Alunos da deseducação

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Ofensas despropositadas e acusações sem fundamento merecem resposta? Na “vida real”, digamos, a réplica costuma ser necessária – particularmente quando as calúnias podem gerar algum tipo de prejuízo, seja a pessoas, entidades, empresas ou administrações.

No chamado “mundo virtual”, entretanto, a resposta quase nunca é devida, justamente pela falta de credibilidade intrínseca a esses veículos e pela desqualificação de imensa parte dos “comunicadores” que deles fazem uso.

A partir do momento em que a ignorância deixou de ser motivo de vergonha no país, de constrangimento, a exposição de mediocridades sem pudor ganhou corpo e, de certa forma, acabou por contaminar as redes sociais, cuja manifestação mais evidente e danosa pode ser notada nos comentários de postagens não pessoais, ou seja, dos veículos de comunicação denominados “tradicionais”.

O “dano” em questão diz respeito à desinformação, que só atrapalha quem busca dados concretos e opiniões embasadas para tirar as próprias conclusões.

Longe disso, os questionamentos absurdos e acusações muitas vezes contraditórias em si mesmas só levam a mais conflitos. E pior: acabam respaldando paranoias, teorias de conspirações insanas que poderiam ser até engraçadas, não estivessem causando tantos problemas, os quais atingiram, agora, o nível de por em risco a vida das pessoas.

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Exemplo prático disto ocorre quando, por exemplo, o jornal repercute os boletins sobre o avanço do novo coronavírus em Tatuí. Obviamente, há quem os consiga interpretar – todos os leitores do impresso e os que de fato leem a versão digital, ressalte-se.

Não obstante, também há os “internautas” mais afeitos à leseira, aqueles que já se sentem plenamente capacitados a dar opiniões contundentes e definitivas sobre tudo apenas com a leitura de títulos – processo que, certamente, pelo grande esforço, já lhes causa profundo cansaço mental. Coitados…

No passado, seria, sim, motivo de vergonha já o fato de não se saber escrever utilizando-se o português – a língua pátria – com um mínimo de noção e raciocínio lógico. Além, não menos embaraço causaria levar a público impressões sem qualquer sentido ou comprovação.

Contudo, a vergonha da burrice acabou, até porque a manada virtual obtusa sente-se encorajada por esta nova realidade – tão inacreditável quanto esdrúxula e estapafúrdia – em que a ciência é preterida a favor de interesses de poder e ideológicos, mesmo em meio à pandemia mais trágica da história “moderna”.

Estão enterrando três vezes mais gente em Manaus que no mesmo período do ano passado? “Mentira! Não conheço ninguém que morreu de coronavírus em Tatuí”, respondem, juntando a imagem de um caixão vazio, mesmo que ela não tenha nada a ver com o país, tampouco com a realidade…

Mas, ok. Importa é que a mensagem responda ao que lhes interessa, não se é verdade ou mentira. Se fora compartilhada por algum político da preferência do comentarista de pau de galinheiro virtual, já basta.

Aliás, para que, também, preocupar-se com a educação, dada a postura troglodita estar em alta, ganhando até eleição e sustentando a simpatia de um terço da população?

Quanto aos números locais, repercutidos por este jornal, são eles os oficiais, divulgados pela Secretaria Municipal de Saúde. Para entendê-los, basta apenas um pouco de boa vontade (não vale preguiça!). Claro, isto implica em ler – essa coisa que tanto incomoda o cérebro do jeca…

Ao observar-se o conteúdo das reportagens (e quem chegou até aqui neste texto é um leitor de fato e, portanto, sabe muito bem disto), serão encontradas as informações em detalhes, com explicações acerca dos gráficos.

Nesse ponto, por exemplo, ficará claro que um indivíduo assinalado como tendo o falecimento suspeito por Covid-19 não é o mesmo que teve essa fatalidade comprovada pelo vírus.

Daí porque, até para se facilitar a vida dos comentaristas leitores de títulos, usa-se um negócio chamado “asterisco” diante de alguns números. Esse negocinho engraçado, que parece uma estrelinha, serve para levar a outro ponto da arte gráfica, em que estará um detalhe complementar.

Ou seja, quando se aponta terem ocorrido quatro falecimentos com um asterisco na frente e, logo diante da reprodução desse indicativo estiver a informação “suspeita”, se está a indicar que há fatalidades ainda dependendo de confirmação por exames.

Em sendo alguma descartada, caso a doença não seja identificada, o número de fatalidades, por consequência, vai baixar – neste caso, ainda conforme o mesmo exemplo, de quatro para três. Assim, havendo outro infeliz falecimento, o número novamente retornará a quatro, e assim por diante…

Por sorte, também há muita gente observadora, bem intencionada e (incrível!) educada em rede social. Tanto que, diante de algumas das manifestações de jeguice, estas boas e elevadas almas vão lá e explicam: “Fulano, não é bem assim. Trata-se de outra pessoa…”.

No entanto, enquanto a desnecessária confusão é criada, dá-lhe ofensas e acusações… Nem é preciso constar que figuras dessa natureza são, por essência, covardes, jamais se dando a tanta coragem fora do “Face”. Mas, enfim… que fique o registro.

Importa mais acentuar o fato de que, muito além do compartilhamento de fake news, é imprescindível manter-se atento quanto a um filtro crítico em meio às redes sociais, principalmente agora, quando a ignorância está abreviando vidas graças à desinformação.

Não se trata, portanto, de puxar as orelhas grandonas de muitos fastígios do “Face”, mas tão somente de reforçar a importância de que informação real, educação e consequente cultura são virtudes incomensuráveis, essenciais para a manutenção de uma sociedade minimamente justa e desenvolvida.

Ainda, a despeito de tanta ladainha, não se guarda aqui qualquer intenção de ofensa. Se bem que, como bem disse um dos eminentes filósofos do “Face” a se manifestar recentemente, “o texto é muito longo, ninguém vai ler”…

Ou seja, encerremos na certeza de que, leitor, você que chegou até aqui entendeu muito bem qual a maior preocupação e, assim, sabe de sua responsabilidade como cidadão realmente de bem em meio a uma democracia.

Quanto aos demais, os orgulhosos discípulos da deseducação, eles não se sentirão agredidos mesmo, até porque já devem ter se cansado no título.

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