Chuva de verão causa estragos na cidade

801
Publicidade

 

As chuvas de verão fizeram os primeiros estragos do ano na noite de terça-feira, 3. Um temporal castigou a cidade e provocou queda de árvores, alagamentos, fortes enxurradas e deixou moradores sem energia elétrica em diversos bairros.

O temporal mobilizou os efetivos do Corpo de Bombeiros, da concessionária Elektro, da Secretaria Municipal de Infraestrutura, Meio Ambiente e Agricultura e da Coordenadoria Municipal de Defesa Civil.

De acordo com o Corpo de Bombeiros e a Defesa Civil, houve 14 quedas de árvores no perímetro urbano. Foram mobilizados as viaturas ABSR (autobomba salvamento e resgate), AB (autobomba) e UR (unidade de resgate), além de seis militares, para a remoção dos vegetais. O trabalho dos bombeiros estendeu-se para além da meia-noite de quarta-feira, 4.

Os bairros mais atingidos pelas quedas de árvores foram Jardim Manoel de Abreu, Jardim Wanderley, vila Esperança, Jardim Lírio e distrito de Americana. Na rua Rotary Club, na vila Dr. Laurindo, uma árvore caiu sobre um automóvel. Ninguém ficou ferido.

Publicidade

“Não chegamos a calcular o número de quedas na zona rural. Os maiores danos do temporal foram na faixa ao longo do ribeirão do Manduca. Praticamente, todos os bairros próximos ao rio foram afetados por rajadas de ventos”, explicou o coordenador da Defesa Civil, João Batista Alves Floriano.

Algumas das árvores caíram sobre a fiação elétrica, causando interrupções no fornecimento de energia. Segundo a Elektro, cerca de 3.500 residências e estabelecimentos comerciais ficaram sem luz.

A concessionária também registrou queda de postes e rompimento de cabos. Raios ainda causaram danos na rede de distribuição, conforme a empresa.

A Elektro informou que os bairros mais afetados pelas interrupções no fornecimento de energia foram Jardim São Paulo, Jardim Paulista, Jardins de Tatuí, Jardim Manoel de Abreu, Residencial Astória, centro e vila Dr. Laurindo.

A empresa contabilizou mais de 500 chamados de clientes. Cerca de 50 funcionários da empresa trabalharam no restabelecimento do fornecimento pela cidade.

A chuva causou alguns sustos pela cidade. Nas proximidades das obras de reconstrução da ponte do Marapé, uma mulher se desequilibrou ao tentar atravessar a rua Capitão Lisboa e chegou a ser levada pela enxurrada. Moradores e um sargento da PM se mobilizaram e conseguiram tirá-la do local antes de ela cair no ribeirão do Manduca.

Segundo o coordenador da Defesa Civil, as pancadas de chuva de verão costumam durar de 20 a 30 minutos. O temporal de terça-feira durou aproximadamente 70 minutos.

No período, foram quase 50 milímetros, conforme medição do próprio órgão, realizada na sede da Secretaria de Infraestrutura, no Mangueirão.

O Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Nacionais) divulgou, em relatório diário, números mais “modestos” para a chuva que caiu sobre Tatuí na terça-feira.

Segundo o instituto, entre as 19h e 20h30, foram 23,8 mm. O órgão, entretanto, não divulga a localização da estação pluviométrica automática instalada na cidade.

“Nós, da Defesa Civil, consideramos a chuva forte. Teve rajadas de ventos fortes, queda de granizo em alguns pontos da cidade e incidência de descargas elétricas em diversos locais. Podemos chamar de tempestade o que ocorreu na terça-feira”, afirmou Floriano.

De acordo com ele, bairros como Santa Cruz e alguns pontos do centro tiveram a ocorrência de granizo. Os pedregulhos de gelo não chegaram a causar danos em veículos e telhas de residências.

No bairro Jurumirim, localidade rural que desde o ano passado está sob a administração da Prefeitura de Itapetininga, foram registrados casos de destelhamento de imóveis.

Segundo a Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo), o temporal que atingiu Tatuí chegou com forte queda na temperatura.

A medição é realizada em estação própria, no bairro do Valinho. Até às 17h, os termômetros marcavam 35 °C. Uma hora depois, a temperatura caiu quase 10 °C. Às 19h, quando a chuva começou a cair, a temperatura era de 19,9 °C.

A velocidade dos ventos foi “comedida” no bairro do Valinho. Segundo a companhia, entre 18h e 20h, a média chegou a quase 19 km/h. Conforme o coordenador da Defesa Civil, as medições não refletiram a situação real dos ventos na cidade.

Rajadas fortes foram registradas em diversos pontos, que nem sempre coincidem com a localização da estação meteorológica da Cetesb.

Em alguns pontos, motoristas e motociclistas sofreram com alagamentos. As imediações da rua São Bento, próximo ao Terminal Rodoviário “Pedro de Campos Camargo”, foi um dos locais onde o nível de água no asfalto foi preocupante. O mesmo ocorreu nas imediações do Mercado Municipal “Nilzo Vanni”.

“Outras ruas da região central também tiveram alagamentos. Também registramos ocorrências no bairro Jardim Santa Rita de Cássia”, declarou Floriano.

Apesar de a enxurrada ter assustado moradores na vila São Cristóvão, o ribeirão do Manduca não teve transbordamento. O nível “aumentou bastante”, porém, o escoamento das águas pluviais foi considerado satisfatório.

Um dos problemas citados pelo coordenador da Defesa Civil foram as obras de revitalização da Pompeo Reali. A construção de um muro ao longo do canteiro central da via, sem a instalação de bocas de lobo, fez da avenida um “córrego”, segundo Floriano.

“Nestes pontos, sabemos que existe a necessidade de se realizar obras de microdrenagem, com a construção de bueiros ao longo da avenida. Isso ajudaria a evitar a enxurrada e alagamentos”, opinou.

 

Aconselhamentos

O coordenador da Defesa Civil afirmou que a população precisa ficar atenta às ocorrências de chuvas fortes. Na iminência de temporais, a dica de Floriano é evitar sair de casa.

Caso já estiver na rua, ele orienta a busca de abrigos em construções. Não é recomendado ficar sob as árvores nem tentar cruzar locais alagados e com enxurradas.

“O risco de cair em um bueiro aberto ou ser levado para dentro de um rio é grande. Por mais que tenha um compromisso fora de casa, o nosso maior comprometimento é com a própria vida. Então, sugiro que tenhamos cuidado nos temporais”, declarou.

 

Encostas

O temporal de terça-feira não ocasionou deslizamentos nas regiões de encostas da cidade. Conforme a Coordenadoria Municipal da Defesa Civil, o índice de saturação do solo de Tatuí é de 60 mm de chuva em três dias.

Isso quer dizer que, caso o volume de chuvas ultrapasse essa marca, aumenta a possibilidade de deslizamentos. Os locais de maior preocupação são os bairros Morro Grande, Jardim Europa e Jardim das Garças.

“Caso a ocorrência de chuvas fortes predomine nos próximos dias, realizaremos inspeções nos bairros que necessitam de maior atenção, até mesmo para evitar algum tipo de acidente”, explicou Floriano.

 

 

Publicidade