Aqui e no mundo

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Nas semanas recentes, estudantes, moradores e entidades locais se mobilizaram para ajudar, com doações de água, as cidades atingidas pela tragédia em Mariana.

As contribuições foram recolhidas pelo Fundo Social de Solidariedade e levadas pela Igreja Quadrangular a São Paulo, nesta quinta-feira, 10, de onde partirão para a região atingida pelo desastre ambiental.

A “onda” de solidariedade começou na Escola Estadual “José Celso de Mello”, no bairro CDHU. Segundo a professora de história Ana Maria das Dores, a ideia surgiu de alunos.

Depois de eles verem inúmeras pessoas colocando a bandeira da França como foto de perfil no “Facebook”, decidiram dar atenção à tragédia ocorrida aqui. Assim, mobilizaram-se para obter doações para a cidade de Governador Valadares, umas das atingidas pela catástrofe.

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Dia 28 de novembro, as doações se intensificaram com a montagem de uma tenda do FSS e a coleta realizada pelos alunos da escola na Praça da Matriz.

Segundo a professora Ana Maria, foram cerca de 5.000 litros doados e arrecadados por 25 alunos, com idade entre 12 e 17 anos, que participaram da mobilização.

Para ela, é uma “emoção inigualável” ver o tamanho da solidariedade. “É uma sensação indescritível. E não foi só o acordar solidário, foi a visão política que eles demonstraram ao perceber que tínhamos que dar importância à catástrofe que havia acontecido aqui, e não só nos preocuparmos com o que houve fora do país”, comentou.

Algumas entidades também participaram do movimento, como o Lions Clube. Conforme a presidente da instituição, Aparecida Maria Milen, foram doados 500 litros de água, com a participação de 188 pessoas, entre sócios do clube e os Léos, integrados por jovens com idade entre 12 e 18 anos.

“Nós sempre nos mobilizamos em situações como essas. Todos os sócios do clube são preocupados com essas causas”, afirmou Aparecida.

Ela ainda deixa uma mensagem de apoio, em nome do Clube Lions, a todos que sofreram com o acidente em Minas Gerais: “A gente deve acreditar em um bem supremo, que é Deus, e que sempre vai ter uma mão para nos ajudar, seja ela mais longe ou mais próxima”.

Segundo a primeira-dama e presidente do FSS, Ana Paula Cury Fiuza Coelho, foram doados cerca de 15 mil litros de água. Ela ainda contou que tentou contato com a Samarco, para que a empresa mandasse caminhões à cidade, mas que, “depois de muita tratativa, eles disseram que não poderiam ajudar”.

Em momento cuja supervalorização do ego e da alienação são fortemente inflados pelas redes sociais, especialmente junto aos jovens, iniciativas como essa, de solidariedade e consciência, merecem incentivo e aplauso. Muito bom!

Somente um aspecto poderia ser observado com atenção, e em quaisquer lugares do país, não apenas em Tatuí: não existe motivo para se interpretar tragédias como fenômenos em disputa. Não há a mínima necessidade, tampouco justificativa, de se comparar o que é pior, se a “nossa” tragédia ou a “deles”.

Embora ambas sejam trágicas, as mortes no Brasil e na França têm causas e, principalmente, perspectivas distintas. Aqui, “pode” ocorrer novamente, desde que, como de costume, ninguém venha a ser punido. Mas, não necessariamente se repetirá.

“Lá”, longe disso, “certamente” ocorrerá mais vezes – senão na França, em outros países de cultura “ocidental”, entre os quais, o próprio Brasil. Se os fanáticos homicidas do Estado Islâmico optaram por Paris foi porque, entre outros fatores, essa é a cidade mais simbólica do ponto de vista dos valores democráticos do ocidente – dos quais o Brasil compactua.

Por este aspecto, o atentado na França afeta, sim, a todos nós – brasileiros inclusos. Atinge a todos os que creem na pluralidade de crenças, na liberdade de expressão e opinião, nos direitos humanos, e que ao menos buscam a justiça social.

Estes princípios extrapolam fronteiras nacionais, vez que fundamentam o modelo de Estado laico e de Direito. Óbvio que a plena justiça ainda é utopia em quase todas as instâncias sociais, mas também é indiscutível a diferença entre as democracias do ocidente e o fundamentalismo do oriente.

Há muito, ainda, a se percorrer por “aqui”. No entanto, a corrida já teve início, seguindo com obstáculos, mas avançando. “Lá”, não há qualquer interesse em avanço. Pelo contrário: o que segue em frente é uma espécie de culto à barbárie.

E é justamente este modelo ocidental, incomparavelmente mais civilizado, que se busca destruir com os atentados terroristas. Portanto, que os estudantes, professores e todos nós tenhamos essa consciência.

Neste momento, não há nada de errado em colocar a bandeira da França em abertura de rede social, pois ela representa nossa fé nos princípios democráticos universais, os quais também devem ser defendidos pelos brasileiros.

Apoio irrestrito às vítimas e punição aos culpados no Brasil; e, além de justiça e tolerância, liberdade, igualdade e fraternidade em todo o mundo civilizado!


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