Canal do MHPS no Youtube tem novo espetáculo teatral

Falsa Modéstia apresenta ‘Chiquinha Rodrigues – ReVerso’

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Espetáculo é disponibilizado pelo projeto “#MuseuPauloSetúbalEmSuaCasa” (AI Prefeitura)
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Da reportagem

O espetáculo teatral “Chiquinha Rodrigues – ReVerso – A Emérita Professora”, do Núcleo Experimental Cênico Falsa Modéstia, agora pode ser acompanho pelo canal do Museu Histórico “Paulo Setúbal” no Youtube.

A ação faz parte do projeto “#MuseuPauloSetúbalEmSuaCasa”. O vídeo do espetáculo está disponível desde a sexta-feira da semana passada, 3, e é uma parceria entre o equipamento cultural municipal e o núcleo teatral tatuiano.

A peça, que estreou em 4 de maio de 2012, marcando as comemorações do Dia Municipal da Literatura Tatuiana, foi produzida por Donny Barros, Fernanda Xavier, Leonardo Carvalho e Pedro Couto, com coordenação de produção de Rogério Vianna e execução do “Falsa Modéstia”.

Vianna, que é gestor do MHPS e diretor do Departamento Municipal de Cultura, conta que o vídeo, gravado de forma caseira, faz parte do acervo do museu e registra um pouco da trajetória de vida de Chiquinha Rodrigues.

Segundo ele, o espetáculo foi inspirado em dois livros de Chiquinha: “Confidências de Suzana” e “Pelo Caboclo do Brasil”. No elenco, estão: Alba Mariela, Beatriz Xavier de Carvalho, Dado Barros, Fernanda Xavier, Pedro Couto e Vianna.

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“O primeiro espetáculo neste formato estreou em 2011, com ‘Paulo Setúbal – ReVerso’ e gerou muita comoção na cidade. Aí, resolvemos criar um sobre Chiquinha Rodrigues, já que, desde 2009, o Donny e eu fazíamos pesquisas sobre a vida dela. Começamos a peça em 2011 e ela estreou no ano seguinte”, lembra o diretor.

Para a execução da peça, Vianna ressalta que teve a colaboração de Mônica Rodrigues Morato, neta da homenageada. “Ela (Mônica) esteve em Tatuí para nos contar vários fatos da vida da avó e ajudou muito a construir o roteiro da peça dessa importante mulher que foi Chiquinha”, aponta.

De acordo com o diretor, durante o processo de criação do espetáculo e do levantamento da vida de Chiquinha Rodrigues, os pesquisadores descobriram que a personalidade tatuiana “teve grande influência” na educação, além da área política.

“Sabíamos que ela foi prefeita de Tatuí, mas, ao levantar os dados, descobrimos uma atuação muito forte também na educação. Ela publicou diversos livros e artigos na área e criou também a Bandeira Paulista de Alfabetização, além da Sociedade Luiz Pereira Barreto, com foco no ensino das escolas rurais”, informa Vianna.

O diretor destaca que a obra foi criada para o MHPS e possibilitou outras descobertas sobre a história da personalidade. “Ela criou o Jardim da Infância, que trouxe um grupo escolar para a cidade, construiu o refeitório da Escola Normal, ampliou o cemitério municipal, abriu novas ruas e uma avenida na Coronel Firmo Vieira de Camargo, onde ninguém acreditava que seria possível, pois era um grande brejo”, aponta.

Vianna acrescentou que, como prefeita, Chiquinha Rodrigues ainda deixou em fase de acabamento o matadouro municipal e as obras de construção do Mercado Municipal e da estação rodoviária.

“Foi um grande prazer resgatar a história dela para a cidade. Já tínhamos outros historiadores que tiveram material publicado com pesquisa em torno dela, mas esta foi muito especial para o Núcleo Falsa Modéstia, pois culminou na produção do espetáculo que, agora, fica à disposição de todos, por meio do canal do museu”, completou o diretor.

Sobre Chiquinha Rodrigues

Francisca Pereira Rodrigues, filha do professor Adauto Pereira e de Maria de Barros Pereira, nasceu em Tatuí no dia 4 de maio de 1896. Foi uma das fundadoras, em 1933, da Bandeira Paulista de Alfabetização. Em 1935, fundou a Sociedade Luiz Pereira Barreto e, em 1936, elegeu-se para a Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo.

Ela foi casada com Adolfo Rodrigues e mãe de cinco filhos. Além de professora emérita, Chiquinha Rodrigues foi deputada estadual por duas vezes e prefeita de Tatuí (agosto de 1945 a dezembro de 1946).

Chiquinha também foi conferencista, historiadora e ensaísta, escrevendo, como educadora, diversos livros didáticos. Recebeu várias condecorações e o título de educadora emérita na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo.

Na literatura, destacam-se as seguintes publicações dela: “Tendências Urbanistas de Nossa Civilização” (1936), “Primeiro Congresso Brasileiro do Eufano Rural” (1937), “Pelo Caboclo do Brasil” (1937), “O Braço Estrangeiro” (1938), “Grandes Brasileiros – Biografias” (1939), “Confidências de Suzana” (1939), “Primeiro Livro da Bandeira” (1940), “Antevisão de Jesuíta” (1940), “História e Brincadeiras” (literatura Infantil, 1946) e “Trajetória Luminosa – Educação Religiosa” (1947).

Além das obras: “Segundo Livro da Bandeira – Vamos Conhecer as Riquezas do Brasil” (1947), “Meninas de Ouro” (literatura infantil, 1947), “Dança das Flores” (literatura infantil, 1947), “Primavera em Meu Quarto” (literatura infantil, 1947), “Horas Alegres” (literatura infantil, 1947), “Seu Pafúncio Corre Mundo” (literatura infantil, 1947) e “São Paulo Dentro do Brasil” (1954), entre outras.

Faleceu em São Paulo, no dia 9 de outubro de 1966, um domingo, às 23h, aos 70 anos de idade.

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