‘Empregos’ têm melhor agosto em 13 anos

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PAT registra aumento de entrevistas de emprego (foto: divulgação)
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Da reportagem

Pelo terceiro mês seguido desde a chegada da pandemia do novo coronavírus, o município fechou o índice de vagas formais com saldo positivo. Segundo o Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), 459 novos postos de emprego foram abertos em agosto, entre demissões e contratações.

Os dados foram divulgados na quinta-feira, 30 de setembro, pelo órgão da Secretaria Especial de Previdência e Trabalho, do Ministério da Economia.

O resultado, decorrente de 943 admissões e 484 demissões, é o melhor para o mês de agosto desde 2007, início da série histórica do estudo. O volume representa acréscimo de 71,76% nas contratações com carteira assinada e queda de 7,79% nos desligamentos em relação a julho.

No sétimo mês, o saldo líquido foi positivo em cem vagas, advindas de 549 contratações e 449 desligamentos. Em junho, 91 vagas foram criadas, com 528 admissões para 437 demissões. Os piores meses para o Caged na pandemia foram abril, com perda de 590 vagas, e maio, com a demissão líquida de 692 trabalhadores.

Para Gustavo Grando, diretor do Cate (Centro de Apoio ao Trabalho e Empreendedorismo) e coordenador do PAT (Posto de Atendimento ao Trabalhador), a economia do município está dando sinais de melhora.

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“Estamos muito felizes com o resultado desse mês. Já esperávamos uma melhora, mas o número nos surpreendeu positivamente. Além de ser o maior saldo do ano, também ultrapassou o resultado que tivemos nos últimos anos. Então, com certeza, estamos tendo uma retomada econômica”, opinou.

No oitavo mês, todos os cinco setores pesquisados criaram empregos formais. A estatística foi liderada pela indústria, com a abertura de 237 postos, advindos de 355 admissões e 118 demissões.

A indústria de transformação foi responsável por 348 contratações e 118 desligamentos, resultando em 230 novas vagas, enquanto sete admissões ocorreram na indústria de extrativas (não houve demissões do subsetor no oitavo mês).

O setor industrial é o segundo maior do município, com 8.246 funcionários formalizados na categoria. O número representa 32,66% do total do estoque de 2020, que é de 25.246 empregos.

“Muitas indústrias voltaram a contratar. Sentimos que os empresários estão mais confiantes e passaram a ofertar mais vagas. Agora no mês de setembro, também registramos aumento no número de entrevistas realizadas pelo PAT”, contou o diretor.

Com 152 novos postos, o comércio aparece em segundo lugar. A atividade comercial é a terceira maior empregadora do município, com 6.180 funcionários, 24,47% do total. No período, foram contratados 331 trabalhadores e dispensados 179.

Entre os subsetores, o comércio por atacado (exceto recuperação de veículos automotores e motocicletas) aparece no topo, com mais 81 vagas, advindas de 106 contratações para 25 demissões.

Em seguida, vem o comércio varejista, com a geração de 62 novos postos – resultado de 202 admissões para 140 desligamentos – e, por último, o comércio de recuperação de veículos automotores e motocicletas, com mais nove vagas, advindas de 23 contratações para 14 demissões.

Conforme Grando, as contratações são reflexos da retomada da atividade econômica iniciada no dia 7 de agosto, quando o município entrou para a fase amarela do Plano São Paulo. Com a atualização, restaurantes, bares, salões de beleza e academias puderam voltar às atividades.

“Já na fase laranja do Plano São Paulo, surgiram alguns postos de trabalho, mas, agora, estamos com muitas vagas em aberto para o setor. No mês passado, o PAT recebeu muitos empresários do ramo comercial à procura de mão de obra”, comentou o diretor.

Em terceiro lugar, está o setor de serviços, com 49 postos de trabalho gerados em agosto – resultado de 219 admissões para 170 demissões. A atividade econômica é a maior empregadora da cidade e concentra 33,92% do estoque de empregos, com 8.564 trabalhadores.

Na análise entre os subsetores, o relatório mostra os serviços de transporte, armazenagem e correios em primeiro lugar. Foram 56 vagas geradas, advindas de 108 contratações e 52 desligamentos.

Em seguida, aparecem os serviços de informação, comunicação e atividades financeiras (imobiliárias e administrativas), com mais 26 postos; alojamento e alimentação (mais 19 vagas); administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais (mais 18); e outros serviços (mais quatro).

“Para este setor, creio que também tenha contado algumas admissões ocorridas em agosto, em função da inauguração da UPA (unidade de pronto atendimento), aberta dia 15 de agosto. O hospital contratou mais de 90 funcionários entre o final do sétimo mês e o começo do oitavo”, acrescentou Grando.

Na quarta posição dos que mais empregaram em agosto, está a construção civil. O setor abriu 17 vagas de emprego formal – resultado de 28 contratações e 11 desligamentos. A atividade concentra 3,21% da mão de obra contratada no município, com um total de 761 trabalhadores formalizados.

O setor de construção de edifícios gerou 11 novas vagas, com 14 contratações e três desligamentos. Na área de obras e infraestrutura, foram quatro novas vagas e os serviços especializados tiveram saldo positivo de dois postos de trabalho.

