A gripe 2018

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É sabido que, na chegada das estações mais frias do ano, como outono e inverno, que vai de março/abril até agosto/setembro, o vírus Influenza, causador das gripes, passa a circular com mais intensidade no Brasil.

Além da famosa cepa H1N1 do vírus, chamada de influenza tipo A ou gripe suína, alguns Estados brasileiros já registraram os primeiros casos de infecção pelo H3N2, um tipo do vírus que, só nos Estados Unidos, infectou mais de 47 mil pessoas e causou diversas mortes, especialmente de crianças e idosos. Há notícias que divulgam que, dos 50 Estados americanos, somente no Havaí não houve surtos.

Os EUA viveram o final do ano com o inverno mais rigoroso dos últimos 13 anos.    Dados da Secretaria de Vigilância em Saúde, do Ministério da Saúde, mostram que 13 Estados do país registraram casos de síndrome respiratória aguda grave (Sars, na sigla em inglês), que foi causada pelo H3N2, resultando em dez mortes este ano.

Circulação do vírus
A circulação desse tipo de Influenza no Brasil não é novidade. O que acontece é uma sazonalidade. Por isso, em todo mês de setembro um grupo se reúne na Organização Mundial de Saúde (OMS) para entender qual é o vírus que está circulando, principalmente no hemisfério Norte, e isso reflete um pouco no Brasil.

A imunização contra esse vírus faz parte da vacina contra a gripe. A vacina 2018 (trivalente) já vem contemplada com uma composição que abrange esses três tipos de vírus que são específicos para a imunização: a vacina já tem o H1N1 (vírus da gripe suína), o H3N2 (atual vírus que circulou mais nos EUA e hemisfério Norte) e tem também o vírus Influenza B.

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São vírus inativados, que não provocam a doença, quando aplicada a vacina, mas sim, desenvolvem a imunidade contra esses vírus, cerca de uma semana logo após a aplicação. Não é possível afirmar que a incidência no H3N2 no Brasil será igual à que ocorreu nos Estados Unidos, porém, como estamos vivendo num mundo bastante globalizado, com muitos turistas viajando, a chance de termos o mesmo vírus circulando por aqui é muito maior.

A vigilância epidemiológica dos Estados e municípios, e também o Ministério da Saúde, usam como referência o que ocorreu no hemisfério Norte. Durante 2014 e 2015, houve incidência do H1N1, e isso se manteve durante o ano de 2017. Agora, em 2018, também temos o H3N2, que está circulando nesse momento no Estado de São Paulo, Goiás e outras partes do Brasil.

Segundo o Centro de Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Estado da Saúde do Estado de São Paulo, a SG (síndrome gripal) em 2017, até a SE (Semana Epidemiológica) 20, nas unidades sentinela, a proporção de atendimentos de pacientes com quadro de síndrome gripal (SG) foi de 9,8%. Além disso, foram coletadas 2.183 amostras, sendo que 1.677 resultados foram registrados no Sivep Gripe, até o momento. Destes, 501 (29,8%) foram positivos para vírus respiratórios, sendo 340 (67,8%) positivas para o vírus influenza, com predomínio do vírus influenza H3N2 em 284 (83,5%), portanto, a maioria dos casos. Vejam que o H3N2 vem circulando desde 2017, tendo uma tendência maior este ano pelos surtos ocorridos no hemisfério Norte.

Prevenção
As medidas de proteção contra o H3N2 são as mesmas que os outros tipos do vírus Influenza. É seguir a etiqueta respiratória: colocar sempre o braço na frente da boca para tossir e/ou espirrar; fazer a lavagem frequente das mãos; fazer gargarejos com água morna e sal, usar soro fisiológico para limpar as narinas com frequência e evitar locais fechados, aglomerados e principalmente a população de risco; e, aos primeiros sinais de sintomas, procurar um médico.

Grupo prioritário
Precisam receber a vacina crianças com idade entre seis meses e cinco anos, trabalhadores da área de saúde pública e privada, gestantes, mulheres no pós-parto de até 45 dias, indígenas, pessoas com doenças crônicas, idosos com mais de 60 anos, presos, trabalhadores do sistema prisional e professores.

A saúde pública prioriza essas faixas etárias, porém, a nosso ver, todas as pessoas acima de seis meses podem e devem tomar a vacina trivalente contra a gripe 2018. Todos que não forem contemplados pelo SUS podem receber a vacina nas clínicas particulares. A campanha deve ser iniciada na segunda quinzena de abril de 2018.

* Pediatra com título de especialista em pediatria pela Associação Médica Brasileira (AMB) e Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) desde1981. Membro da Sbim (Sociedade Brasileira de Imunizações)

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