Fatec forma 320 eletricistas desde 2009

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Amanda Mageste

Alunos da oitva turma aprendem a manusear energia elétrica no pátio da Fatec

 

A Escola de Eletricistas da Elektro, que funciona na sede da Fatec (Faculdade de Tecnologia) “Professor Wilson Roberto Ribeiro de Camargo”, está na oitava turma. Por elas, já formou 320 alunos no módulo 1 e 143 no módulo 2, sendo que pelo menos 115 foram empregados pela concessionária após o término do curso.

Conforme a assistente-técnica da direção, Maria Otília Garcia Tomazela, a Elektro tentou ficar com todos os formandos do segundo módulo. “Só não contratou pessoas que não quiseram trabalhar na companhia”, apontou.

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As vagas são oferecidas de acordo com a necessidade de mão de obra em cidades onde a concessionária presta serviço, não somente em Tatuí. Por isso, acontece de formandos não aceitarem o emprego oferecido.

“Muitos não são contratados na hora justamente por isso: porque não querem se mudar. Mas, posteriormente, aparece outra vaga e acabam sendo contratados. E os que não estão na Elektro, se a gente entrar em contato, estão em outras concessionárias”, afirmou Maria Otília.

De acordo com ela, a habilitação oferecida pela empresa é muito escassa, além de não haver cursos específicos para essa área. Portanto, seria mais fácil arrumar emprego de eletricista.

O primeiro módulo tem 240 horas e é composto por 40 alunos. Os estudantes aprendem eletricidade básica, residencial, padrão de entradas de várias modalidades, desde o monofásico até o trifásico, e normas de segurança para trabalhos elétricos.

Ao final desse módulo, os alunos recebem certificado relativo a eletricidade residencial, padrão de entrada e normas de segurança básica, e, segundo a assistente-técnica, estão “prontos para o mercado de trabalho”.

Desses 40 alunos formados no primeiro módulo, 20 são escolhidos para frequentar aulas do segundo módulo, mais avançado. A escolha acontece durante o curso, por meio de um “ranking” de melhores alunos, e, depois, por avaliação física e médica.

Antes de iniciar o módulo dois, os alunos passam por exames, para ver se possuem habilidades para trabalhar em altura, e por exames médicos, para garantir que estão aptos ao trabalho.

“Há, também, uma prova que se chama ‘futeposte’. Eles jogam futebol lá em cima, no poste. Cada um sobe no poste e se prepara antes, com aula de segurança, com relação a equipamentos. Eles se penduram e jogam bola, isso para saber se têm habilidade para trabalhar em altura”, afirmou Maria Otília.

Segundo ela, essa atividade é feita para que os alunos entendam como é trabalhar com altura e para que se sintam “confortáveis” com os equipamentos de segurança e com eles próprios.

Após isso, os alunos passam por exames médicos para saberem sobre a situação de saúde. Conforme a assistente-técnica, para trabalhar em área de risco como essa, é preciso estar saudável. “Qualquer problema de saúde pode interferir na execução do trabalho”.

Com os 20 alunos escolhidos e capacitados, o módulo dois é iniciado. São 732 horas de aulas teóricas, práticas e treinamentos com professores capacitados na área elétrica em alta tensão.

“Nos dois módulos, têm aulas práticas, só que, no segundo, que é de alta tensão, a gente tem as atividades mais complexas, que dependem de um treinamento mais intenso e de habilidades específicas, que são treinadas muito fortemente, porque a questão de segurança é o maior risco”, frisou Maria Otília.

Conforme ela, não é possível trabalhar o segundo módulo com todos os alunos que iniciaram o curso, porque são muitas pessoas. Vinte estudantes é um número “exato e adequado” para habilitação nas aulas práticas.

Além disso, a assistente-técnica afirmou que a escola não possui capacidade física e nem pedagógica para atender mais de 20 alunos em aulas específicas de eletricidade em alta tensão.

De acordo com Maria Otília, não houve acidentes envolvendo as sete turmas formadas e nem na oitava, que está finalizando o curso. A formatura deverá acontecer no dia 10 de setembro.

Das oito turmas do curso, apenas uma fez aulas no período noturno, ano passado. A duração da capacitação para o período diurno é de seis meses; para a noite, aumenta para 13.

O tempo de duração do curso aumenta à noite porque as 972 horas, divididas em dois módulos, devem ser feitas por todos os alunos.

“Os alunos ficam o dia todo com a gente, oferecemos refeição – eles têm 40 minutos só de refeição. Então, rende. Por isso, a carga horária é em menor tempo e a turma está pronta em seis meses”, explicou Maria Otília.

O curso no período noturno foi um projeto-piloto e a assistente-técnica não confirmou se haverá mais turmas à noite. “Isso será mediante a necessidade de absorção e mão da obra da empresa”.

Projeto

A ideia do projeto do curso em parceria com a Elektro surgiu em 2008. Mas, a capacitação começou no ano seguinte. De acordo com a assistente-técnica, a Fatec sediou o projeto-piloto dessa parceria, mas a concessionária já iniciou a capacitação em outras seis escolas, distribuídas em cidades do Estado de São Paulo.

