Aluno de escola pública representa o município em programa dos EUA

Arhur Pereira Lima dos Reis é um dos 50 jovens brasileiros selecionados

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Arthur Pereira Lima dos Reis em apresentação na Yale Center Beijing (foto: Arquivo pessoal)
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Da reportagem

O estudante Arthur Pereira Lima dos Reis, 16, embarcou para os Estados Unidos nesta sexta-feira, 10, para participar de intercâmbio de quase 20 dias pelo programa Jovens Embaixadores 2020, promovido pela embaixada norte-americana.

O jovem, que concluiu o ensino médio em 2019 pela Etec (Escola Técnica) “Sales Gomes”, representará o município e a região ao lado de 49 estudantes, selecionados em todo o país para acompanhar o intercâmbio.

A viagem dos Jovens Embaixadores para os EUA acontece de 10 a 29 de janeiro. Durante essas três semanas, eles passarão pela capital dos EUA, Washington, e ainda viajarão para outras quatro cidades, onde serão hospedados por famílias voluntárias.

Além disso, os jovens participarão de atividades como oficinas sobre liderança e empreendedorismo, projetos de impacto social, reuniões com representantes do governo dos EUA, frequentarão escolas da região e farão apresentações sobre o Brasil.

Reis saiu da cidade já na segunda-feira, 6, com destino a Brasília (DF), onde passou os últimos cinco dias antes de embarcar para Washington, cidade em que irá morar com uma família local para vivenciar a cultura da região.

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Conforme divulgado pela embaixada norte-americana, “o programa é uma iniciativa que busca proporcionar aos estudantes do ensino médio, com excelente desempenho escolar, fluência em inglês e engajamento em iniciativas de impacto social, experiência de viagem e estudo de língua estrangeira, além de um mergulho nas rotinas de diferentes estados americanos”.

Criado em 2002, o programa tem como alvo alunos brasileiros que são exemplos nas comunidades em que atuam, em termos de liderança, atitude positiva, trabalho voluntário, excelência acadêmica e conhecimento da língua inglesa.

A O Progresso, antes da viagem, o estudante contou que, mesmo sabendo da concorrência, foi incentivado pela mãe a participar da seleção.

“Ela viu um anúncio do programa e falou para eu me inscrever. Tentei fazer a inscrição uma vez, mas ainda não podia participar por conta da idade. Depois, completei 16 anos, consegui me inscrever e passei”, conta o estudante.

Segundo Reis, o processo seletivo começa com um formulário de inscrição básico para selecionar os alunos que atendem aos requisitos do programa. Passando por isso, o aluno vai para as próximas etapas, que envolvem prova escrita e oral.

“Eles perguntam sobre a vida dos alunos, os trabalhos voluntários que fazem e também, na sequência, visitam a casa dos participantes, para ver o ambiente e a relação do estudante com sua família. Se aprovado nessa etapa, o aluno é um semifinalista”, detalhou.

O programa é realizado em todos os anos. Na edição de 2020, cujo processo de seleção começou no ano passado, foram selecionados mais de 150 semifinalistas, dos quais a embaixada norte-americana escolheu apenas 50 jovens para serem embaixadores.

Reis afirmou não ter sido fácil passar pelo processo de seleção. Contudo, destacou que a determinação dele e os dias dedicados aos estudos foram fundamentais para ser selecionado pelo programa.

O aluno ainda contou ter feito apenas algumas aulas particulares de inglês, quando era mais novo. Para estar fluente na língua – um dos requisitos na seleção dos participantes -, como não tinha condições de pagar curso, estudou pela internet da escola e em vídeos, músicas e filmes.

“Esta oportunidade representa muito para mim. Por ser uma pessoa de baixa renda e vir de escola pública, a gente não tem muita oportunidade para estudar. Esta iniciativa da embaixada é muito boa”, enfatizou o aluno.

Esta é a segunda vez que o aluno é selecionado para programa de intercambio. Em julho do ano passado, Reis esteve na China, participando do programa “Ásia no Século XXI”, organizado pela universidade Yale Center Beijing, a unidade de Yale, em Pequim.

O programa é pago e voltado a estudantes do ensino médio de todo o mundo. Contudo, Reis conseguiu ser um dos poucos a ganhar bolsa de estudos. Ele ressalta que apenas 24% das pessoas que se inscrevem conseguem ser aprovadas, e dessas, cerca de 3% conseguem bolsa.

“O programa acontece no EUA, na África e na China. Eu me inscrevi para o da China, porque achei a cultura mais legal, e também me inscrevi para a bolsa, porque o programa é totalmente pago, quase R$ 30 mil. Como consegui a bolsa, pedi ajuda para ir fazer o passaporte e para ir até o aeroporto”, acrescentou.

Durante o programa, foram abordados assuntos como economia, política e cultura da Ásia. Além disso, o estudante desenvolveu um projeto para apresentação abordando o tema “Transfobia nas Filipinas”.

“Meu grupo decidiu fazer um trabalho sobre direitos humanos e desigualdade e, a partir de então, chegamos à ideia de falar sobre a transfobia. Na Ásia, é muito difícil encontrar um país aberto então, buscamos falar sobre o assunto lá”, descreveu o aluno.

Falando em planos para o futuro, Reis revelou que o interesse pelas relações entre países pode acabar sendo sua carreira profissional. Isso porque o jovem não pretende parar de estudar e quer ser reconhecido como diplomata.

“Ainda não sei qual carreira realmente quero seguir, mas uma das possibilidades é investir estudos para me tornar um diplomata e seguir a carreira de embaixador”, concluiu.

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