Dengue sobe e pode passar de mil casos

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AC Prefeitura

Palestras realizadas com crianças em escolas estão entre ações desenvolvidas pelo setor de combate à dengue para conter avanço da doença

 

A transmissão da dengue em Tatuí subiu desde a divulgação de boletim anterior, feita pela Secretaria Municipal da Saúde. Vinte dias depois da primeira informação, dia 6 deste mês, a pasta municipal atualizou os números de notificações, casos descartados e confirmados (autóctones e importados).

O boletim, divulgado a pedido de O Progresso, mostra que houve um “salto” entre o início do mês. Na quinta-feira, 26, a pasta contabilizava 127 casos confirmados, contra 40, num aumento de 217,5%. No entanto, esse número pode subir ainda mais.

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A projeção feita pelas autoridades é de que as confirmações passem de mil. Os números de notificações não estão perto desse valor, mas também não ficam baixos.

Até o dia 26, Tatuí registrava 431 notificações, quando os médicos têm suspeitas de que os sintomas apresentados pelos pacientes são da doença.

Dos confirmados, 61 casos são importados (contraídos fora da cidade) e 66, autóctones (com a contaminação pelo Aedes aegypti ocorrida dentro do município). Esse número varia conforme a atualização dos exames. Até a semana passada, a média era de cinco confirmações por dia. Entretanto, esse cálculo oscila, uma vez que não havia demora na divulgação dos resultados.

A coordenadora da Vigilância Epidemiológica, enfermeira Marilu Rodrigues da Costa, explicou que a demanda por exames das cidades vizinhas está interferindo no prazo em que os diagnósticos estão sendo realizados. Por essa razão, 71 pessoas estavam aguardando resultados até o dia 26.

Marilu explicou que a secretaria tem duas opções para confirmar as suspeitas. Uma delas é por meio do NS1, teste que pode ser realizado pela VE e com diagnóstico mais rápido. Esse tipo de procedimento é feito em pacientes que procuram os serviços de saúde até o terceiro dia após o surgimento dos sintomas.

O exame por antígeno permite a detecção da presença do vírus da dengue a partir de 24 horas após o início da febre. Esse é, em geral, o primeiro sintoma da doença. O teste apresenta sensibilidade superior a 80%, mas não pode ser realizado com pessoas a partir do quarto dia de apresentação dos sintomas.

A explicação é que, após esse prazo, os antígenos circulantes são removidos pela ligação com os anticorpos. Isso faz com que a sensibilidade do exame diminua. “É como se fosse um teste rápido”, apontou a coordenadora.

A partir do quarto dia dos sintomas, Marilu disse que os pacientes precisam fazer outro exame, chamado de IgM. Ele detecta anticorpos específicos encontrados na chamada “infecção primária e secundária”.

O prazo para a confirmação também é maior, uma vez que o exame só é indicado – e pode ser realizado – em pessoas que estejam sob suspeita de contaminação após o sexto dia do aparecimento dos sintomas. Além disso, a amostra de sangue precisa ser encaminhada para outros municípios, o que estende o prazo.

Em Tatuí, os casos de suspeita têm apresentado aumento nas identificações em função de determinação da secretaria. A coordenadora da VE informou que a pasta recomendou aos médicos que informassem o maior número de casos possíveis para intensificar o trabalho de acompanhamento dos pacientes.

“É por isso que o número de casos descartados é grande. São 233”, enfatizou Marilu. Conforme ela, os médicos são orientados a notificar como suspeitos apenas os casos nos quais os pacientes apresentem febre, uma vez que nem todas as pessoas que contraem a doença têm complicações.

“Se pegarmos mil casos, em 900 deles as pessoas não vão nem saber que tiveram dengue”, comentou a coordenadora. Marilu disse que isso ocorre porque a maioria vai apresenta sintomas “leves”. “Só que não são esses casos que nós estamos visando. O Estado quer evitar o óbito”, enfatizou.