Maria Otília explicou que a Elektro treinava os funcionários já empregados na concessionária para serviços de alta tensão, mas esse treinamento era de alto custo para a empresa e restringia a busca pelo profissional mais adequado.

De acordo com ela, a restrição acontecia porque a concessionária só conseguia utilizar funcionários da empresa para esse serviço e acabava não buscando outras pessoas, “às vezes, com mais talento”. A concessionária estava, também, com dificuldades na formação de profissionais.

Devido a esse fato a parceria solidificou-se e a Fatec, a Fat (Fundação de Apoio à Tecnologia) e a Elektro iniciaram o curso na sede da escola, com a concessionária sendo a fiadora do projeto.

Apesar de a implantação de cursos de extensão não ser o objetivo da Fatec, a escola trabalha com essas capacitações. “Uma das metas é, justamente, operar o mercado de trabalho, formando profissionais”, afirmou a assistente-técnica.

A faculdade possui um segmento chamado “Atividades de Extensão de Serviços à Comunidade”. Portanto, segundo Maria Otília, essa parceria com a Elektro se encaixa nessa área, sendo um modo de a Fatec “servir à população”.

A instituição serve como executor pedagógico do projeto, a concessionária banca e a Fat faz contratações necessárias e todo gerenciamento financeiro e econômico do curso.

A Fatec é responsável pelo processo seletivo de alunos e contratação de professores, também por meio de seleção específica para a área necessitada. Ainda cadastra os docentes para a Fat elaborar o contrato e efetuar a remuneração.

Curso

Para ingressar no curso, é necessário ser formado no ensino médio, ter preferencialmente entre 18 e 35 anos, boas condições físicas e possuir carteira de habilitação categoria B.

A média de inscrição para cada turma varia de 120 a 190 pessoas. Portanto, a Fatec faz processo seletivo para que todos tenham a mesma chance de iniciar o curso de eletricista da Elektro.

De início, é feito processo seletivo “simplificado”, de conhecimentos gerais, de onde são selecionados os 80 melhores concorrentes. Dos escolhidos, a instituição faz um processo de avaliação psicotécnico e uma dinâmica em grupo, selecionando 40 alunos.

No primeiro módulo do curso, seis professores dão aulas. No segundo, o número cai para quatro, que são especialistas em alta tensão e engenheiros de segurança.

A assistente-técnica contou que há aulas de primeiros socorros e combate a incêndio, dadas por enfermeiros e bombeiros, respectivamente. Há profissionais que dão aulas de ética e cidadania, além de eletricistas.

Os materiais utilizados no curso são todos oferecidos pela Elektro, assim como os EPIs (equipamentos de proteção individual).

Na segunda-feira, 21, quando a reportagem de O Progresso foi até a Fatec, o professor Martinho Tomazela dava aula prática no pátio da instituição para os alunos da oitava turma.

O professor ensinava os estudantes por grupos. Uma equipe estava aprendendo a utilizar o “religador automático”, que religa a energia elétrica automaticamente em casos de quedas de energia por acidentes.

Um segundo grupo estava sendo instruído pelo professor a manusear transformadores em postes. “Sempre queima isso na rua. Na cidade, então, você tem que estar bem ciente de como faz para chegar e substituir com segurança”, disse Tomazela.

Uma terceira e última equipe montava uma rede elétrica, que é responsável pela distribuição de energia nos bairros.

De acordo com o professor, os alunos da oitava turma já aprenderam a montar e desmontar postes de energia elétrica. Os procedimentos de alta tensão não podem ser feitos somente por uma pessoa.

“Sempre em equipe, mesmo na empresa. Sempre tem que ter uma pessoa em cima trabalhando e, no solo, outra, que a gente chama de ‘guardião da vida’. Ela tem que estar atenta ao que está acontecendo em cima”, ressaltou o professor.

De acordo com ele, o “guardião da vida” deve prestar atenção a tudo que o eletricista está fazendo na rede elétrica, para evitar que ele corra riscos.

Tomazela afirmou que os alunos que terminam o curso já saem profissionais. De acordo com ele, os professores seguem todos os procedimentos exigidos por concessionárias de energia elétrica e executam os mesmos serviços.

“Eu passo todos os procedimentos e manuais, porque existe um padrão para trabalhar. Eu passo tudo ‘certinho’, de como fazer e como não fazer. Procuro ensinar tudo direito, e eles já saem daqui prontos”, afirmou o professor.

Conforme ele, a vantagem do curso é que os professores podem ministrar aulas teóricas e, depois, seguirem para as práticas, “diferente da faculdade em si, que você faz teoria e, depois, no mercado de trabalho, você vai fazer a prática”.

Nas sete turmas anteriores, somente homens concluíram o segundo módulo. Na oitava, já há duas mulheres fazendo o curso de eletricidade em alta tensão.

Silvana Maria de Souza Lima entrou no curso por insistência do irmão, que trabalha na concessionária de energia.

“Estou adorando tudo, é bem diferente da realidade da gente, foi novidade para mim. Nunca imaginei subir em um poste, estar nessa altura, mas está sendo muito gostoso”, afirmou Silvana.

Para dúvidas e informações sobre o curso, basta ligar para 3205-7780. A Fatec está situada à rodovia Mário Batista Mori, 971, Jardim Aeroporto.


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