Completa a lista a agropecuária. O grupo, que abrange agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura, abriu quatro novas vagas em agosto, advindas de dez admissões e seis demissões.

A atividade é a quarta maior contratadora e concentra 5,92% do estoque de emprego deste ano, com 1.495 funcionários formalizados.

No acumulado de janeiro a agosto, no entanto, o mercado de trabalho continua sentindo o impacto da pandemia. Nos oito meses, foram fechadas 396 vagas – resultado de 5.464 admissões e 5.860 desligamentos.

O índice aponta o pior resultado para os oito primeiros meses do ano desde 2013, quando haviam sido encerrados 441 contratos de trabalho.

Em janeiro, 18 postos de trabalho acabaram fechados na cidade, com 937 contratações e 955 desligamentos. Em fevereiro, os números subiram, e 242 novas vagas foram geradas, advindas de 1.045 admissões e 803 demissões.

A tendência de saldo positivo foi mantida em março, com mais cinco postos de trabalho. Contudo, a queda no número de contratações e a alta das demissões registradas no mês de abril e maio contribuíram para que o saldo fosse negativo no acumulado dos oito meses do ano.

Na soma dos oito meses, dois setores fecharam com saldo positivo: serviços, com a geração de 110 novas vagas, e agropecuária, com mais 65 postos. Os outros três setores analisados tiveram baixa: comércio (menos 394), construção (108) e indústria (menos 69).

Ainda segundo o levantamento, comparadas aos primeiros oito meses de 2019, as admissões caíram 11,52% e as demissões subiram 0,46%. O levantamento não leva em consideração funcionários públicos estatutários e trabalhadores na informalidade.

O resultado positivo da retomada econômica se refletiu em todas as regiões brasileiras. O Sudeste liderou a abertura de vagas, com 34.157 postos a mais, seguido pelo Nordeste, com 22.664 postos criados, e pelo Sul, com mais 20.128 postos. O Centro-Oeste abriu 14.084 postos de trabalho e o Norte criou 13.297 postos formais no mês de agosto.

Na divisão por unidades da Federação, a criação de empregos se disseminou pelo país. Todos os estados e o Distrito Federal abriram postos com carteira assinada em agosto.

As maiores variações positivas ocorreram em São Paulo, com a abertura de 64.552 postos; Minas Gerais, 28.339 postos; e Santa Catarina, 18.375 postos. Os três estados que menos criam postos de trabalho foram: Sergipe, com 368 postos; Amapá, 434 postos; e Roraima, 700 postos.

Para os próximos meses, Grando disse ter expectativa de continuidade do saldo positivo. Segundo ele, a procura por mão de obra, por meio do PAT, aumentou no mês de setembro, e os números devem aparecer no saldo referente ao mês.

“Acredito que os números vão continuar em uma crescente. Inclusive, nossa meta é terminar o ano com saldo positivo no acumulado de janeiro a dezembro. Estamos trabalhando em busca disso”, salientou.

Segundo ele, uma das empresas que podem ajudar em resultado positivo é a Spani Atacadista, do Grupo Zaragoza. O PAT iniciou no final de agosto o processo de seleção de 200 funcionários para a unidade tatuiana.

“No começo do mês de setembro, o grupo já formalizou 70 contratações diretas. Agora, em outubro, serão mais 70”, garantiu o diretor.

Grando apontou que a empresa já está gerando empregos indiretos na cidade com prestadores de serviços para a obra. A mão de obra é de Tatuí, embora as vagas preenchidas sejam contabilizadas para o Caged do município de origem da empresa contratante.

A unidade, situada entre as rodovias Mário Batista Mori (SP-141) e Antonio Romano Schincariol (SP-127), na vila São Cristovão, está em fase de construção. A previsão inicial do grupo era de inaugurar a loja no dia 20 de outubro deste ano, contudo, segundo Grando, a nova expectativa é de abertura em novembro.

Para o diretor, os empregos gerados pelo atacadista podem ajudar a alavancar o índice de vagas nos próximos meses e reverter um pouco das perdas ocorridas nos meses de abril e maio, devido à pandemia.

Ele apontou esperar mais de 1.200 vagas de emprego para o primeiro semestre de 2021, com inaugurações, ampliações e retomadas anunciadas por empresas de diversos setores, como a Polimix Concreto, rede de Supermercados Real, Yazaki, Landpack, Newpel (indústria de papel), Açaí Town, BRF Sadia e FBA.

Grando ainda destacou ter aumentado o espaço de atendimento às empresas para “agilizar” o processo de contratação, disponibilizando salas para as contratantes realizarem entrevistas de emprego, exames admissionais e treinamento.

“Estamos usando diversas salas do edifício do antigo Alvorada para entrevistas, a escola ‘Eugênio Santos’ para exames admissionais e, neste mês, vamos usar os CEU das Artes para fazer a integração dos novos funcionários da BRF”, enumerou o diretor.

“A demanda está grande. Então, nosso trabalho enquanto órgão da prefeitura, é tentar agilizar o processo de contração. Além de disponibilizar os espaços, lançamos um banco de dados de currículos em um site novo, que facilita para o trabalhador a procura de emprego e para a empresa que procura a mão de obra”, concluiu Grando.

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