Músicos criam associação para integração

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Eduardo Augusto de Almeida Silva

Professor Eduardo SIlva acredita que a associação de música pode complementar os estudos do Conservatório

 

Músicos e professores do Conservatório Dramático e Musical “Dr. Carlos de Campos” criaram a Amlat (Associação de Músicos, Luthiers e Atores de Tatuí), que visa integrar pessoas ao meio musical.

A associação é legalizada e composta pelo diretor executivo Tulio Padilha Pires, diretor artístico Eduardo Augusto de Almeida Silva, vice Wiliam Cunha, diretor financeiro Fabio Cortese e vice José Roque Cortese.

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Atualmente, o único projeto que os membros da Amlat desenvolvem é o “Orquestrando Tatuí”. Segundo Silva, é para crianças e adolescentes que perderam vagas no Conservatório, mas não deixaram de “fazer música”. O diretor artístico conseguiu uma sala emprestada na Etec “Sales Gomes” para ministrar as aulas.

De acordo com Silva, a associação utiliza espaço em um hotel de um dos membros para fazer reuniões. Porém, o local é pequeno para receber muitas pessoas ao mesmo tempo, por isso, a entidade precisa utilizar o espaço cedido pela escola.

Silva, o professor do projeto, oferece aulas de música, com instrumentos de cordas orquestrais e prática de conjunto. De acordo com o diretor artístico, o Orquestrando Tatuí pretende “conceder novas perspectivas de vida e contribuir no processo de formação e desenvolvimento do aluno”.

Conforme Silva, o projeto é para pessoas que já possuem conhecimentos em orquestra, mas possuem dificuldades ou limitações. “Eu trabalho até o limite deles, até onde eu consiga fazer uma coisa bem feita”.

Pires afirmou que Silva desenvolve a atividade para não deixar os ex-alunos completamente fora da música e para estimulá-los a continuar no ramo. Segundo ele, a orquestra já fez muitas apresentações em escolas e cidades vizinhas.

Pires afirmou que, no ano passado, fez alguns concertos didáticos “muito interessantes” no Museu Histórico “Paulo Setúbal”.

Nas apresentações, os músicos da associação utilizaram instrumentos e contaram histórias de músicas em geral e de compositores tatuianos.

A associação

Atualmente, para manter a iniciativa, a diretoria da associação busca auxílio financeiro em empresas da cidade. Pires afirmou que está com bastante dificuldade para encontrar pessoas que apoiem os músicos.

A Amlat pretende utilizar a lei federal de incentivo à cultura (Rouanet) para levantar recursos. A lei possibilita que as empresas e cidadãos apliquem uma parte do Imposto de Renda em ações culturais.

Silva acredita que a falta de incentivo da população pode ser pelo fato de a lei “ser nova no Brasil e poucas pessoas conhecerem”.

“É simples: se a pessoa tem uma empresa, ela pode me ‘patrocinar’, basta direcionar uma porcentagem da declaração total para a associação. É básico e não sai do bolso da pessoa. Não entendo por que não há esse auxilio”, afirmou Silva.

O diretor artístico afirmou que teve a ideia de criar a associação porque percebeu “muitos alunos com bastante talento, desistindo ou perdendo vagas em cursos de músicas”.

Conforme Silva, em 2011, ele começou a trabalhar com orquestra infantil no Conservatório e reparou que muitos alunos desistiam, ou não conseguiam aguentar o ritmo de exigência do curso.

Pensando em alguns talentos que poderiam ser “desperdiçados”, o diretor artístico se reuniu com alguns amigos, e eles pensaram em criar essa associação para auxiliar ex-estudantes, futuros músicos ou amantes da música.

Segundo Pires, após conseguirem finalizar a captação de recurso, os associados devem fazer um projeto para levar conhecimentos musicais a bairros distantes do centro.

Pires ressaltou que a associação é aberta a qualquer pessoa. “Todos são bem-vindos, não é para quem já sabe, ela é totalmente aberta. Queremos trabalhar com a parte educacional e cultural”.

De acordo com o diretor, a intenção da Amlat é trabalhar junto com o Conservatório, como uma forma de complemento às pessoas que são interessadas em música e na história dela. “Nós temos um ideal de agregar forças para que Tatuí seja, de fato, a Capital da Música”.

Silva espera que a Amlat seja uma referência para que as pessoas iniciem estudo avançado de música. Ele afirmou que não há “a menor possibilidade” de oferecer a estrutura que o Conservatório possui.

O diretor artístico ponderou que a associação trabalha não somente com a música, mas com a arte no geral, e também com a luteria, “para desenvolver projetos e conseguir fornecer mais estrutura musical à população”.

“É todo um contexto cultural. Por isso que, no nome da associação, também estão os luthiers. A música, sem a presença deles, não existe. Os luthiers são as pessoas que fazem os instrumentos, que prestam serviço e manutenção”, explicou Pires.

Mercado musical

Os dois músicos e membros da associação concordam que o mercado de música em Tatuí é pequeno. Apesar disso, Pires acredita que ainda é maior do que a média de outras cidades de São Paulo. Isso devido ao Conservatório.

Conforme Silva, a maioria da população local “não valoriza a música”. Portanto, “é importante que os profissionais envolvidos nessa área tentem mudar o conceito das pessoas”.

Pires afirmou que, para melhorar a situação da profissionalização dos músicos, é essencial que ela seja ensinada a crianças e adolescentes nas escolas.

De acordo com o diretor executivo, o ensino de músicas nas escolas pode trazer muitas melhorias. “Muitas crianças que não teriam chances de conhecer a arte musical e saberem de histórias por outros meios poderão começar a gostar e ir para esse caminho”.

Vagas do CDMCC

Sobre a possibilidade da perda de vagas no Conservatório, o assessor pedagógico da escola, Antonio Ribeiro, informou, por meio da assessoria de imprensa, que há possibilidade, realmente, de estudantes serem desligados.

De acordo com ele, o regimento escolar do Conservatório regulamenta e orienta a vida do aluno dentro da escola. O desligamento do discente da instituição, assim como os cursos disponíveis, a duração e grade curricular de cada curso e os grupos a que os estudantes podem se vincular estão previstos em documento.

Conforme o assessor, a seção VII, artigo 65, do regimento do Conservatório, dispõe que o desligamento do aluno ocorrerá nos casos de reprovação em duas ou mais disciplinas dentro de um mesmo semestre; duas reprovações consecutivas ou três reprovações alternadas na mesma disciplina, a qualquer tempo; acúmulo de cinco faltas não justificadas em qualquer disciplina dos cursos de música (nas artes cênicas, o aluno será desligado quando ultrapassar 25% de ausências dentro do semestre corrente); aplicação de pena disciplinar e não efetuar a rematrícula nas datas estipuladas.


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