Agricultores do municí­pio começam a se preparar para plantio do verão

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O verão se aproxima e, com ele, a temporada de chuvas traz benefícios para algumas áreas da agropecuária. Os agricultores aproveitam a época para plantar culturas como soja, milho e feijão, de acordo com o chefe da Casa da Agricultura de Tatuí, Wisner Castilho. A previsão é de que sejam colhidas 270 mil sacas de milho e 16 mil sacas de feijão.

A valorização do dólar frente ao real deixou mais rentável o plantio da soja, que terá uma área de cultivo maior em relação ao ano passado – cerca de 2.000 hectares. Os agricultores estão migrando do feijão para a outra cultura, que também tomou espaço do milho em Tatuí.

“A produção de soja e milho está voltada à exportação para países europeus e asiáticos, enquanto que o feijão é consumido no mercado interno. A principal aplicação desses dois grãos é a alimentação animal”, afirmou.

Apesar de ser boa para o plantio de grãos, a temporada de chuvas pode atrapalhar outras plantações, como a olericultura, área que engloba as hortaliças e alguns tipos de frutas.

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Com a umidade e a temperatura alta, o aparecimento de pragas e doenças é favorecido, o que pode gerar perdas, principalmente, nas hortaliças folhosas, como a alface.

Ao mesmo tempo em que são necessárias mais aplicações de defensivos para combater as pragas, a umidade deixa o produto com qualidade inferior. “Daí, aumentam as perdas e o preço dos produtos sobe para o consumidor, além de ter uma perda de qualidade”, explicou Castilho.

O avanço da internet ajudou no planejamento da lavoura. Com a previsão do tempo mais apurada, os agricultores sabem quando vão plantar e quando podem realizar a colheita, além de terem controle maior na aplicação de defensivos e fertilizantes.

Por outro lado, as mudanças climáticas atrapalham. De acordo com Castilho, no passado, o início do plantio dos grãos era em setembro; agora, com a temporada de chuvas começando mais tarde, os produtores rurais estão atrasando o início dos trabalhos.

“Essas chuvas prejudicam os tratos culturais, pois a planta fica mais vulnerável. O agravante é que o agricultor não consegue aplicar os defensivos, porque o solo está muito úmido e o trator não consegue entrar”, afirmou.

A expansão do crédito, fomentado pelos governos federal e estadual, melhorou o ambiente de negócios para o pequeno produtor nos últimos dez anos, segundo o chefe da Casa da Agricultura.

O Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar), por exemplo, financia a compra de máquinas, equipamentos ou o custeio da safra. Propriedades que estavam abandonadas começaram a produzir, principalmente hortifrutigranjeiro, que demanda pouco espaço.

“As políticas públicas desenvolvidas fizeram com que aumentasse a área de produção. Outros produtores, que não trabalhavam com olericultura, entraram para o ramo. Isso vem acontecendo de dez anos para cá”, apontou.

Os incentivos e o ambiente de negócios propícios culminaram com o aparecimento de cooperativas, como a Cooperativa dos Produtores Rurais de Tatuí.

“A cooperativa surgiu de uma ideia de dentro da Casa da Agricultura e do Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural, que era a de fortalecer a associação dos produtores. Dessa associação, acabou vindo a cooperativa”.

A profissionalização no meio rural ainda engatinha. Apesar de ter diversas faculdades com cursos voltados à agropecuária, são poucos os agricultores formados em cursos superiores. A falta de qualificação deixa os produtores à mercê da assistência técnica oferecida pelo comércio de defensivos e fertilizantes.

“A assistência técnica sempre falta. Normalmente, quem vende o insumo tem um agrônomo responsável, que possa dar uma orientação. Daí, a gente cai naquele problema de excesso de utilização de defensivos”, explicou.

Outro forte da agricultura tatuiana é a avicultura de postura ou de corte. A proximidade com a área produtora de grãos e com os frigoríficos reduz custos para os produtores de aves.

“Quando uma cidade tem dois elos da cadeia produtiva, como a produção de grãos e o frigorífico, começa a aparecer a produção de aves. As pequenas distâncias entre os elos deixa os custos consideravelmente menores”, explicou.

A instalação de uma usina de processamento de cana-de-açúcar na região fez surgir, ainda na década de 1990, as lavouras da cultura, que é a predominante em Tatuí. A produção de cana está estimada em 736 mil toneladas em 2015.

Outro setor que não chama atenção, mas está presente na cidade, é o cultivo de grama ornamental. A Casa da Agricultura calcula que cerca de 4,5 milhões de metros quadrados – cerca de 450 hectares – são destinados à cultura.

“A grama é um mercado favorecido pela topografia e a abundância de água, além da pouca distância até os grandes centros consumidores. O solo de excelente qualidade é outro fator preponderante”.

A crise econômica afetou a agricultura, segundo Castilho. Com o desemprego crescente na área urbana, o número de pessoas procurando emprego na zona rural aumentou. A desqualificação é um dos empecilhos dos desempregados na busca de um emprego na agropecuária.

“O desempregado urbano tenta se recolocar na zona rural, pois, lá, no mínimo, ele tem casa, luz e água de graça. E, ainda, pode plantar alguma coisa para a subsistência. Só que a desqualificação do homem urbano para o trabalho rural é muito grande”, enfatizou.

Para 2016, além das movimentações da economia, os produtores rurais deverão ficar atentos ao prazo do CAR (Cadastro Ambiental Rural).

O cadastramento é obrigatório para todas as propriedades rurais e vai permitir ao governo planejar o replantio da mata original e prevenir o desmatamento. Em Tatuí, 50% das propriedades rurais já estão em dia com o sistema. O prazo vence em maio.

“Os produtores têm que ficar atentos, pois o CAR tem prazos e, depois disso, tem a multa diária. O prejuízo maior é ficar sem financiamento, pois o cadastro ficará bloqueado”, afirmou.

Segundo Castilho, a adesão é benéfica, pois vai prevenir os prejuízos futuros com as mudanças climáticas e garantirá a produção de água, com a proteção dos mananciais.

“Os produtores sabem que a preservação ambiental é interessante. Eles sentiram a mudança no meio ambiente e o prejuízo que o descontrole climático tem trazido”, observou Castilho.


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