
Da reportagem
O Instituto Adimax está em busca de “famílias socializadoras” em Tatuí, um trabalho voluntário que tem como objetivo a formação de cães de assistência. Conforme Núbia Prado, assessora de imprensa do instituto, a área de cobertura da entidade foi aberta na região do município, a qual se encontra em um raio de cerca de cem quilômetros do instituto.
O programa da Adimax tem abrangência no país todo, para entrega gratuita de cães a pessoas com deficiência, sendo desde cachorros guias aos de assistência.
Já as famílias socializadoras não podem morar tão longe do instituto, pois é preciso ir até o local eventualmente para realizar treinamento, levar o animal para banho e consulta no veterinário, sendo um “compromisso” de um ano.
“É um trabalho voluntário, e estamos abrindo para essa região que é a mais próxima do instituto, localizado em Salto de Pirapora. Não dá para contar só com Sorocaba, Alumínio e Itu. Então, abrimos inscrições em outros locais”, comentou a assessora.
“Acabou de chegar cãezinhos que estão na nossa página do Instagram e esperando famílias socializadoras. As pessoas, para serem voluntárias, podem se inscrever no site do instituto”, informa Núbia.
Durante o período do voluntariado, as despesas são pagas pelo instituto. “Mas, não é um ‘pet’, e sim um cão de socialização. Então, ele tem praticamente toda a proteção legal de um cão guia e um cão de assistência”, acentua a assessora.
Para ser voluntário socializador, é preciso atender a alguns critérios: ter 18 ano ou mais; tempo disponível, pois os filhotes não devem ficar sozinhos por mais de quatro horas seguidas, e disponibilidade para os encontros com a equipe técnica, que são frequentes; e veículo próprio ou meios de transporte seguros, já que o cão precisa ser exposto a diferentes ambientes, como supermercados, restaurantes e transporte público, além de consultas veterinárias e treinamentos.
Também é necessário viver em “ambiente seguro”, com muros ou telas que evitem fugas, e ter residência fixa durante todo o período de socialização (cerca de 12 a 18 meses). “É importante que toda a família esteja de acordo com a chegada do filhote”, frisa a instituição.
Também é necessário ter paciência, disciplina e disposição para seguir as orientações da equipe técnica, comparecendo aos encontros de formação e socialização; e estar “emocionalmente preparado” para devolver o filhote ao final do processo, quando ele seguirá para o treinamento especializado.
O instituto salienta que a atividade é voluntária e não remunerada, mas o programa cobre a maioria das despesas com o cão (alimentação, cuidados veterinários e medicações preventivas). Ao voluntário, cabe oferecer tempo, cuidado e dedicação.
“Ser socializador de um futuro cão-guia ou cão de assistência é viver uma jornada de amor, aprendizado e propósito. É transformar a vida de alguém, enquanto enriquece profundamente a sua. Ao abrir as portas da sua casa, você também abre caminhos de autonomia, inclusão e esperança para quem mais precisa”, comenta a Adimax.
O programa
De acordo com material divulgado pelo instituto, antes de conduzir uma pessoa com deficiência visual pelas ruas, o cão de assistência aprende algo muito importante: “conviver com o mundo”. “É preciso saber regras de convivência, os limites, o respeito ao espaço, às pessoas e outros animais”, cita o material.
E quem ensina isso não são apenas os instrutores profissionais, mas também as chamadas famílias socializadoras, voluntários que acolhem o filhote nos primeiros meses de vida e o apresentam à rotina da sociedade.
“A gente diz que a família socializadora apresenta o mundo para esse cão, e isso é feito de uma forma muito responsável, com muito carinho, amor, mas também com regras. Então, esses voluntários precisam estar realmente comprometidos com a causa, pois, sem eles, não temos cães de assistência”, pontua Fabiano Pereira, responsável técnico do Instituto Adimax, maior centro de treinamento de cães de assistência da América Latina.
