7ª Feira do Doce é ‘a melhor da história’

    Evento teve aumento de 35,1% nas vendas, movimentando cerca de R$ 840 mil

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    Segundo o secretário Cassiano Sinisgalli 7ª edição do evento valorizou os doces, a música e o turismo tatuiano (foto: Eduardo Domingues)
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    A sétima edição da Feira do Doce movimentou cerca de R$ 840 mil neste ano. O resultado, apontado em levantamento feito pelos doceiros, representou aumento de 35,1% no total das vendas em comparação ao ano passado, quando os expositores contabilizaram arrecadação de cerca de R$ 575 mil.

    O evento, considerado o maior do segmento doceiro do interior paulista, aconteceu entre os dias 6 e 9, na Praça da Matriz, realizada pela Aprodoce (Associação dos Produtores de Doce de Tatuí), por meio da prefeitura e da Secretaria de Esporte, Cultura, Turismo, Lazer e Juventude, com apoio de empresas e instituições parceiras.

    O balanço final foi divulgado pelo Departamento Municipal de Turismo na quarta-feira, 17. A pasta finalizou os gráficos oficiais após reunião de avaliação e entrega dos relatórios de vendas dos expositores, dois dias antes.

    O levantamento mostra que, além do crescimento na arrecadação, com o consequente aumento nas unidades de doces vendidos, o evento ainda contabilizou público recorde.

    Conforme o relatório, durante a feira – que, pela segunda vez, teve quatro dias de duração –, os expositores somaram a venda de 348.092 unidades, aumento de 45,3% em relação ao ano passado, quando foram vendidos 190.396 doces.

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    Estiveram à disposição mais de 250 tipos de doces, divididos em alas temáticas: finos, tradicionais e artesanais, de festa e sobremesas, churros, crepes e pastéis; produtos de milho, bolos e tortas, chocolates, bebidas e brigadeiros “gourmet”.

    Quanto ao público, o crescimento foi de 6,2%. Em 2018, cerca de 90 mil pessoas passaram pela praça e, neste ano, a feira atraiu em torno de 96 mil visitantes, reunindo não apenas os consumidores habituais, mas, principalmente, novos visitantes.

    De acordo com o relatório, 41,7 do público não residem em Tatuí. Desta forma, cerca de 40 mil pessoas que estiveram na Feira do Doce vieram de 44 cidades, sendo a grande maioria de Sorocaba e São Paulo.

    Além do registro de moradores de dezenas de municípios paulistas, o relatório indicou a presença de visitantes de Campo Grande (MS), Curitiba e Maringá (PR), Rio de Janeiro (RJ), Rio Verde (GO), Salvador (BA) e Manaus (AM).

    A gastronomia doceira esteve presente em 52 estandes, somando 50 produtores, uma barraca do Fusstat (Fundo Social de Solidariedade) e uma tenda que ofereceu oficinas de “cupcakes” para as crianças. Os expositores foram selecionados por meio de edital de chamamento público, com a exigência de inscrição como MEI (microempreendedor individual).

    Em pesquisa feita com os visitantes, 74,4% disseram que já conheciam o evento, sendo que 64,7% responderam que a feira é ótima, 23,1% afirmaram ser boa, 9%, regular e 3,2%, ruim.

    Ao serem perguntados sobre o motivo de estarem em Tatuí, 51,3% disseram ser moradores da cidade e 21,8% afirmaram ter vindo para visitar a Feira do Doce. Das pessoas que responderam à pesquisa, 90,4% disseram que voltariam a Tatuí, enquanto 9,6% informaram que não retornariam.

    Conforme o secretário municipal do Esporte, Cultura, Turismo, Lazer e Juventude, Cassiano Sinisgalli, a sétima edição da Feira do Doce foi “a melhor da história” e, com isso, informou ponderar sobre a capacidade de a Praça da Matriz seguir sediando o evento.

    O responsável pela pasta acredita que a praça central está ficando pequena diante da proporção que a Feira do Doce atingiu. “Creio que mais um ano a Praça da Matriz ainda consiga atender à demanda”, declarou.

    Para que a feira continue em ascensão, Sinisgalli afirma que o evento deve oferecer mais atrações e atrair mais público. Ele expôs a intenção de criar um espaço kids e destacou o sucesso do trenzinho turístico.

