Entre órfãos e vencidos

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Encerrada a contagem de votos, a negativa constatação de algo que poderia acontecer: nenhum dos oito candidatos a deputado residentes em Tatuí conseguiu eleger-se.

A apuração concluída pelo Tribunal Superior Eleitoral na noite de domingo passado, 5, apontou eleitorado faltoso e média de 10 mil votos na soma entre brancos e nulos.

Dos 82.011 eleitores registrados pela Justiça Eleitoral no município, 17.798 não compareceram às urnas, uma abstenção de 21,70%. O percentual é maior que o registrado no Estado de São Paulo, que contabilizou 19,52%, e no Brasil, com 19,39%. Efetivamente, votaram 64.213 eleitores, nas 218 seções.

Para deputado estadual, os brancos e nulos somaram 11.211 votos (5.629 em branco e 5.582 em nulo), resultando em 53.002 votos válidos.

Desse total, mais da metade ficou com o ex-prefeito Luiz Gonzaga Vieira de Camargo. Candidato pelo PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira), ele somou 30.135, o equivalente a 56,86% dos votos válidos locais. Na votação geral, somando votos obtidos em 80 cidades do sudoeste paulista, obteve 57.562 votos.

Os outros cinco candidatos que residem em Tatuí e disputavam vaga para a Alesp (Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo) receberam, juntos, 4.180 votos na cidade.

Entre eles, o melhor colocado foi o pediatra João de Oliveira Filho, do PTB (Partido Trabalhista Brasileiro), com 2.172 votos na cidade (0,41%). No geral, ele recebeu mais 533 votos, chegando a 2.705.

Auro de Jesus Soares Coelho, do PMDB (Partido do Movimento Democrático Brasileiro), teve 1.468 votos no Estado, sendo 1.073 em Tatuí (0,2%).

O candidato local do PT (Partido dos Trabalhadores), José Márcio Franson, aparece na sequência, com 625 votos em Tatuí (0,117%) e 2.202 no Estado.

Márcio Medeiros, do PHS (Partido Humanista da Solidariedade), totalizou 439 votos no Estado, sendo 310 em Tatuí (0,05%).

Já Leandro de Camargo Barros, do PSB (Partido Socialista Brasileiro), não teve votos contabilizados devido a questão jurídica. Em setembro, ele teve recurso no qual solicitava deferimento da candidatura negado pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

No total, os seis candidatos a deputado estadual residentes em Tatuí receberam 34.315 votos na própria cidade, o que corresponde a 64,75% dos válidos. Na totalização final, somando-se os votos em todo o Estado, esse número atingiu 64.376.

Já os “forasteiros” obtiveram 18.687 votos, fracionados entre 1.870 concorrentes (35,25%).

O mesmo “fenômeno” ocorreu na votação para deputado federal. Os candidatos residentes na cidade obtiveram somente 8.137 votos atribuídos por eleitores de Tatuí, correspondentes a 15,64% dos 52.029 votos validados. Brancos e nulos somaram 12.184.

Entre os votos válidos locais, 6.349 foram obtidos por Marcos Rogério de Campos Camargo (Marcos Quadra), do PRB (Partido Republicano Brasileiro), e 1.714 por Rogério de Jesus Paes (Rogério Milagre), do PTC (Partido Trabalhista Cristão).

Por sua vez, os candidatos que não moram em Tatuí receberam 43.892 votos, o que corresponde a 84,36% dos válidos. No geral, Quadra obteve 11.407 votos e Rogério Milagre, 1.788. Dos votos válidos locais, 12,20% ficaram com o candidato do PRB, enquanto que o do PTC marcou 3,29%.

O candidato do PRB ficou atrás somente de Samuel Moreira, do PSDB. O tucano, da cidade de Registro e que foi apoiado pelo ex-prefeito Gonzaga, somou 31,18% dos válidos, com 16.222 votos.

Há quem observe, compreensivelmente, que a derrota de todos os candidatos locais deveu-se ao elevado número de concorrentes, notadamente com relação aos estaduais, em soma de seis.

Pode ser fato, ou não. Fosse verdade absoluta, por consequência, Quadra teria sido eleito, vez que seu pretenso adversário local, na prática, pouco teve oportunidade de efetivar campanha com potencial de concreta vitória.

Em raciocínio paralelo, também se conclui que, mesmo com a soma dos votos de todos os outros cinco candidatos a estadual, o ex-prefeito Gonzaga não alcançaria o resultado necessário para superar a suplência.

Em âmbito essencialmente restrito à política local, as urnas explicitaram discrepâncias que dispensam pitacos – até porque, comentários sobram, tal como as intenções pouco bem intencionadas de interpretá-los.

Ou seja, típico em comunidades ainda em desenvolvimento, é natural ser interpretado fácil e automaticamente como “do contra” ou “a favor” – mesmo quando se trata da imprensa.

Aliás, má interpretação que nem pode ser tão creditada à parcialidade inerente aos próprios políticos, posto não faltarem profissionais a darem mau exemplo neste sentido, assim comprometendo sem dó e indefinidamente a credibilidade da imprensa.

Em síntese, se deveria estar, sempre, “a favor” da comunidade. No entanto, isto não implica em ausência de oposições. O contrário! Na política, quando em favor da democracia, a oposição é fundamental. Caso contrário, prima o totalitarismo.

É de se lamentar, somente, quando se atinge por demais os extremos. Há momentos em que concessões são bem-vindas, em nome de interesses comuns e mais significativos.

No momento, entre eleitores órfãos e candidatos vencidos, fica a oportunidade da revisão de erros e acertos por parte das correntes políticas locais, considerando-se o tal “recado das urnas”.