Mais de 300 crianças dizem não às drogas e à violência com o Proerd

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Crianças fazem juramento se comprometendo a ficar longe de drogas e não praticar a violência (foto: Diléa Silva)
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Mais de 300 estudantes prestaram juramento, na manhã de quarta-feira, 26, em formatura do Proerd (Programa Educacional de Resistências às Drogas e a Violência), comprometendo-se a ficar longe de entorpecentes e álcool e não praticar violência.

A solenidade aconteceu no ginásio de esportes da Associação Atlética XI de Agosto, com a presença de autoridades militares e civis, entre eles, o secretário municipal da Educação, professor Miguel Lopes Cardoso Junior, e a supervisora municipal de ensino fundamental, Elisângela Costa Rosa Cecílio.

Também participaram a capitão PM da 2ª Companhia do 22º BPM-I, Bruna Carolina dos Santos Martins; o comandante interino da Guarda Civil Municipal, Antônio José Rodrigues da Costa; o sargento do Corpo de Bombeiros João Luiz; lideranças do município, pais e professores dos formandos.

O curso é promovido pela PM em parceria com a Secretaria Municipal de Educação. As aulas foram ministradas durante o primeiro semestre letivo pela instrutora soldado Carina Tatiane Bueno, com uma auxiliar, a soldado PM Viviane Cristina Garcia.

No total, o programa diplomou 330 estudantes do quinto ano do ensino fundamental das Emefs “Professor Paulinho Ribeiro”, “Professora Magaly Azambuja de Toledo” e “Professora Maria Eli da Silva Camargo”, que são unidades municipais, além de estudantes do Colégio Objetivo, da rede privada.

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Esta é a primeira turma deste ano e a 38ª formada pela 2ª Companhia da Polícia Militar de Tatuí. Todos os formandos receberam certificados, além de 13 estudantes que se destacaram nas atividades – pela participação, assiduidade e redação – e foram contemplados com medalhas e presentes, oferecidos pelas escolas.

O Proerd é uma adaptação brasileira da ação norte-americana Dare (Drug Abuse Resistence Education), surgida em 1983 e implantada na Polícia Militar do estado de São Paulo dez anos depois, em 1993.

Conforme a PM, o objetivo principal do programa é desenvolver, junto aos estudantes, habilidades que lhes permitam “evitar influências negativas” e promover fatores de proteção, auxiliá-los a “reconhecer as pressões e as influências externas”.

A O Progresso, Carina contou que o programa já foi desenvolvido há alguns anos na cidade, mas voltou neste ano, após passar alguns semestres sem ter instrutor. Ela terminou o curso de formação neste ano e iniciou a primeira turma em Tatuí.

A instrutora explicou que o programa funciona como um trabalho preventivo da Polícia Militar, visando reduzir índices criminais e evitar o envolvimento de crianças e jovens com as drogas e a violência.

Carina destaca que as aulas ainda buscam estabelecer relações positivas entre alunos e policiais militares, professores, pais, responsáveis legais e outros líderes da comunidade, além de “abrir um diálogo entre a família, as escolas e a PM sobre a formação cidadã dos alunos”.

“O trabalho preventivo começa com as crianças, mas ele não pode acabar. Os pais, a família, os professores e a comunidade são de grande importância para que os alunos consigam dar continuidade no que eles apreenderam”, ressaltou a instrutora.

O programa também tem cursos voltados a alunos do segundo e sétimo ano do ensino fundamental, que, conforme antecipado pela instrutora Carina, podem ser realizados em Tatuí no segundo semestre.

A capitão Bruna, que reiniciou as ações do programa em Tatuí, explicou que o Proerd prioriza a participação de alunos do quinto ano do ensino fundamental por conta da fase de transição entre a infância e a adolescência.

“Na verdade, isso já vem do projeto embrionário desenvolvido nos Estados Unidos, pela complexidade desta fase em que as crianças têm que tomar muitas decisões sobre a própria vida e aprender a dizer não. É uma decisão estratégica”, enfatizou Bruna.

A comandante ainda destacou que a iniciativa deve ser mantida no município e revelou que a intenção da PM é dobrar o número de escolas atendidas no próximo semestre.

“Será possível dobrar porque, até então, eu só tinha a soldado Carina habilitada para instruir, e aí ela ia na companhia da Garcia. Hoje, ela e a Garcia são formadas e capacitadas para exercer o programa, então, vamos conseguir atingir um público bem maior nos próximos seis meses”, antecipou a capitão.

Ainda conforme Bruna, o número de escolas atendidas também vai depender do alinhamento da Polícia Militar com a Secretaria de Educação. “A nossa meta é aumentar cada vez mais”, completou.

O secretário da Educação também afirmou que a parceria da pasta com a PM deve continuar. Ele ainda destacou que o programa vai ao encontro das necessidades da escola, “não só pelo trabalho desenvolvido na prevenção ao uso de drogas, mas por outros temas abordados durante as aulas”.

Cardoso salienta que as ações focam na prevenção ao uso de drogas – como o próprio nome do programa especifica -, porém, aponta que o Proerd é “muito mais abrangente e trata de valores e princípios essenciais para a vida das crianças”.

Segundo o secretário, as aulas não tratam somente de drogas e violência física, mas também abordam a violência psicológica, “bullying”, empatia, a importância de cultivar amizades, de evitar álcool e as drogas, entre outros assuntos.

“Os professores já trabalham alguns destes valores, mas, quando tem uma interferência externa, isso acaba marcando. A gente acredita muito neste programa e fica muito feliz de ter parceiros que se dedicam desta forma”, garantiu o secretário.

Cardoso salientou que, além de ajudar a manter as crianças longe das drogas, as ações do Proerd influenciam no rendimento dos alunos na sala de aula.

Ele afirma ser possível perceber a melhora, contudo, acrescente ser importante a participação da família para que o estudante continue no “caminho correto”.

“Sabemos que as drogas têm se multiplicado cada dia mais pela sociedade, porém, ações como esta são como sementes lançadas. As instrutoras foram nas escolas e plantaram; agora, cabe a nós, da secretaria, da equipe pedagógica e aos pais, regar a sementinha para que ela germine e dê frutos”, concluiu o secretário.

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