15 mil pegam formulário para o MCMV

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David Bonis

Ana Laura segura o formulário de inscrição; documento deverá ser entregue a partir do dia 8 de dezembro

 

A terça-feira, 25, marcou o primeiro dia de distribuição das fichas de inscrição para a participação no programa Minha Casa, Minha Vida. Em Tatuí, o projeto habitacional de interesse social prevê, inicialmente, a construção de 652 moradias populares no loteamento Parque das Flores, no bairro Tanquinho.

De acordo com balanço enviado à reportagem de O Progresso pelo Departamento de Comunicação Estratégica, somente ontem houve distribuição de 15 mil formulários.

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Para ser contemplado o munícipe deve, primeiramente, retirar a ficha de inscrição em um dos quatro pontos de distribuição da cidade. Esse procedimento ocorrerá até o dia 5 de dezembro na sede do Fundo Social de Solidariedade (praça Martinho Guedes, 12) e em três unidades do Cras (Centro de Referência de Assistência Social). Elas funcionam no Jardim Santa Rita de Cássia (rua Arthur Eugênio dos Santos, 115), na vila Dr. Laurindo (rua 7 de Setembro, 480) e no Jardim Gonzaga (rua João Saulo dos Reis, 90).

Os formulários também podem ser impressos por meio do site da Prefeitura (www.tatui.sp.gov.br/casa/). Conforme o setor de comunicação, pela internet foram feitos 450 “downloads” de fichas de inscrições apenas nas primeiras sete horas em que o sistema esteve disponível no site oficial do município.

Esse primeiro procedimento serve apenas para adquirir o formulário. Com o documento em mãos e devidamente preenchido, ele deverá ser entregue apenas a partir do dia 8 de dezembro – até o dia 20 do mesmo mês – no ginásio “Aarão Donizeti de Araújo Guerra”, localizado à rua Professor Oracy Gomes, 599. O local fica em frente à Associação Atlética XI de Agosto.

Devido ao longo prazo para adquirir o formulário e a possibilidade de fazê-lo por meio da internet, os organizadores do procedimento não esperavam “tamanha movimentação no primeiro dia de distribuição das fichas de inscrição”.

Tanto que o prefeito José Manoel Correa Coelho, Manu, mostrou-se “satisfeito” com a participação da população. Entretanto, pediu tranquilidade aos munícipes, segundo comunicado enviado ao bissemanário pela Prefeitura.

“Pedimos que a população não se afobe. Para dar tranquilidade a todos e minimizar as filas que instituímos o sistema de pré-inscrição e ampliamos o período para que todos possam concorrer à tão sonhada casa própria”, finalizou.   

“Nós esperávamos uma movimentação maior pela manhã, mas que, no decorrer do dia, fosse diminuindo. Mas não é isso que está acontecendo. A procura pelos formulários se manteve até agora”, contou o assistente social Edmar Almeida Pereira, à reportagem de O Progresso, por volta das 13h de terça-feira.

Pereira fez parte dos três profissionais responsáveis pelo atendimento ao público que buscou formulários no Cras do Santa Rita. Apenas nessa unidade, foram distribuídas 1.607 fichas de inscrição durante o primeiro dia de atendimento.

Segundo ele, o perfil predominante das pessoas que buscaram os formulários no local foi de mulheres sem moradia própria. Uma delas foi a professora Ana Laura Lopes da Silva, 19, que buscou o formulário e levou o filho recém-nascido.

Ana morava na casa da mãe dela, junto com os filhos e o marido. No entanto, ela conseguiu alugar uma casa na segunda-feira, 24, no Jardim Wanderley, pelo valor de R$ 450, onde passará a viver a partir da semana que vem.

“Vim retirar a ficha de inscrição logo no primeiro dia para garantir que dê certo e para que dê tempo de refazer, caso haja algum erro no preenchimento do formulário”, explicou sobre o motivo que a levou a retirar o documento logo no primeiro dia de distribuição das fichas de inscrição.

