‘Castração precisa ser sistemática’, dizem protetores independentes

494
Publicidade





O Progresso

Grupo uniformizado exibiu cartazes e balões em sessão com frases que destacam castração como solução

 

Com balões, cartazes e usando camisetas brancas, um grupo de protetores de animais voltou a acompanhar sessão ordinária da Câmara Municipal. Na noite de terça-feira, 1º, eles realizaram a segunda manifestação pacífica para solicitar recursos à viabilização de mutirões mensais para castração de cães e gatos.

A primeira ação dos protetores – a maioria mulheres – aconteceu no fim de agosto. Em setembro, eles retornaram ao Legislativo para chamar a atenção sobre o assunto.

Publicidade

No total, 15 pessoas participaram da segunda manifestação, conforme apontou a ativista Luana Soares Muzille. Entre eles, representantes de duas ONGs locais (organizações não governamentais): a Pró-Animal e a Cia. do Bicho.

Os integrantes do movimento se intitulam protetores independentes e apartidários. “A intenção da nossa vinda é realizar um manifesto que dá voz para os animais abandonados. O intuito é de lutar por uma política pública realmente efetiva para os bichos sem lar”, argumentou Luana.

Segundo ela, o grupo entende que as castrações mensais são a ferramenta “mais importante para a consolidação” da política pública. Trata-se de uma medida que permitiria a redução do abandono de filhotes e, consequentemente, de cães e gatos que precisem ser resgatados e de tratamentos.

A protetora afirmou que essa medida é adotada em São Paulo e Curitiba. Disse, ainda, que entende que a esterilização não resolverá 100% dos casos, mas que, por meio dela, será possível controlar “minimamente a situação”. Em Tatuí, os protetores dizem que o principal problema é o aumento do abandono.

O uso de balões e cartazes pedindo as castrações é empregado pelo grupo como um recurso para chamar a atenção dos vereadores. Luana explicou que os participantes têm, também, a intenção de apelar ao Executivo.

“Nós temos conhecimento de que existe uma lei de 2001 que regulamenta, na cidade, que esses serviços (de mutirões) sejam prestados pelo Executivo”, afirmou Luana.

A protetora acrescentou que a Prefeitura concluiu processo de licitação para contratação de profissionais para realização das esterilizações. “Então, o Executivo dispõe de vários dispositivos”, completou.

Os manifestantes citaram a possibilidade de emprego de verbas do SUS (Sistema Único de Saúde) para ações de cuidados com os animais. Entre elas, castrações. Luana afirmou que os recursos podem ser empregados, também, para trabalhos de educação e conscientização de posse responsável.

“São diversos instrumentos jurídicos, os quais Tatuí dispõe. É por isso que nós estamos aqui”, afirmou. A protetora alegou que existe uma ficha de castrações de cães e gatos criada pela Secretaria Municipal de Saúde.

Entretanto, conforme ela, é preciso haver suplementação (aumento de recurso por crédito adicional), por parte da Prefeitura, para realizar os procedimentos.

O grupo continuará a acompanhar as sessões do Legislativo até obter apoio dos parlamentares. A ideia é pedir que eles solicitem ao prefeito José Manoel Correa Coelho, Manu, a complementação do recurso para as esterilizações.

Conforme Luana, as castrações têm de ser mensais. “Precisa haver um trabalho sistemático. Isso já foi comprovado por outros municípios”, argumentou.

Para ela, quando as castrações acontecem em determinados espaços de tempo, elas servem apenas para “resolver um problema pontual”.

Com isso, Luana afirmou que o trabalho acaba não surtindo o efeito desejado (de controle da população animal), por conta do “potencial de reprodução e mobilidade” dos animais.

A estimativa da OMS (Organização Mundial da Saúde) é de que a população canina representa 20% da humana. “Em Tatuí, nós temos 30 mil animais. Obviamente, nem todos errantes”, disse a protetora.

Além de o número ser alto, Luana disse que é preciso considerar o impacto dessa população na saúde pública. A situação tem impactado, também, no trabalho dos protetores.

“É sufocante. Nós não damos conta. Não há dinheiro suficiente para fazermos todo o trabalho. Costumamos dizer que enxugamos gelo. Por isso, nós estamos vindo ostensivamente pedir apoio”, enfatizou.

Ao final da sessão – encerrada pela presidência da Câmara após tumulto (reportagem) nesta edição –, os manifestantes conversaram com vereadores. O grupo pediu apoio para que eles apresentem a demanda ao Executivo.


Publicidade