De acordo com a coordenadora, todos os municípios receberam orientação de concentrar os esforços no atendimento à população. “Nós não estamos mais conseguindo evitar a doença, porque a própria população não fez a parte dela. Não adianta só o serviço de saúde fazer a parte dele”, argumentou.

Marilu afirmou que a VE está realizando as ações que competem ao órgão. Entretanto, destacou que não tem recebido apoio por parte dos moradores, especialmente nas atividades que competem à destruição de criadouros.

De acordo com ela, a equipe tem verificado que, em alguns dos casos confirmados, a contaminação ocorreu por falta de cuidados para evitar proliferação do mosquito transmissor da doença.

“Quando os agentes vão fazer a destruição, verificam, em muitos casos, que as casas das pessoas estão cheias de coisas inservíveis e que são focos de proliferação”.

Para a coordenadora, a situação do município está diretamente relacionada à falta de colaboração da população. “Nós estamos pagando o preço do povo, porque o serviço público está fazendo e sempre fez a parte dele”, declarou.

Além da não adoção de medidas preventivas, Marilu afirmou que muitos moradores não permitem o acesso dos agentes a seus lares. “Muitas vezes, os agentes são taxados de chatos. Em outros casos, as residências estão fechadas”, falou.

Nesta última situação, a coordenadora frisou que é preciso que os moradores redobrem cuidados. Marilu afirmou entender que muitas pessoas precisam deixar as residências para trabalhar, mas que devem, por conta disso, ter atenção maior para evitar a proliferação do transmissor.

Também conforme ela, dos mais de cem casos positivos, apenas 10% dos pacientes precisaram de cuidados mais específicos. Em 90% das confirmações, os pacientes não precisam de acompanhamentos especializados.

As internações são indicadas quando há diminuição de plaquetas no sangue. Marilu afirmou que, em grande parte, as pessoas têm mal-estar, mas conseguem se curar dentro de casa, com hidratação por água e soro caseiro.

Prova disso é que a maioria dos 233 pacientes descartados não apresentou febre. A coordenadora informou, também, que boa parte deles teve sintomas “leves”, como náuseas e dor de cabeça.

Porém, Marilu disse que os diagnósticos só podem ser feitos pelos médicos, razão pela qual a secretaria mantém a orientação para que as pessoas procurem um profissional de saúde na UBS (unidade básica de saúde) mais próxima de suas casas.

Os médicos são responsáveis por realizar as notificações. As avaliações são feitas com base em “vários critérios” e em cima de exames de hemograma, por exemplo.

Os pacientes confirmados também não precisam ficar internados, na maioria das vezes, porque a dengue não tem tratamento. Conforme Marilu, o que existe é um acompanhamento. “A chave é a hidratação. Então, uma pessoa adulta tem que tomar, no mínimo, quatro litros de água por dia para se recuperar”.

De modo a atender melhor à população, a secretaria instituiu, nos postos de saúde, áreas para hidratação. A medida permite ao município melhor condição de atendimento caso a situação se aproxime de Boituva, Votorantim, Sorocaba ou Iperó.

“Se isso acontecer, nós já estruturamos a atenção básica”, argumentou a coordenadora. A medida preventiva é essencial, uma vez que o município não teria condições de oferecer macas para atender a todos os pacientes com suspeita.

Nas UBSs, a Prefeitura disponibilizou cadeiras para acomodar quem precisa tomar soro. Após a hidratação, as pessoas são liberadas para voltarem para casa. No caso de não haver melhora, o paciente é encaminhado ao pronto-socorro e, havendo necessidade, segue para internação.

Além dos postos, a secretaria criou espaço para hidratação no Cemem (Centro Municipal de Especialidades Médicas) “Dr. Jamil Sallum”. Durante os atendimentos, os pacientes são orientados a como fazer soro caseiro.