Ela disse que ficou sabendo da distribuição dos formulários por meio de um vídeo divulgado pela Prefeitura em rede social (Facebook). No material, publicado no dia 17 deste mês, o prefeito Manu explicou o procedimento.

“A expectativa de ser contemplada é grande. Pagar R$ 450 de aluguel é muito. Procuramos casa para morar antes de o meu filho nascer, mas está difícil. Tem gente cobrando até entre R$ 600 e R$ 800 de aluguel em Tatuí. Só que não quero pagar aluguel. Nada melhor que pagar por uma coisa que será sua um dia”, disse.

Outra que retirou formulário no primeiro dia de distribuição no Cras do Santa Rita foi a dona de casa Abel Palácio, 25. “Acho importante vir no primeiro dia porque podem acabar (as fichas de inscrição) e tem muitas pessoas que não precisam, mas acabam vindo retirar na nossa frente, sendo que nós temos uma certa prioridade”, reclamou.

Abel está grávida do segundo filho. Atualmente, ela mora com a mãe, mas pretende viver ao lado do pai dos filhos dela a partir do ano que vem. Conforme Abel, ela e o futuro marido não têm moradia fixa. Por isso, irão viver num imóvel no quintal da sogra dela.

Já a dona de casa Débora Aparecida dos Santos, 26, afirmou que espera que o público a ser contemplado pelo programa em Tatuí seja de pessoas que “realmente precisem”.

“No financiamento da CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano), muitas pessoas que ganharam casa já tinham moradia própria. E muita gente que precisava, não ganhou. Por isso que tem que ver quem realmente precisa para dar casa. Tem que investigar o histórico de cada família, para saber se precisa”, desabafou.

Débora mora com o marido, os quatro filhos, a irmã e uma sobrinha em um imóvel de dois cômodos no Rosa Garcia 2. Segundo ela, o aluguel da casa custa R$ 300.

Para sair da locação e conseguir a casa própria, ela entende que o único caminho será mesmo por meio de um programa de moradias populares. O motivo é a condição financeira dela e da família, que não conseguem financiar imóveis.

No entanto, ela disse que vai aguardar o processo e, caso atenda aos requisitos, espera ser contemplada. O formulário retirado por ela na manhã de ontem é dividido em quatro categorias. Na primeira, os munícipes têm de inserir dados básicos, como: nome completo, números do RG e CPF, ocupação (se está empregado ou desempregado), local de trabalho e renda atual.

Depois, devem ser inseridas as mesmas respostas sobre cônjuges ou esposas. O questionário segue com perguntas sobre quem é o responsável pela família (homem ou mulher) e se o cidadão que pretende a casa é beneficiário de programa de transferência de renda, como o Bolsa Família ou Renda Cidadã.

Na ficha, é preciso informar dados sobre a moradia onde a pessoa reside atualmente. As perguntas versam a respeito das condições do local (imóvel alugado ou não; de alvenaria ou madeira; se o acesso a esse imóvel se dá por meio de rua asfaltada; e se há coleta de lixo, água encanada e esgoto sanitário).

Também deverão ser inseridas informações sobre o número de pessoas que vivem junto à pessoa que está pleiteando a moradia, qual é o parentesco com as pessoas que ela indicar, idade de todas, se alguém possui deficiência e renda de cada um.

Nos dias da entrega do formulário, equipes da Prefeitura farão conferência dos dados e dos documentos necessários. Além de RG e CPF, os cidadãos devem apresentar comprovante de renda, carteira de trabalho, comprovante de residência, certidão de nascimento ou casamento, certidão de nascimento dos filhos e título do eleitor. Todos os documentos devem ser originais.

Conforme a Prefeitura, alguns grupos têm preferência para ser contemplados pelo programa de moradias populares do governo federal. São eles: moradores de áreas de risco, pessoas com deficiência e mulheres responsáveis pela família.

As inscrições serão destinadas a pessoas com renda de zero a seis salários mínimos. No ato da entrega, os candidatos receberão um protocolo que confirma a participação no programa. A triagem será feita pela CEF (Caixa Econômica Federal).


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