Instalação de cooperativa em Tatuí tem ‘cooperação’ de churrasqueiro

Passos Miguel teve reconhecimento de presidente; obra somou R$ 2 mi

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Job dos Passos Miguel vende churrasquinhos em frente à nova agência do Sicredi (foto: Eduardo Domingues)
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Na inauguração da agência Sicredi Nossa Terra de Tatuí, sexta-feira da semana passada, 18, a presidente da cooperativa, Maura Carrara, revelou, em discurso, a participação do churrasqueiro e ex-vereador Job dos Passos Miguel na instalação da agência local no prédio histórico da antiga fábrica Santa Cruz.

De acordo com Maura, “o Sicredi tem um jeito próprio de ser, pois gosta de conhecer as pessoas, ‘sentir o cheiro’ da cidade e, principalmente, escolher o local em que será instalada a nova agência”.

Para o empreendimento em Tatuí, já há cerca de um ano, uma comitiva veio ao município com o propósito de avaliar o local que viria a abrigar a nova agência.

Contudo, ao observá-lo, Maura afirma que ela e os executivos concluíram que o espaço seria o ideal. A partir daquele momento, ela começou a percorrer as ruas, para conhecer um pouco mais da cidade.

Ao chegar na Coronel Lúcio Seabra, esquina com a Juvenal de Campos, a presidente pediu a um dos diretores da cooperativa – que conduzia o veículo – para que parasse e, assim, ela pudesse verificar um terreno então vazio.

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Tratava-se do edifício emblemático das antigas fábricas Santa Cruz, Campos & Irmãos e Santa Adélia. “Eu ‘invadi’ o terreno para dar uma olhadinha, e achei que este local tinha um potencial fantástico”, confessou a presidente.

Contudo, ela precisava descobrir quem era o proprietário do imóvel. Maura, então, revelou que havia um senhor fazendo espetinhos de churrasco do outro lado da rua Juvenal de Campos.

A presidente atravessou a via e perguntou a ele se, por acaso, conheceria o dono do terreno ou alguma pessoa que pudesse dar informações sobre o proprietário. O churrasqueiro era o ex-vereador Job dos Passos Miguel.

“Em menos de cinco minutos”, ressaltou Mauro, Miguel passou-lhe todas as informações necessárias para o contato com o proprietário.

Assim, de lá, a presidente e o diretor da cooperativa foram ao endereço de um dos postos de combustíveis do empresário Lupércio de Almeida Neto. Segundo Maura, em pouco mais de uma hora, eles acertaram quase todos os detalhes para a instalação do Sicredi no local.

À reportagem de O Progresso, Neto afirmou que, normalmente, está viajando ou com algum compromisso agendado fora da cidade, mas, naquele dia, foi possível encontrá-lo e “deu tudo certo”.

O empresário conta que conversou com Maura sobre o imóvel e, em uma segunda reunião, praticamente, já fecharam a negociação. “Aconteceu muito rapidamente. Ela é direta e eu também sou bem direto e prático”, comentou.

Neto revela ter sido procurado por muitas pessoas com a intenção de instalar estacionamentos, porém, o prédio histórico teria de ser demolido. Ele ainda informou terem acontecido conversas com outros bancos, mas que não se prolongaram.

“Estava aguardando um projeto que encaixasse para poder fazer restauração, assim como eu fiz com o Coop (Cooperativa de Consumo). Quis o destino que viesse o Sicredi. Graças a Deus, deu tudo certo, e não poderia ser melhor”, apontou o empresário.

O edifício histórico recebeu investimento de, aproximadamente, R$ 2 milhões para a restauração. Com a inauguração da agência, a esquina entre as ruas Juvenal de Campos e Coronel Lúcio Seabra acabou reunindo três cooperativas: Sicredi, Coop e Unimed.

Passos Miguel vende churrasquinho no local há cerca de dois anos e sete meses. A O Progresso, ele afirmou ter ficado contente com a vinda da nova cooperativa a Tatuí, podendo ver “como o imóvel estava e como ficou com a restauração”.

Após dois mandatos consecutivos no Poder Legislativo, entre 2009 a 2016, o pai do atual vereador João Éder Alves Miguel revelou que Maura havia-lhe dito que poderia instalar uma nova cooperativa e somente quando encontrou Neto soube que se tratava de uma agência do Sicredi.

Durante o discurso na solenidade de inauguração, a presidente “quebrou o protocolo” e chamou Passos Miguel para contar sobre a contribuição dele. “Fiquei contente de ela me chamar, até meio emocionado. Tem coisas que acontecem naturalmente e marcam a nossa vida”, revelou o ex-vereador.

A agência do Sicredi ocupa o simbólico espaço “com uma nova proposta, unindo o passado ao futuro em um só ambiente”, conforme reiterado pela instituição.

No local, os associados têm acesso livre a rede wi-fi e podem utilizar a “Sala Tatuí” para reuniões. Além disso, a agência conta com o “Espaço Café”, em dois ambientes.

Maura reiterou que a nova agência “consolida a atuação da instituição que, por meio de um relacionamento aproximativo, identifica e compreende as necessidades dos associados, oferecendo soluções construtivas e preços justos”.

“Nossa ambientação e equipe é toda voltada para o relacionamento. Uma das nossas principais características é valorizar as relações com e entre os nossos associados, que são donos e usuários do negócio. O cooperativismo está transformando o modo como as pessoas se relacionam”, apontou.

“Temos espaços que podem ser utilizados para realização de negócios. Pessoas físicas ou jurídicas podem vir aqui e fazer o uso da ‘Sala Tatuí’ para receber um empresário, um cliente ou um fornecedor”, ressaltou.

História

Fundada em 3 de novembro de 1890, a Santa Adélia é considerada a segunda geração de indústrias têxteis do Estado de São Paulo e a segunda implantada no município.

A fábrica começou a operar com a razão social de “Campos & Irmãos” – nome cravado no prédio que ainda resiste ao tempo. Tinha como atividades principais “a exploração do comércio de fazendas, armarinhos, modas e ferragens”.

O quadro societário da indústria era formado, inicialmente, por Alcebíades Campos e Juvenal de Campos. A composição, no entanto, mudou no ano de 1908. Na época, a indústria produzia somente fios de algodão e produtos de malha.

De 1911 em diante, a empresa registrou aumento na produção da fiação. Ganhou uma seção de tecelagem, que ficou batizada como “Fábrica de Fiação e Tecidos Santa Cruz”. O nome permaneceu até a transferência para a família Gasparian, em 1951, quando passou a chamar-se Santa Adélia.

A empresa chegou a ter 1.200 funcionários. Terminou com 170, dispensados a partir de março de 1981, pelo Grupo Vimor Empreendimentos, que a assumiu em 1974.

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