Dengue – vacina

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Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), nas últimas décadas houve um crescimento da dengue em nível mundial de 30 vezes, acometendo hoje mais de cem países, com metade da população mundial vivendo em áreas endêmicas da doença e com risco de transmissão.

O número de indivíduos infectados anualmente, em todo o mundo, é de cerca de 390 milhões, sendo que um quarto desses casos, 96 milhões, desenvolvem formas sintomáticas e meio milhão evolui para formas graves da doença (hospitalização), sendo reportadas 25 mil mortes anuais.

A dengue é uma doença antiga, com presença nas Américas há cerca de 400 anos, sendo suas primeiras epidemias descritas em 1635 na região do Caribe – embora no Brasil os primeiros casos foram registrados em 1982, em Boa Vista, Roraima.

Durante quase todo o século 20, os esforços no controle ao mosquito, especialmente para combater a febre amarela, foram suficientes para evitar a disseminação da dengue na região.

A partir do final da década de 80, o número de casos de dengue no país vem crescendo, sendo considerada hoje a doença transmitida por vetor de mais rápida disseminação e de mais alta notificação.

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A dengue afeta indivíduos de qualquer idade, sendo o maior número de casos confirmados entre adolescentes e adultos jovens. No Brasil, em 2015, foram reportados mais de 1,6 milhão de casos suspeitos da doença, sendo 20 mil deles classificados como dengue com sinais de alarme, cerca de 1.600 casos graves e 863 óbitos.

Inúmeros esforços vêm sendo feitos para o enfrentamento da doença, que vão desde o controle do vetor (mosquito), melhoria na vigilância epidemiológica, investimentos em técnicas adequadas de diagnóstico e também na assistência, com o intuito de prevenir, especialmente, as suas formas graves.

A OMS estipula, como meta, a redução de 25% da morbidade causada pela doença e de 50% do número de óbitos até o ano de 2020. Porém, são enormes os obstáculos e dificuldades econômicas, políticas e sociais para que esses objetivos sejam atingidos e se consiga o controle adequado da doença, que gera enorme impacto econômico e de saúde pública para os países atingidos.

O vírus

O vírus da dengue é um arbovírus, da família Flaviviridae, gênero Flavivírus, que inclui quatro tipos distintos: DEN-1, DEN-2, DEN-3 e DEN-4, mantendo-se na natureza pela multiplicação em mosquitos hematófagos do gênero Aedes.

O ciclo de transmissão da doença se inicia quando o mosquito Aedes (o aegypti é o principal vetor da doença no Brasil) pica uma pessoa infectada. O vírus multiplica-se no intestino médio do vetor e infecta outros tecidos, chegando às glândulas salivares.

Uma vez infectado, o mosquito é capaz de transmitir enquanto viver. Não há transmissão da doença sem a participação do vetor, de pessoa a pessoa. Após a picada do mosquito, inicia-se, no indivíduo infectado o ciclo de replicação viral com a disseminação do vírus pela corrente circulatória (viremia).

Os primeiros sintomas – como febre, dor muscular, mal-estar e cefaleia – surgem após um período de incubação médio de 5 a 7 dias. Após a infecção, a resposta imune é sorotipo específica, ou seja, por cada um dos quatro tipos de vírus. Por exemplo, se a pessoa foi infectada pelo vírus DEN-1, ela adquire imunidade apenas para esse tipo, ficando susceptível aos outros três vírus.

Vacina

Há muito se deseja uma vacina segura e eficaz contra a doença e, embora várias estejam em diferentes fases de desenvolvimento, só há uma vacina licenciada em todo o mundo, a do laboratório Sanofi Pasteur (Dengvaxia®).

A vacina comprovou sua segurança através de diversos estudos científicos que envolveram mais de 20 mil vacinados. Efeitos colaterais sistêmicos mais comuns apresentados após a aplicação da vacina foram: cefaleia (>50%), fadiga (>40%), mialgia (>40%) e febre, que ocorreram em 16% dos pacientes entre 9-17 anos e em 5% dos pacientes entre 18-60 anos.

Quanto a eventos adversos no local da aplicação, o mais comum foi dor (49,2% de 9-17 anos; 45,2% de 18-60 anos).  A vacina somente está disponível na “rede particular” de vacinação e protege contra os quatro tipos de dengue (DEN-1, DEN-2, DEN-3 e DEN-4).

Pode ser aplicada a partir dos nove anos de idade, e são três doses, a intervalos de seis meses cada uma. Mesmo que a pessoa já teve dengue pode e deve ser vacinada, pois, como já relatado anteriormente, a proteção pela vacina é para os quatro vírus. Assim, se a pessoa teve dengue por um tipo dos quatro vírus, continua vulnerável a ter novamente a dengue por qualquer um dos outros três vírus.

Contraindicações

A vacina não deve ser administrada em indivíduos portadores de imunodeficiências congênitas ou adquirida, incluindo aqueles em terapia imunossupressora. Também não deve ser aplicada em gestantes, lactantes e pessoas que vivem com HIV/Aids. A vacina deve ser adiada na vigência de quadros febris ou doença aguda moderada ou grave.

A vacina está licenciada em nosso país para indivíduos de 9 a 45 anos de idade no esquema de três doses: 0, 6 e 12 meses. Após a reconstituição, deve ser aplicado o volume de 0,5ml por via subcutânea, preferencialmente na região deltoide (braço).

Não estão definidas, ainda, a duração da proteção e a eventual necessidade de doses de reforço subsequentes. Não há dados publicados sobre interferência na resposta imune quando da aplicação simultânea com outras vacinas, embora, em recente publicação, a OMS considere permissível seu uso com vacinas inativadas, pelo baixo potencial de risco de interferência. Essa vacina não está ainda disponível na rede do SUS.

Fonte: site da SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria)

* Médico com título de especialista pela AMB (Associação Médica Brasileira) e SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria), membro da SBim (Sociedade Brasileira de Imunizações) e diretor clínico e médico responsável pelo Cevac – Centro de Vacinação Humana.

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