Outra recomendação é de que os pacientes façam uso de repelentes e que repousem. Marilu disse que o descanso é necessário porque a dengue provoca dores muito intensas e que impossibilitam as pessoas, por exemplo, de andarem.

“É por isso que a dengue era chamada, antigamente, de doença do quebra ossos, porque dá a sensação de ossos quebrados”, comentou.

No início do mês, a pasta fez a indicação do uso de repelente para quem fosse viajar a um dos municípios da região com surto (Boituva, Sorocaba ou Iperó). Entretanto, a recomendação não é mais válida, por conta do aumento dos casos autóctones.

Marilu explicou que o uso de repelentes tem de ser feito por todas as pessoas, independentemente se elas vão ou não viajar. “A partir do momento em que o município já tem transmissão, não importa se a pessoa vai viajar ou não, porque ela corre o risco de ser contaminada na cidade em que vive”.

Quem não encontrar o produto em supermercados ou não tiver disponibilidade financeira pode optar por receitas caseiras, à base de álcool, cravo e óleo corporal.

O motivo é que o número de casos autóctones deve aumentar nos próximos dias. “Há uns dias, o importado se sobressaía. Agora, nós estamos esperando que os autóctones aumentem”, comentou.

Juntamente com Itapetininga e Cerquilho, Tatuí situa-se na segunda fase da classificação de epidemia. A cidade está em situação de alerta e, caso as confirmações passem de 170, vai chegar à situação de emergência. Esse é o caso de Iperó, Sorocaba, Boituva. Votorantim e Salto de Pirapora, que integram a regional.

As autoridades dizem que o panorama do município “vai piorar”. Isso porque, nos anos anteriores, os registros de dengue começaram a partir da 17ª semana do ano (final de abril). “A alta dos números se dá nesse período”, contou Marilu.

Como Tatuí vem registrando casos desde o início do ano, a tendência é que as notificações e as confirmações aumentem. “Nós tivemos um salto muito grande. Então, o Estado acha que, se a situação é desconfortável agora, vai piorar”, falou.

A previsão do Estado, para Tatuí, é de que o município registre, passado o período de alta (que tem início em abril), chegue a atingir 1.100 casos.

“Nós duvidamos. Não só duvidamos como esperamos que a população faça a parte dela e que consigamos controlar isso”, falou a coordenadora.

Uma das principais dificuldades da secretaria é de reduzir os casos em regiões com maior concentração. Até o momento, os casos são mais frequentes no Residencial Astória, no Jardim Lucila e no centro (na área da praça Adelaide Guedes, nas proximidades da Etec – Escola Técnica “Salles Gomes”).

Outro fator que dificulta o atendimento é o volume de pessoas que vão procurar o pronto-socorro. Conforme a secretária municipal da Saúde, Cecília Aparecida Xavier de Oliveira França, o movimento no ambulatório tem crescido muito, tornando o atendimento mais demorado para a população.

Mesmo com a possibilidade de aumento dos casos, Cecília afirmou que não vê motivo para pânico. Conforme ela, a população deve preocupar-se mais em colaborar com a Vigilância e com a destruição dos criadouros do Aedes aegypti.

Em caso de qualquer sintoma (febre alta, dor de cabeça e nos músculos, náuseas, vômitos e manchas vermelhas pelo corpo), a orientação é para que a pessoa vá a um posto de saúde. Nos bairros em que as unidades funcionem até as 13h30, caso do Enxovia, Mirandas, Congonhal e distrito de Americana, é indicado que os pacientes procurem a referência mais perto.

A referência do Enxovia é a UBS do Valinho. Quem mora nos Mirandas e Congonhal deve se dirigir até o posto da vila Dr. Laurindo; o mesmo para o distrito de Americana. Nesses locais, Marilu enfatizou que os atendimentos costumam ser mais rápidos que no Pronto-Socorro Municipal “Erasmo Peixoto”.


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