Artes plásticas e livros são levados para o J. Gonzaga

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Fabio Villa Nova
Antuerpia

 

Adotado pelo GGIntJr (Grupo Gestor Interinstitucional da Justiça Restaurativa de Tatuí) em parceria com a iniciativa privada, o Jardim Gonzaga é o primeiro bairro do município a ganhar projeto que une artes plásticas e literatura. Trata-se da “Gelateca”, implantado pela artista plástica Raquel Fayad.

O modelo já existe em São Paulo, onde é levado para vários espaços da capital por diversos artistas. Entre eles, Marcela Tiboni, bacharel em artes plásticas. “Ela é minha amiga e começou a desenvolver o projeto no bairro onde mora, na Barra Funda”, disse Raquel.

Marcela “inaugurou” várias Gelatecas perto do Sesc (Serviço Social do Comércio) Pompeia. De lá, espalhou a ideia para outros cantos da capital e do interior. A ideia central é permitir que as comunidades nas quais o projeto funciona tenham acesso a livros e obras dos mais variados escritores.

O projeto consiste em instalar uma geladeira, sem motor, em um ponto estratégico. Tanto o aparelho como as paredes nas quais eles ficam acomodados recebem “intervenção”. Sempre que entrega uma Gelateca, Marcela convida um artista para ilustrar a geladeira a “captar” os livros.

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“Em outras palavras, o projeto consiste em transformar uma geladeira num espaço no qual as comunidades podem buscar obras. As pessoas pegam os livros, levam para as casas delas, leem, devolvem ou trocam por outros”, contou Raquel.

De acordo com ela, o projeto é, basicamente, um meio de possibilitar “troca literária”. Toda vez que um aparelho é instalado, um artista é convidado. Ele contribui com a chamada intervenção artística, que é o processo de interação por meio de pinturas, gravuras e outras técnicas.

“Achei a ideia superlegal, compartilhei e curti. Quando me chamaram para participar do projeto ‘Um Novo Jardim Gonzaga’, da Justiça Restaurativa, pensei em levar a minha escrita e uni-la ao grafite”, contou Raquel.

A artista plástica havia sido convidada a pintar muros de um quarteirão de casas localizadas na rua José Pires Corrêa. Um grupo de voluntários realizou a ação no dia 4 deste mês, com a ajuda de moradores do bairro.

Raquel aproveitou a experiência para levar textos de cartas de autores que “conversassem com a questão comunitária” e com a proposta da “arte em céu aberto”.

A artista escolheu textos do poeta brasileiro Manoel de Barros, falecido em novembro de 2014. “Acho os trabalhos dele muito interessantes, porque ele tem um estilo que é, ao mesmo tempo, doce e ácido, bem parecido com a realidade do que está acontecendo com as pessoas do Jardim Gonzaga”, explicou.

Os textos “casaram” com a proposta da Gelateca, instalada no bairro com a colaboração da coordenadora do Cras (Centro de Referência de Assistência Social) Norte, Débora Cristina Franco Nunes Barros, e o consentimento de Marcela.

“Ela me disse que poderia ficar à vontade para implantar quantas quisesse. Também me explicou como eu deveria fazer a instalação. A ideia é que os modelos sejam replicados em todos os cantos do município”, reforçou Raquel.

A primeira experiência da artista plástica é a segunda realizada no Jardim Gonzaga. No bairro, o Cras mantém uma geladeira (mas sem as intervenções artísticas) com livros. O projeto, entretanto, funciona em formato distinto.

“Sei que um grafiteiro instalou uma geladeira que fica no centro. Só que, para pegar um livro, a comunidade tem de se registrar e cumprir algumas obrigações”, disse Raquel. No modelo trazido pela artista plástica, o uso dos livros é livre.

A Gelateca tem como característica o fácil acesso dos materiais de literatura. “Deixamos na rua para vermos como a comunidade lida com a história de ter de interagir com um objeto que está lá e cheio de informações”, descreveu.

O aparelho usado foi fruto de doação, bem como os livros disponibilizados à comunidade. De modo a tornar o projeto mais próximo, Raquel convidou crianças e moradores do Jardim Gonzaga para auxiliarem na pintura da geladeira.

“Nosso propósito é continuarmos requisitando a doação de livros, porque sabemos que há muita gente precisando e querendo doar livros”, destacou a artista.

Para tanto, Raquel está realizando campanha de arrecadação. As doações deverão ser organizadas por meio de rede social, em página do projeto a ser lançada.

O ideal é utilizar geladeiras que não tenham condições de uso normal, sem motores. Para instalá-las, Raquel deverá convidar artistas plásticos para as intervenções.

Uma das sugestões é que o projeto possa ser levado para praças como a Manoel Guedes (do Museu). “Há um público muito assíduo que vai até o MHPS (Museu Histórico “Paulo Setúbal”) durante à noite, e seria muito legal termos essa disponibilidade de literatura para esse pessoal”, avaliou a artista.

 

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