Crise pode afetar a distribuição de brinquedos para crianças carentes

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Arquivo O Progresso

Entre brinquedos, Circe pede ajuda para continuar atendendo crianças

 

A retração da economia brasileira, com a alta dos juros e do desemprego, tem provocado mais que perda do poder aquisitivo e endividamentos. Em Tatuí, o momento financeiro do país produz reflexos numa iniciativa de voluntariado desenvolvida há mais de 20 anos.

Circe Machado Bastos arrecada brinquedos novos e usados (em bom estado) para entregar a crianças carentes do município. As doações são feitas em duas épocas do ano: outubro, por ocasião do Dia das Crianças; e dezembro, no Natal.

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Em média, ela beneficia 600 crianças por vez. Neste ano, o número deve ficar bem abaixo disso. A expectativa para baixo é de que 300 possam ser atendidas. “Desta vez, não posso contar com algumas empresas. Até então, algumas me ajudavam, mas a situação está complicada”, contou.

A voluntária trabalha sozinha e em casa, mas depende de terceiros para ter material para produzir os kits. Ela entrega a meninos e meninas brinquedos distintos. Eles recebem itens como caminhões e bolas; elas, casinhas e bonecas. Todos são embalados em sacolas plásticas e contabilizados.

Para “fazer um agrado” às crianças, Circe inclui balas, chicletes e pirulitos, que também obtém com colaboradores. As primeiras doações começaram neste mês.

A voluntária recebeu um lote que deverá atender a pouco mais de cem crianças. Entretanto, ela espera poder ampliar esse número para continuar a atender meninos e meninas de seis regiões do município.

As entregas são feitas no dia 12 de outubro, no período da manhã, na região do Santa Cruz (onde a voluntária reside), no Residencial Astória, Jardim Santa Rita de Cássia, Thomaz Guedes, Vale da Lua e Inocoop. Ela também percorre, quando há possibilidade, bairros mais periféricos, como a vila Santa Luzia.

“O número de crianças atendidas vai depender do que vier. Agora, eu não posso contar muito com as empresas. No ano passado, elas me apoiaram muito, mas, neste ano, a situação está complicada”.

Circe também depende de colaborações para promover entrega de ovos de Páscoa. No ano passado, ela doou 850 deles para crianças, juntamente com 500 brinquedos. Em 2015, a voluntária não conseguiu promover a iniciativa, pelo fato de que não atingiu número suficiente de apoio para as ações.

Com exceção do Residencial Astória, as entregas nos demais bairros são feitas em locais não fixos. Apoiada pelo marido, José Carlos Bastos, e por amigos, Circe vai até os bairros em uma caminhonete. Ela passa nas ruas principais, faz o anúncio e, em seguida, a distribuição.

Por esse motivo, deixou de promover cadastro. Tradicionalmente, as doações de brinquedos são feitas a crianças previamente inscritas. A medida visa garantir que o número de brinquedos atenda à população infantil.

Contudo, Circe disse que, como não consegue mais mensurar quantos kits poderá produzir, vai evitar o cadastro. Nesse caso, a entrega será feita de modo particionado. Apenas no Residencial Astória o número será fixado.

“Eu vou doando para a criançada. O único lugar em que a ação acontece em espaço fixo é no Astória, onde há um senhor que reúne o povo numa casa”, contou.

Antes de serem doados, os brinquedos são separados para a montagem dos kits, quando novos. Quando usados, Circe faz a restauração das peças para deixá-las próprias ao manuseio. “Não precisa ser, necessariamente, pego da loja. As pessoas podem doar usados, mas que não sejam ‘cavacos’”.

Circe também aceita peças de roupas (que são repassadas a pedidos) e doces. As doações podem ser encaminhadas à residência da voluntária até a antevéspera do Dia das Crianças, à rua Artur Napoleão de Oliveira, 66. Quem preferir pode agendar entrega pelo fone 3259-7214.

A voluntária estabeleceu prazo exatamente para ter tempo hábil de produzir os kits. Os primeiros começaram a ser montados nesta semana e serão distribuídos das 9h30 até o fim da tarde, pela tatuiana e um grupo de colaboradores.

Circe informou que precisa de embalagens para preparar os kits. Confidenciou, também, que, quando não consegue promover ação, é cobrada. “As crianças são uma maravilha, os pais é que me dão trabalho”, comentou.

A constatação tem razão de ser no fato de que os pais pedem a troca dos brinquedos. Circe informou que não pode atender aos pedidos, uma vez que não escolhe o que vai distribuir. “O que vier tem de ser tudo bem-vindo”, concluiu.


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