A reinauguração do Cine Santa Helena (parte 2)

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Estive em Cesário Lange, neste dia 25, no interior do Cine São José, em uma conversa muito animada com dois irmãos cesariolangenses que, a partir de 1978, implantaram o cinema naquela cidade, onde permaneceu até 1981, voltando, recentemente, com o nome de Cine São José.

São eles: Luiz Gonzaga Correia Sampaio e o Miguel Arcanjo Correia. Eles que, a partir de junho de 2002, reformaram, remodelaram e devolveram a Tatuí duas novas salas para projeções de filmes no Cine Santa Helena.

Eles me contaram, de forma muito pitoresca, que ficaram conhecidos como aqueles que fecharam a igreja e abriram o cinema. O filme de estreia foi “Homens de Preto”.

Na verdade, é que, após quase dez anos sem cinema em Tatuí, os irmãos Luiz e Miguel tinham em mente reabrir o Cine Santa Helena. Conversaram com seu Milton Stape e partiram para essa nova empreitada. E tinham em mente até mudar o nome. Porém, durante a compra de materiais para reforma total do prédio, os comerciantes e pedreiros questionavam quando o assunto era a reabertura do cinema e perguntavam: “Ah, vai reabrir o Santa Helena? Ou: “Que bom, o Santa Helena vai reabrir”. Assim, sentiram que o nome já era patrimônio cultural e não precisavam mudá-lo.

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Inclusive, o Miguel me contou que, durante a reforma, ocorreu um fato pitoresco. Ele estava dando uns retoques finais na casa das máquinas, quando um casal de idosos entrou no recinto. O senhor sentou-se na poltrona e convidou a senhorinha para sentar-se ao seu lado. E, num gesto de muito amor, abraçou-a, colocando a mão por cima do seu ombro. E ambos ficaram olhando para a tela, que nada passava.

E o Miguel disse que teve a impressão de que eles se conheceram, ou namoraram, naquele mesmo lugar das poltronas.

Em conversa com os irmãos, descobri que, hoje, não se usa mais filme de rolo, naquela película que sempre arrebentava e deixava o filme parado e as luzes do cinema acesas. Estamos na era digital. Tudo é em HD (alta definição), e os lançamentos são simultâneos em todo o mundo via satélite.

Há 10 ou 15 anos, as películas eram muito caras e lentas. E as grandes redes de cinema, visando maior rentabilidade, davam preferência para os maiores cinemas. Por isso, os filmes demoravam de seis a oito meses a virem para o interior.

A versatilidade da digitalização é tão grande que nós podemos legendar o filme em vários idiomas, como alemão, japonês, espanhol. E o custo é muito mais barato.

Temos, hoje, no Brasil, em torno de 3.000 salas de projeção. E o público, cada vez mais exigente, quer o lançamento imediato, pois, passados alguns dias, os piratas entram pela internet e baixam o filme.

O que ocorre é que as empresas, para dificultar a pirataria, colocam sem legenda. E isso é muito rápido. Também com a melhora e o surgimento do 3D (terceira dimensão), há um maior avanço na qualidade da projeção e das cores.

Em Tatuí, o prédio continua sendo da família Stape, e os gêneros são os mais variados. Os filmes da Disney são os carros-chefes e o filme “Titanic” bateu todos os recordes, ficando em cartaz mais de seis meses.

O cinema é uma paixão e, hoje, em Tatuí e Cesário Lange, os equipamentos para projeção são os melhores e mais atuais do mundo. Ou seja, se você for a um shopping no Cinemark, ou em grandes salas da capital, saiba que o projetor é o mesmo que está aqui.

Com a criação das grandes TVs, “home-theaters” e tudo o mais, o mundo avançou em termos de imagem, mas nada se compara a você entrar no cinema com aquela grande tela em frente a um pacote de pipoca e a emoção fluindo. Com a vantagem de não ter de sair de casa ou de sua cidade.

Bem, para finalizar, gostaria muito de agradecer à contribuição de vocês, a presença e os investimentos feitos em Tatuí e Cesário Lange. E, para suas considerações finais, Miguel e Luiz digam alguma coisa:

“O cinema é cultura, e, quando você é picado pelo bichinho, você não para. Para nós dois, é um grande prazer poder levar divertimento e cultura para todos e, principalmente, para as famílias.

Sentimos que as pessoas, quando saem da sala de projeção, saem mais felizes. E isso nos faz mais felizes também. E venham para o cinema”, concluíram.

Forte abraço a todos que participaram da história do cinema em Tatuí e Cesário Lange, e até a próxima oportunidade.


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