Empresário afirma ter sido vítima de homofobia dentro de supermercado

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Da reportagem

Um empresário tatuiano de 29 anos afirma ter sido vítima de homofobia em um supermercado na área central. Ele tornou o caso público, por meio de publicação no Instagram, na quinta-feira, 21, data em que também registrou um termo circunstanciado de ocorrência na Delegacia Central.

Na postagem, Marcos Roberto da Silva afirma que, no dia 13 de janeiro, por volta das 22h, durante compras no Supermercado São Roque, localizado na avenida Coronel Firmo Vieira de Camargo, dois funcionários teriam “zombado dele, por estar com as unhas pintadas de preto”.

Silva diz que,ao finalizar a compra, percebeu uma movimentação entre os dois. “Eles não paravam de conversar e, ao mesmo tempo, um deles acenava a cabeça em minha direção. Eles olhavam fixamente para mim e para as minhas mãos”, sustenta o empresário.

“Senti-me incomodado com as risadas de deboche, com a chacota por eu estar com as unhas pintadas. Os cochichos sobre mim, os sinais de desaprovação e os acenos deixaram claro que eu estava vivendo um momento constrangedor e humilhante”, declarou.

Silva ainda relata que a situação continuou durante todo o trajeto dele pelo supermercado até a porta de saída e pelo estacionamento”, até que ele entrou no carro dele, para ir embora. “Sem a preocupação em esconder ou disfarçar o comportamento”, acrescenta.

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O empresário conta ter entrado em contato com a empresa, que lamentou o ocorrido. “Solicitei que o Supermercado São Roque emitisse uma nota de repúdio em forma de retratação”, contou à reportagem.

“No entanto, a empresa se negou a emitir a nota. Recebi apenas um pedido de desculpas pelo ‘mal-entendido’ e pela ‘experiência não satisfatória’”, afirma.

“A omissão da empresa gera uma gritante ofensa a um sentido mínimo de justiça. Portanto, o motivo de expor o caso nas redes sociais é a busca por justiça e, também, forçar a empresa a emitir uma nota de repúdio pela situação”, reforça Silva.

A O Progresso, explicando o intervalo de uma semana entre o ocorrido e a postagem, o empresário afirmou que, inicialmente, não tinha a intenção de tornar o caso público.

“Pensei em voltar na mesma hora e falar com os funcionários, porém, percebi que não seria uma conversa amigável. Então, fui embora e, em casa, pensando em tantas pessoas que sofrem com este tipo de preconceito, decidi entrar em contato com a empresa e pedi a nota de repúdio”, afirmou.

“Só tive um pedido de desculpas por uma ‘experiência não satisfatória’ e nada mais. Tentei ligar outras vezes, mandei diversas mensagens e não tive mais resposta. Então, decidi expor o caso. A única coisa que quero é que eles façam uma nota de repúdio pela situação”, apontou.

Além da publicação, Silva procurou a Polícia Civil para registrar o termo circunstanciado de ocorrência, por injúria e difamação.

“Essa situação é minúscula se comparada a tantos casos de homofobia que são noticiados. Mas, eu não poderia esperar ser ferido fisicamente para, então, fazer algo a respeito,ou que eu seja morto, para que minha família, na tristeza do luto, arrume forças para fazer justiça por mim”, completou.

O jovem reiterou que, caso a empresa não se manifeste em público sobre a situação, ele vai entrar com representação judicial contra o supermercado, alegando crime de homofobia. Segundo ele, a “intenção é dar visibilidade ao assunto”.

“Vou lutar para que casos assim não aconteçam mais e que situações piores nem cheguem a acontecer.Não quero visibilidade para o meu caso, quero que as pessoas sejam o que quiserem sem julgamentos pela cor da pele, condição social, etnia, sexo, condição sexual, ideologia de gênero e tantas outras coisas”, concluiu o empresário.

Supermercado se defende

A O Progresso, a assessoria de comunicação do São Roque Supermercados declarou que “respeita a decisão do cliente, mas não concorda com a acusação de que houve crime de homofobia”.

“O São Roque é uma empresa de 46 anos, com 2.500 funcionários, localizada em dez municípios, uma empresa ética, honesta, que respeita o colaborador, e não tem este tipo de postura diante de um cliente, independente de gênero, classe social ou raça”, divulgou a empresa.

A assessoria ressalta que o supermercado treina a equipe para “ter respeito, educação, atender com qualidade todo o cliente, sem discriminação”, e ainda garante que os envolvidos foram chamados para uma conversa.

“Houve uma resposta para o cliente, só que a manifestação de indignação está ocorrendo com uma insistência que a gente não compreende. O São Roque não tem uma postura homofóbica e busca respeitar todos os clientes”, finaliza a assessoria da empresa.

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