Apae passa por ‘ressignificação’ e foca público de moderado a severo

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Arquivo O Progresso

Apae terá novo presidente e receberá, no início de 2014, mais 15 com deficiência ‘moderada’ e ‘severa’

 

Dar outro ou novo significado a acontecimentos por mudança de “visão de mundo”. Esta é a definição de “ressignificação”, substantivo feminino que a Apae (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais) de Tatuí começou a utilizar em 2013 e que continuará a aplicar em 2014.

A entidade adotou o método da neurolinguística por conta das exigências da Secretaria Estadual de Educação e da própria reestruturação que as Apaes do país vêm passando.

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De acordo com a diretora pedagógica da entidade local, Elen Adriana Teothônio, as associações tiveram de rever seus funcionamentos, em função também do PNE (Plano Nacional de Educação).

Em balanço das ações realizadas ao longo do ano pela entidade, Elen destacou que a Apae está “mudando de público”. Para ela, 2013 representou um ano de “muitas mudanças”, com a inclusão de “trabalhos diferenciados”.

As novidades contam com participação do poder público. Uma parceria com a Prefeitura está permitindo que a entidade encaminhe os alunos com deficiência intelectual “mais leve” para a rede municipal ou estadual. Com isso, fica com o público “mais severo”.

De acordo com Elen, a transferência faz parte das diretrizes de cooperação técnica das Apaes com a Secretaria de Estado da Educação. A diretora pedagógica explicou que o público da entidade é o considerado “muito comprometido”. São pessoas que têm deficiência “de moderada para severa”.

“Nós ainda temos o público ‘mais leve’, que, aos poucos, conforme existem condições, vai retornando para o município. A nossa parceria é muito legal”, declarou Elen. Segundo ela, a transição já acontece há um ano e meio.

A troca de público, somada às diretrizes do PNE, contribuíram para que a ressignificação se acelerasse neste ano. Também em 2013, a entidade teve nova conquista: implantou o centro terapêutico, para atendimentos que acontecem em separado.

Até então, o atendimento era integrado com a Educação. Neste ano, os alunos recebem cuidados dos profissionais no contraturno, e não mais no turno escolar.

“Antes, era um serviço só, junto com a aula. Agora, ele continua sendo integrado, só que acontece em turno distinto das aulas”, explicou Elen.

A diretora informou que, em algumas exceções, os alunos passam por atendimento no turno escolar. “A grande maioria é no contraturno”, informou.

A alteração deve-se a exigências estabelecidas por órgãos estaduais e federais. Entretanto, seguem a política da entidade, de melhoria do atendimento.

Para 2014, a entidade tem novos projetos. Entre eles, a ampliação do trabalho com autistas. “Nós já estamos atendendo a esse público há um tempo. Agora, conseguimos melhorar ainda mais essa questão”, declarou a diretora.

As novidades para o ano que vem começam já em 1o de janeiro. Na ocasião, assume a presidência da entidade Antonio Rocha Lima Neto. Ele substitui Jayr Antonio Belli, que passou por problemas de saúde no decorrer de 2013.

O novo presidente tem como desafio dirigir uma entidade que assiste a 280 pessoas. A Apae tem público que se inicia aos seis anos. “Não há limite de idade”, cita a diretora pedagógica. O aluno mais velho, em 2013, completou 50 anos.

Em Tatuí, a entidade presta três serviços: educação, saúde e assistência social. Por conta disso, os atendimentos são voltados a públicos de idades específicas.

Dos 6 aos 30 anos, os assistidos frequentam atividade de alfabetização, por meio da Escola de Educação Especial “Wanderley Bocchi”; dos 30 anos em diante, são prestados serviços de assistência social.

A saúde é oferecida ao público de todas as idades, conforme as necessidades detectadas pelos profissionais da instituição. A terapia conta com fonoaudióloga, terapeuta ocupacional, psicóloga, profissionais de fisioterapia e musicoterapia.

O tratamento para o “público mais comprometido” é constante. Para os demais, é realizado até que haja recomendação para suspendê-lo. Entretanto, Elen explicou que as “altas são incomuns”.

Elas podem acontecer, mas como o público está se tornando cada vez “mais comprometido”, dificilmente uma pessoa assistida não precisará de atendimento.

Outro fator para que o atendimento do centro terapêutico esteja sempre sendo utilizado é que a entidade tem como foco a saúde e a qualidade de vida.

“Nós primamos por manter o avanço que o assistido conseguiu. Então, realmente, eles recebem um atendimento constante”, destacou a diretora.

As crianças, jovens e adultos chegam até a Apae de “vários modos”. Podem ser levadas pelos próprios pais, familiares, ou por indicação das escolas do município. Todos os indicados passam por processo de avaliação do comprometimento.

Os diagnosticados com deficiência intelectual leve são encaminhados de volta para as escolas. São atendidos pela Apae, quando há vaga, os com “mais severas”.

Na opinião de Elen, a ressignificação é positiva tanto para a entidade – que tem a possibilidade de mudar a vida de quem está mais “comprometido” – como para os demais assistidos.

Quem não tem perfil para ficar na unidade tem a chance de poder melhorar o desempenho estando inserido na sociedade.

Conforme a diretora, com a adolescência e a compreensão do trabalho da Apae, permanecer na instituição torna-se complicado para os assistidos.

“Por um lado, eles gostam; por outro, sofrem por causa de brincadeiras maldosas de coleguinhas, só porque estão numa entidade para deficientes”, argumentou.

A diretora da Apae disse, ainda, que a inclusão dos alunos com deficiência leve a moderada nas redes municipal e estadual representam desafio para os educadores.

Na instituição, eles frequentam salas com até 12 alunos. Nas demais, o número é maior que o dobro. “Acredito que, de qualquer forma, é produtivo e muito bom para a autoestima dos alunos”, avaliou Elen.

Para auxiliar o município na “recepção” do alunado, a Apae faz uma espécie de “preparação” com os alunos que passam pela transição.

“Nós conversamos, esclarecendo que eles vão para outra escola, pensando no convívio que eles terão de ter com os professores. Vamos encaminhando”, citou a diretora.

Para o ano que vem, a entidade está se preparando para receber um “público maior de pessoas comprometidas”. A média é de 15 novos alunos com deficiência de moderada a severa.

De acordo com Elen, isso exigirá mais dedicação das equipes de profissionais que são mantidos com verbas dos governos estadual e federal, emendas, convênios e com ações como telemarketing.

Para cuidar do novo público, a entidade iniciou um “ciclo de preparação” de seus profissionais. Todos os professores têm pós-graduação em educação especial e receberam capacitação para trabalhar com pessoas autistas.


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