos cinco pontos que precisam de atenção constante em Tatuí. Esse é o diagnóstico preliminar feito por técnicos do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas) no fim do mês passado e divulgado por membros do Nudec (Núcleo de Defesa Civil) do bairro à reportagem de O Progresso.

Os representantes do órgão estiveram no local juntamente com membros da Coordenadoria Estadual de Defesa Civil do Estado de São Paulo e da DC de Tatuí no dia 29. Vulnerável a enchentes, o bairro possui, aproximadamente, 300 moradores.

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Parte deles vive em casas próximas ao leito do rio Sorocaba e fica em alerta quando há aumento da quantidade de chuva em cidades vizinhas. O motivo é que o Sorocaba se encontra com o rio Tatuí num trecho do bairro. A enchente ocorre sempre que o nível do rio Sorocaba é maior que o do Tatuí.

Como o segundo rio não consegue desaguar no primeiro, ocorre o chamado “refluxo”, que é o avanço das águas margem adentro. O refluxo faz com que as águas dos rios ocupem áreas de várzea, nas quais estão localizadas algumas residências.

Em 2007, o distrito ficou entre as áreas de Tatuí mais atingidas por enchente. No município, há riscos de enchentes ou alagamentos no Jardim Thomaz Guedes e de deslizamentos de terra na região do Morro do Alto e Jardim Tóquio.

A visita em Tatuí estava prevista em contrato assinado entre o IPT e a Coordenadoria Estadual da DC. Por meio dela, os técnicos do instituto fazem o mapeamento das áreas de alto e muito alto risco de deslizamentos e inundações.

No total, 42 municípios abrangidos pelo Plano Preventivo de Defesa Civil do Estado serão vistoriados. A previsão é de que as visitas técnicas aconteçam durante nove meses. O trabalho está a cargo da Seção de Investigações, Riscos e Desastres Naturais do IPT, que iniciou as visitas em novembro do ano passado.

As informações serão organizadas em mapas, imagens e documentação fotográfica. Elas integrarão o chamado SIG (Sistema de Informações Geográficas). O objetivo é subsidiar o gerenciamento das áreas e estabelecer parâmetros técnicos e sociais com base nos graus (baixo, médio, alto e muito alto).

O IPT informa que os graus de risco considerados seguem método desenvolvido em 2007 em conjunto com o Ministério das Cidades. Ele estabelece quatro condições potenciais de risco. O projeto realizado pelo instituto, entretanto, trata somente de setores classificados como risco alto e muito alto.

As cidades estão localizadas nas regiões administrativas de São José dos Campos, Sorocaba, Campinas, Marília, Itapeva, Barretos, Bauru, São José do Rio Preto e Araçatuba.

Em Sorocaba, além de Tatuí, as visitas dos técnicos incluem Araçoiaba da Serra, Boituva, Botucatu, Capela do Alto, Laranjal Paulista, Porto Feliz, Quadra, Salto, Salto de Pirapora, Tietê e Torre de Pedra.

Conforme o IPT, os municípios foram indicados como prioritários por não terem informações atualizadas sobre riscos de deslizamento e/ou inundações. As principais atividades desenvolvidas pelo IPT nas cidades consistem em pesquisa bibliográfica dos levantamentos de áreas de risco.

Os técnicos do instituto também farão consulta às equipes das coordenadorias municipais de Defesa Civil. A meta é obter informações a respeito do número de atendimentos efetuados nos locais que passarão por avaliação, a realização de vistorias de campo para levantamento de indicadores de risco e tipologias dos processos e a documentação fotográfica.

No distrito, a visitação teve acompanhamento da coordenadora do Nudec, Marlene Rodrigues Pires. Conforme ela, as equipes estiveram em diversos pontos do bairro, passando pela usina hidrelétrica Santa Adélia – caminho para o Guaxingu – até o ponto de encontro dos rios Sorocaba e Tatuí, no outro extremo do distrito.

“Nós mostramos para eles vários locais. Eles percorreram o Sorocaba pelas margens”, contou. O nível do rio também é monitorado no bairro. Marlene explicou que o trabalho é feito em parceria com a usina hidrelétrica. “O pessoal de lá vê o nível e cuida de avisar quando há alguma alteração”.

O Nudec também tem participação no trabalho de acompanhamento de possível enchente. Ele é responsável pela coleta e repasse dos dados, para a DC, sobre o volume de chuva que cai no bairro. O acompanhamento é feito por meio de um pluviômetro instalado na UBS (unidade básica de saúde) do distrito.


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