Funcionário da Ciretran e mais dois são detidos acusados de ‘esquema’

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Um funcionário da 109 Ciretran (Circunscrição Regional de Trânsito), de Tatuí, e outras duas pessoas são suspeitas de integrarem quadrilha que agia em três regiões do Estado de São Paulo.

Os acusados, que não tiveram os nomes e outras informações pessoais divulgadas, receberam voz de prisão na manhã de segunda-feira, 21, em operação deflagrada em sete municípios.

A ação é fruto de investigações iniciadas há mais de um ano pelo MP (Ministério Público) do Estado. Ela visou desmantelar organização criminosa responsável por furtos, roubos, receptação, adulteração, falsificação e comercialização de veículos. O esquema existiria em cidades das regiões de Piracicaba, Campinas e Sorocaba (onde está Tatuí).

O trabalho de apuração de existência da quadrilha está a cargo do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado).

Com base em dados e provas, os promotores de núcleos das três regiões cumpriram 20 mandados de prisão e 31 de busca e apreensão, com auxílio da Polícia Militar, nas cidades de Limeira, Rio Claro, Piracicaba, Campinas, Sorocaba e Boituva.

Em Tatuí, três pessoas foram detidas pela manhã, duas delas em casa. O MP não pôde fornecer os dados pessoais dos suspeitos por conta das investigações.

Conforme explicou o promotor do Gaeco de Campinas, André Luiz Brandão, os acusados serão “devidamente apresentados” depois de as investigações serem finalizadas. “Por hora, podemos fornecer informações genéricas”, disse ele, em entrevista à reportagem de O Progresso por telefone.

Brandão afirmou que o Gaeco deverá informar os nomes e os crimes pelos quais os suspeitos responderão nos próximos dias. As informações devem ser divulgadas à imprensa regional por meio da assessoria de comunicação do órgão.

O promotor explicou que o “esquema” de fraude começou a ser investigado em Piracicaba. Conforme ele, o Gaeco descobriu a existência da quadrilha quando investigava outro crime.

“Na verdade, a organização é ampla e envolve mais de uma região. Começou em Piracicaba e se espalhou por Campinas e Sorocaba, porque os envolvidos interagiam. Parte da falsificação das placas era feita em mais de um local”, contou.

Brandão declarou que o Gaeco passou a investigar a quadrilha quando detectou indícios de irregularidade no fornecimento de placas e documentação de veículos. “Foi tudo uma variável de outra investigação em andamento. Surgiram fatos novos que geraram novos indícios”.

De acordo com o promotor, um dos detidos em Tatuí estava sendo investigado havia um ano. “Os nomes dos outros dois surgiram agora, mais recentemente”, disse.

Os três presos no município são suspeitos de fornecer placas e acessórios para instalação em veículos. Segundo o promotor, o grupo negociava a venda, também, de arames utilizados na instalação e lacramento das placas.

“Um deles trabalha na Ciretran, mas não é funcionário público. É terceirizado”, declarou Brandão. Conforme ele, o servidor teria sido detido quando se dirigia a outra cidade. Os outros dois foram presos nas respectivas casas.

A promotoria acusa os três de participação em organização criminosa. Eles fariam parte do esquema integrado pelas outras 17 pessoas detidas nas cidades da região.

“Todo mundo tem algum tipo de participação. O que será feito, de agora em diante, é apurar quais crimes, individualmente, eles cometeram”, disse o promotor.

Segundo ele, os acusados responderão por participação em organização criminosa e por crimes em separado. Brandão informou que os detidos responderão, primeiro, o processo de formação de quadrilha e, paralelamente, devem ser formalmente acusados de delitos de forma “individualizada”.

Para solicitar os mandados de busca e apreensão e de prisão, as promotorias dos três núcleos do Gaeco juntaram indícios que provavam a existência da quadrilha.

Brandão detalhou que o MP acompanhou “várias encomendas e entregas de placas de veículos e de arames de lacração por mais de 12 meses”.

Segundo ele, alguns materiais fornecidos irregularmente eram enviados via Sedex. O promotor informou que as investigações prosseguem, especialmente, porque o Gaeco quer identificar quem são as pessoas que encomendaram as placas e os arames de lacramento. “Ocorre que esses dados não podem ser divulgados no momento por serem sigilosos”, concluiu.