    Mais de 2.000 pessoas passearam a bordo do veículo e puderam visitar diversos pontos turísticos do centro da cidade, como o Mercado Municipal “Nilzo Vanni”, Conservatório, praças, casarões, Fábrica São Martinho e Museu Histórico “Paulo Setúbal”.

    O relatório indicou a presença de visitantes de todas as faixas etárias. Segundo o secretário, o público da Feira do Doce é “familiar” e deseja um espaço que comporte mais mesas e cadeiras e permita melhor acolhimento às famílias.

    Para isso, Sinisgalli revela a pretensão de construção de um centro de eventos em Tatuí. O secretário ressalta que o local daria mais conforto aos visitantes e maior comodidade aos expositores, podendo, inclusive, aumentar o espaço dos estandes e para as apresentações musicais.

    “A partir do momento que você tem uma estrutura física, os custos do evento caem. Tatuí está em um momento e movimento tão positivos, que devemos sonhar com um centro de eventos”, acrescentou.

    Conforme ele, “a cidade possui a Feira do Doce como carro-chefe e um calendário com atividades e ações suficientes para que o espaço não se torne um elefante branco”.

    “Um local para receber todos os estilos de eventos. Além da feira, nós temos a Festa Junina de São João do Bemfica, o Carnaval, as atividades de Natal e o aniversário da cidade”, observou.

    “Poderíamos fazer ou locar o espaço para shows e, quem sabe, até realizar um rodeio”, completou.

    Contudo, Sinisgalli frisa que a pretensão não seria a curto prazo.

    Segundo ele, é preciso criar um projeto e, posteriormente, tentar uma verba para viabilizá-lo, por meio do Ministério do Turismo ou do FID (Fundo Estadual de Defesa dos Interesses Difusos).

    “Não seria algo para o ano que vem, mas a minha expectativa é de, a cada edição, a Feira do Doce cresça ainda mais, e um centro de eventos é essencial para isso”, reforçou.

    “Estamos somente na sétima edição do evento, e ele cresceu muito rapidamente. Imaginem qual a proporção que a feira pode atingir até a 10ª ou 15ª edição”, observou o secretário.

    Ele assegura que a Feira do Doce já está consolidada e, ao atrair quase 100 mil pessoas ao município, “é preciso pensar não apenas no evento em si, mas na logística, no trânsito, no estacionamento de veículos e na segurança aos visitantes”.

    Sinisgalli declara querer deixar um legado à cidade. Conforme ele, quando a atual gestão assumiu, houve dúvidas se continuaria promovendo o evento e críticas quando mudaram o nome de Festa do Doce para Feira do Doce.

    “Quando mudamos o nome, teve quem dissesse que era uma jogada política, mas era apenas uma estratégia para profissionalizar o evento”, afirmou.

    Ele destaca as alterações, como o edital com regras para seleção dos expositores, como uma “importante medida para elevar a qualidade dos produtos oferecidos no evento”.

    “Antes, a pessoa falava que fazia doces e já podia participar. Hoje, são empreendedores altamente capacitados, que realmente vivem da venda de doces com a intenção de crescer”, justificou.

    Todos os atuais expositores possuem CNPJ (Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica) e receberam apoio do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), com reuniões de qualificações durante a preparação ao evento.

    Com o crescimento explícito da Feira do Doce, a cada ano, os expositores precisaram fazer contratações temporárias para produzir e vender os produtos. O relatório indica que a feira deste ano gerou 495 empregos, sendo 290 diretos e 205 indiretos.

    Sinisgalli expôs que, em conversas com os produtores, a maioria afirmou que vendeu, no mínimo, 40% a mais que no ano passado. O secretário utilizou, como o exemplo, o estande Pinga dos Ramos, que, segundo ele, atingiu as vendas dos quatro dias da feira anterior ainda no primeiro dia do evento.

    De acordo com ele, além de manter a qualidade dos doces comercializados, os produtores estão tendo uma visão empreendedora, com cuidados maiores quanto ao visual dos produtos e o investimento em divulgação de forma antecipada.

