Guardas realizam operação visando não utilização de cortantes em pipas

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A GCM (Guarda Civil Municipal) realiza, desde o início das férias escolares, operação intensiva contra venda e uso de cerol. Conforme o subinspetor Vanderlei dos Passos, o uso de cortantes em pipas é mais intenso nesta época do ano e em janeiro, quando há mais crianças e adolescentes nas ruas.

Até segunda-feira, 7, 64 latas com linhas cortantes haviam sido recolhidas pela GCM. Conforme Passos, isso significa, em média, 60 mil metros de produto apreendido.

De acordo com o subinspetor, na época de férias, a operação prioriza o recolhimento de material cortante aos atos de conscientização para que a população deixe de utilizar essas linhas.

“Quando os alunos entram em férias, já começa a movimentação (de pessoas soltando pipas). Quando eles voltam para a escola, dá uma zerada nisso”, salientou o subinspetor.

Conforme ele, não há registro de ocorrências graves envolvendo cerol ou linhas cortantes na cidade. O subinspetor ressaltou que é “extremamente perigoso” o uso de cerol, e que o índice de pessoas que utilizam esse material em pipas é muito grande.

Passos sustentou que muitas crianças e adolescentes “fabricam” o cerol nas próprias residências. “Utilizam vidros, quebram lâmpadas, há muitas formas. Muitas vezes, existe uma conivência do pai e da mãe, ou os pais trabalham”, acredita.

Apesar de a maioria das pessoas que utilizam cerol e linhas cortantes em pipas ser adolescente ou criança, o guarda afirmou que, aos finais de semana, é comum presenciar adultos com esses materiais.

Conforme Passos, os flagrantes de pessoas utilizando cerol em pipas acontecem por meio de patrulhamento da GCM. Porém, se algum cidadão quiser denunciar sobre o uso ou venda de linhas cortantes ilegais basta entrar em contato pelo telefone 199.

O subinspetor afirmou que as patrulhas são feitas diariamente em todos os bairros. Segundo Passos, o Jardim Santa Rita de Cássia é o local onde há mais ocorrências de pessoas utilizando cerol.

Ele acredita que isso se deve ao fato de que ele é o bairro mais populoso da cidade. Também há muitos casos desse delito na vila Esperança, CDHU e vila Doutor Laurindo.

De acordo com o subinspetor, os guardas, quando avistam pessoas soltando pipa, pedem para que elas abaixem o brinquedo e, se houver cerol, recolhem “na hora” e levam até a sede da GCM.

As linhas com cortantes ficam na corporação até o final de cada ano, quando são incineradas em uma cerâmica.

Apesar de a intensificação de patrulhamento acontecer somente em férias escolares, Passos garantiu que, durante o ano todo, há fiscalização nos bairros.

De acordo com o subinspetor, o recolhimento dos materiais não funciona para cessar o uso de cerol em pipas, mas “dificulta” e diminui o número de pessoas que utilizam as linhas cortantes.

Conforme Passos, o preço do cerol e das pipas não é alto. Aproximadamente, 200 metros de linha custam R$ 2, mesmo valor médio da pipa.

“Porém, o pessoal de periferia, por exemplo, não tem tanto poder aquisitivo para estar comprando outras”, argumentou.

O subinspetor disse que, para “dificultar” a reincidência do delito, os guardas recolhem a pipa toda, não somente o material cortante.

“Às vezes, se você pega só a linha, a ‘molecada’ já pega a pipa e faz outra na hora. Então, pegamos ela toda, pelo menos dá mais trabalho para eles”, explicou Passos.

O material mais utilizado em produtos recolhidos pela GCM são linhas com pó de vidro e resquícios de lâmpadas fluorescentes. A mistura, segundo Passos, é feita, geralmente, com cola de sapateiro.

Conforme o subinspetor, a operação contra o uso de cerol está voltada mais para o recolhimento de materiais que para emissão de multas.

Porém, em alguns casos, há a aplicação de multa, no valor de 10 Ufesps (Unidades Fiscais do Estado de São Paulo), aproximadamente R$ 200.

“É muita gente. Se você parar para fazer uma multa aqui, outra ali, os meninos já esconderam todas as pipas. Não tem como. Então, a gente passa recolhendo”, observou Passos.

Conforme ele, se houver solicitação de viatura por ferimentos causados por cerol, o procedimento é outro, e a pessoa que feriu outra com a linha, se maior de idade, será encaminhada à Delegacia e responderá pelo ato criminoso, de acordo com a gravidade da situação.

Se um adolescente ou uma criança cometer alguma ação que prejudique ou machuque alguém, utilizando cerol, o responsável deverá responder pela atitude do menor.

De acordo com Passos, durante a operação, os guardas tentam conversar com as pessoas que estão utilizando linhas cortantes, para que elas entendam que não é uma “ação saudável”.

O uso de cerol em pipas pode ferir mortalmente e causar prejuízos à rede elétrica, cortando fios de energia e telefone.

Conforme o subinspetor, no máximo, 30% de pessoas (entre crianças e adultos) que soltam pipas utilizam linhas comuns, não cortantes.

“Essas pessoas são mais instruídas, independente do bairro. Algumas têm umas ‘cabecinhas mais abertas’ e, geralmente, o pai ou a mãe está acompanhando”.

De acordo com Passos, este ano, nenhum comerciante foi pego vendendo linhas cortantes. Ele garante, porém, que, se houver caso confirmado da venda – que é ilegal -, vai encaminhar o responsável à Delegacia Central.

Conscientização

Guardas fazem palestras em escolas do município com o objetivo de conscientizar as crianças e adolescentes de que o uso de cerol é proibido por lei e é perigoso para quem usa e para “inocentes”, que podem ser atingidos pelas linhas.

Conforme Passos, não é fácil fazer o trabalho de conscientização junto às crianças. “Alguns dão até risada, eles acham que é brincadeira. É difícil o trabalho, mas é importante. Nós pegamos canetas, cortamos, tentamos mostrar o ‘poder’ do cerol para eles”.

Passos salientou ser fundamental que os pais ou responsáveis também se conscientizem do perigo que o cerol pode causar.

Para ele, é “importantíssimo” que haja fiscalização dentro de casa, pois só assim haveria diminuição considerável do uso de linhas cortantes.

“A gente pede o apoio dos pais, da sociedade, que fiscalizem. Principalmente os pais, não deixem os filhos usarem cerol. Pedimos que a sociedade fiscalize, que ligue, que, na medida do possível, a gente atende”, finalizou Passos.