Com aproximadamente três meses de idade, o cão sai do instituto para viver com uma dessas famílias. Durante um ano, os voluntários vão ensiná-lo a andar de elevador, frequentar supermercados, esperar em filas, deitar-se, frequentar restaurantes, lidar com barulho, movimento e pessoas diferentes.

“Tudo isso constrói a base emocional e comportamental necessária para ele se tornar um cão de assistência. E, ao final do ciclo de socialização, o cão retorna ao instituto para iniciar a etapa técnica de treinamento como cão de assistência”, acrescenta o material.
“Estou no meu décimo cão e, nesse momento, socializando o Café, um labrador muito alegre. Alguns cães que socializei, hoje, guiam pessoas com deficiência, e um deles foi destinado a uma criança do espectro autista. Não vou mentir, dá trabalho, mas, quando olho o bem que isso vai fazer na vida de uma pessoa, só vejo os resultados”, relata Dalete Souza, moradora de Sorocaba e veterana como família socializadora.
“O trabalho dessas famílias é silencioso, mas decisivo. É nesse período que o filhote desenvolve confiança, autocontrole e capacidade de adaptação. Um erro ou uma falha nessa fase pode comprometer todo o processo de treinamento futuro”, cita o material de divulgação
Durante esse período, as despesas com o cão, como alimentação, cuidados veterinários, vacinas, banhos, entre outras, são de responsabilidade do Instituto Adimax, “mas ainda assim não é fácil encontrar voluntários”, indica o programa. “É um trabalho lindo, mas exige entrega e disposição para fazer a coisa certa”, reforça Pereira.
“Deixar o cão partir é uma das partes mais difíceis. Mas, também é onde o voluntariado ganha seu significado mais concreto: abrir mão de algo que se ama para que outra pessoa possa ganhar autonomia, mobilidade e independência”, sublinha a instituição.
“Hoje, vim entregar o Pantera, e o meu sentimento é de deixar um filho na universidade pela primeira vez. Estou emocionada, chorei muito, mas tenho a sensação de dever cumprido”, conta Hidelma Ferreira, que viveu a experiência pela primeira vez.
“Até o momento, o Instituto Adimax entregou mais de cem cães de assistência para diversas regiões do país. E, por trás de cada, um existe uma rede de voluntários que começou tudo, gente comum, mas com desejo de fazer a diferença”, finaliza o material.
Podem ser famílias socializadoras moradores de Salto de Pirapora, Araçoiaba da Serra, Sorocaba, Votorantim, Piedade, Pilar do Sul, Salto, Itu, São Roque, Indaiatuba, Campinas, Itapetininga, Capela do Alto, Alambari, Tatuí, Iperó, Cesário Lange, Boituva, Alumínio, São Roque, Ibiúna, Cerquilho, Cabreúva e Porto Feliz. Saiba mais no link: https://institutoadimax.org.br/formulario-familia-socializadora/.
Sobre o instituto
Localizada em Salto de Pirapora, interior de São Paulo, a sede conta com uma estrutura completa. São 15 mil metros quadrados, com maternidade, canil, clínica veterinária, centro cirúrgico, área de soltura, lazer e treinamento, prédio administrativo e hotel para receber futuras pessoas com deficiência visual que receberão os cães-guias, e uma equipe multidisciplinar, distribuída nas áreas de saúde e bem-estar, equipe técnica, administrativo, relações institucionais, assistência social, responsabilidade social e operacionais, totalizando 53 colaboradores.
O propósito do instituto é apoiar a inclusão de pessoas com deficiência ou em situação de vulnerabilidade e o bem-estar animal. Além do Programa Cão de Assistência, o instituto conta com outros dez programas sociais que têm como finalidade a inclusão social e o cuidado de pessoas em vulnerabilidade.
A entrega do cão guia é feita de forma totalmente gratuita aos candidatos que preenchem os requisitos do programa.