    O secretário reafirmou que a intenção não é ser um evento para faturamento somente durante os quatro dias, mas a de conquistar novos clientes, para atendê-los no decorrer do ano. Segundo o relatório, o objetivo do evento foi atingido por 98% dos produtores.

    Apesar da falta de doces em dezenas de estandes, antes mesmo do encerramento da feira, Sinisgalli reconhece a dedicação dos produtores e afirma que eles foram surpreendidos com o volume de vendas devido a grande presença de público.

    Pelo segundo ano consecutivo, a feira foi realizada em quatro dias, e a produtora Camila Brito, responsável pela Cá… Brito Chocolates e Doces, torce para que isso se repita na edição seguinte.

    O ano de 2020 é bissexto e, desta forma, o feriado estadual da Revolução Constitucionalista, no dia 9 de julho, cairá em uma quinta-feira, permitindo que a Feira do Doce prossiga até domingo, dia 13.

    O relatório do evento indica que 88,2% dos expositores têm o mesmo desejo. O documento mostra que 7,8% querem o retorno para três dias. Um dos produtores torce pela realização em cinco dias, enquanto outro afirmou que continuaria vendendo, caso o evento fosse estendido até o final de semana.

    Conforme Sinisgalli, o planejamento da comissão organizadora é manter a festa em quatro dias no ano que vem. Em breve, este pedido deve ser apresentado à Aprodoce e à prefeitura.

    A respeito do público recorde de 96 mil, Sinisgalli revela que a secretaria contabilizou, no mínimo, 2.000 pessoas por hora, sem contar os horários de pico. “É um chute baixo. Houve momentos em que a Praça da Matriz recebeu muito mais que 2.000 pessoas”, salientou.

    O Festival Capital da Música “Maestro Antônio Carlos Neves Campos” também foi exaltado pelo secretário e por 100% dos expositores, segundo o relatório. Sinisgalli disse que fora montada uma programação para atender a todas as vertentes da música popular brasileira.

    “Acredito que tenha agradado bastante a todos que prestigiaram o festival. A cada ano, o festival se transforma em um verdadeiro espetáculo”, garantiu.

    A avaliação feita pelos produtores mostra que 80,4% acharam ótima a programação musical, enquanto 15,7% opinaram ter sido boa.

    No total, 24 formatos de grupos musicais dos mais variados gêneros integraram o evento. Com exceção da Banda Sinfônica de Laranjal Paulista, todas as outras apresentações foram feitas por grupos e artistas tatuianos.

    Conforme o secretário, a Feira do Doce, por si só, consegue “se vender”. Entretanto, as atrações musicais fazem parte do evento como um “rico complemento”.

    “Estamos valorizando tanto os produtores de doces como os músicos tatuianos. O público vem, consome um doce gostoso e ouve uma boa música”, garantiu.

    A decoração com guarda-chuvas coloridos e a mudança do letreiro na entrada principal da feira também são destacados pelo secretário. No ano passado, puderam tirar fotos ao lado da frase: “Eu amo doce”.

    Neste ano, para promover o município como destino turístico, um “cupcake” substituiu o coração para exibir: “Eu amo Tatuí”. Segundo Sinisgalli, além da valorização dos doces e da música, o turismo tatuiano se fortaleceu com o evento.

    “Muitos visitantes utilizaram diversos equipamentos do município. Eles vieram à Feira do Doce, mas comeram em um restaurante ou em uma lanchonete, dormiram em hotéis e utilizaram transportes privados”, ressaltou.

    “Tatuí é uma realidade como MIT (município de interesse turístico) e tornar-se estância turística está deixando de ser um sonho distante”, certificou.

    Conforme ele, a união entre a prefeitura, pela Secretaria Municipal de Esporte, Cultura, Turismo, Lazer e Juventude, o Comtur (Conselho Municipal de Turismo) e a iniciativa privada vai fortalecer o turismo.

    Entretanto, Sinisgalli reitera ainda ser preciso que a população “enxergue” cada vez mais o potencial turístico da cidade. Ele acrescenta que “os empresários e comerciantes devem se preparar e acreditar nas próximas ações que a prefeitura fará para movimentar o turismo de Tatuí”.

    “A prefeitura tem de estruturar a cidade; já o turismo necessita do apoio e de uma atenção da iniciativa privada para continuar crescendo”, finalizou o secretário.

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