Caras e caretas

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Divulgação

Raquel Prestes terá cinco conversas com público entre os dias 28 e 29 deste mês

 

Encontros marcam a abertura da exposição “Caixas, Caras e Caretas” da professora Raquel Prestes. A autora participará de cinco conversas com o público entre o primeiro e o segundo dia da mostra. Dois deles estão previstos para esta terça-feira, 28, quando haverá o lançamento oficial da exposição.

Raquel participará de um bate-papo com os visitantes às 8h30 e 14h. Na quarta-feira, 29, ela terá mais três encontros, às 8h30, 14h e às 17h20. Eles acontecerão no Museu Histórico “Paulo Setúbal”, à praça Manoel Guedes, 98, no centro.

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A exposição é fruto de experiências realizadas pela educadora em um novo suporte. Raquel é conhecida pelo trabalho com o público infantil, tendo livros publicados. Desta vez, ela utiliza caixas como suporte. Em formatos e tamanhos variados, elas são o ponto de partida da exposição que instiga ao pensamento.

O ponto de partida do trabalho é o olhar diferenciado da autora para o objeto. Raquel disse que a ideia surgiu de uma reflexão: a possibilidade de uma caixa não ser apenas uma caixa. Tendo como base os traços infantis presentes nos trabalhos anteriores – os livros –, Raquel decidiu explorar ainda mais o desenho.

Ela escolheu trabalhar a fisionomia das pessoas, desenhando rostos que mostram expressões. Raquel tem também a intenção de, futuramente, transpor as imagens produzidas e que estampam caixas variadas para outros suportes.

Os desenhos foram produzidos durante 40 dias, de modo a respeitar as proporcionalidades das caixas. A base do trabalho é a utilização de materiais reciclados.

Rostos ilustram caixas de fósforos, de cereais, sabonetes, sabão em pó e outras mais. Para conseguir ter uma variedade, Raquel recorreu aos amigos.

“As pessoas entraram na minha onda, quando viam uma caixa guardavam para mim, porque eu já tinha decorado uma, mostrado e pedido ajuda”, descreveu.

Daí para a “coleção” que está em vias de ser exposta no museu foi “um pulo”. Assim como as caixas, as ideias de figuras para ilustrá-las se multiplicaram. “Começaram a pipocar. Por esse motivo, passei um período desenhando fisionomias”.

O resultado são caixas com rostos masculinos e femininos e características bem plurais. As figuras fruto de ensaio de desenho exibem cabelos ruivo, preto, loiro, castanho, rostos de homens e mulheres de peles “clara, escura e afrodescendente”.

Essencialmente, elas trazem expressões que passeiam pela felicidade e tristeza e se “apropriam” do artifício da tridimensionalidade (o formato das caixas). Raquel afirmou que esse é outro ponto alto do trabalho de ilustração.

A montagem das caixas envolveu uma “descaracterização das embalagens”. De modo a fazer com que as marcas, rótulos e outras informações não interferissem nos traços, Raquel optou por virar as caixas ao avesso.

Para manter “a integridade” delas, a educadora as fechou com cola e aplicou os desenhos feitos em papel canson e com uso de lápis de cor. Raquel também utilizou giz pastel para dar o tom de pele nos rostos das ilustrações.

Exposição

Ao todo, 36 peças compõem a exposição que ficará aberta até o dia 25 de maio. A mostra representa o primeiro trabalho ligado às artes plásticas que será transposto de livros.

Raquel assinou, anteriormente, ilustrações da primeira obra infantil chamada “O Menino Passou Por Aqui”. O livro traz história criada pela pedagoga atrelada a figuras feitas com as mãos.

A expressão artística presente nos trabalhos também está carregada de referências da profissão atual (Raquel é coordenadora do ensino infantil). O motivo é a proposta lúdica dos desenhos. Conforme ela, o professor que for à exposição poderá enxergar “várias possibilidades de trabalho em sala de aula”.

Entre elas, a representação da família e a conscientização ambiental, uma vez que as caixas são recicladas. Já a tridimensionalidade (por conta do formato das embalagens) possibilita aos alunos entender que esse recurso não é exclusividade de esculturas.

Mesmo parecendo simples, Raquel disse que a ideia por trás do trabalho é complexa. Ele também é instigante porque apresentará ao público que comparecer ao museu a possibilidade de pensar sobre as reações dos rostos ilustrados.

Raquel propõe esse tipo de experiência para quem for ao “Paulo Setúbal” a partir desta terça. A mostra “Caixas, Caras e Caretas” tem abertura oficial à noite, a partir das 20h30. Professores são convidados especiais da exposição.


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