Geneticista é autor de artigos em revistas científicas internacionais

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O geneticista e ex-estudante de Tatuí Luiz Eduardo Vieira Del Bem, 29, é publicador ativo de trabalhos e artigos científicos em revistas e jornais acadêmicos internacionais.

Os artigos fortaleceram o currículo e foram fator importante na seleção do pesquisador para a bolsa de pós-doutorado na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos.

Emplacar um trabalho nessas publicações é desafiador e demanda tempo. O processo é formado por várias etapas. Para publicar um artigo, o pesquisador precisa escrever trabalho referente a alguma novidade científica. Se o texto não apresentar inovações, não existe sentido em ser publicado.

“As revistas têm um corpo editorial formado por pesquisadores notáveis nas áreas que trabalham. Temos várias revistas, desde as mais simples até as mais difíceis de se publicar. Algumas revistas são amplas, como a “Nature” e a “Science”, que publicam qualquer coisa sobre ciência; outras revistas só tratam de uma área muito específica”, comentou.

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O editor faz, então, uma primeira análise do artigo. “Ele pode achar que o artigo não é bom, tem uma ciência de baixa qualidade ou que não está no escopo da revista. Então, ele nega o artigo no ato e encaminha e-mail avisando o autor”, explicou.

Se o editor considerar que o artigo tem alguma chance de publicação, o material é encaminhado para revisão. Nesse caso, dois ou mais cientistas que trabalham na área sobre a qual o artigo foi redigido, de forma anônima, recebem cópia do arquivo e o analisam minuciosamente. Podem, inclusive, questionar o autor sobre os resultados.

Após a análise detalhada, os revisores divulgam o parecer. Se os dois revisores negarem o artigo, o material é realmente recusado. Se um negar e o outro aceitar, o editor da revista fará o desempate ou convida mais um revisor para que ele dê seu “voto de minerva”.

Quando os dois revisores aceitam, o artigo será finalmente publicado. “Eles podem concordar com o artigo da maneira como está, que é muito raro, ou aceitar condicionalmente, contanto que o autor inclua mais dados ou refaça alguma experiência”. O autor também tem a chance de rebater as considerações dos revisores.

O caminho é longo. De acordo com o geneticista, a publicação de um artigo, desde o momento em que é encaminhado originalmente até passar pela aprovação final, leva seis meses, podendo chegar a mais de um ano.

Del Bem tem 13 artigos publicados em países como Estados Unidos, Inglaterra, Holanda, entre outros. A ausência do Brasil nessa lista é explicada pelo próprio pesquisador: “O país não tem tradição científica ampla. Até temos revistas científicas no Brasil, mas são de qualidade baixa”.

Além de escrever artigos, o “tatuiano” também é revisor de várias revistas cientificas, todas estrangeiras. Ele conta que a revisão de artigos é “cega”: o autor nunca sabe quem é o revisor. Outra curiosidade: esse serviço não é remunerado.

“Só pode revisar artigos uma pessoa que realmente tenha competência para isso, que tenha interesse verdadeiro na área. Se fosse pago, as pessoas aceitariam revisar artigos sobre assuntos que elas não entendem”, revelou.

A publicação e a revisão de artigos científicos funcionam como uma troca. “Quando eu vou publicar um artigo, pessoas precisam revisá-lo. Quando alguém precisa publicar, eu também reviso. Isso se chama comunidade científica”.

Segundo Del Bem, o desenvolvimento e a publicação dos artigos é fundamental para o currículo do pesquisador e para o processo de seleção feito por universidades. “O importante é a produção científica: quantos artigos você tem, em quais revistas, o que pesquisou. Isso, sim, conta muito a favor”, finalizou.


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