Doutor Jorge Sidnei comemora 40 anos na área de saúde preventiva

Médico pediatra é diretor clínico da Clínica de Vacinação ‘Sou Doutor Cevac’

Em 2022, o doutor Jorge Sidnei Rodrigues da Costa, proprietário e diretor clínico da Clínica de Vacinação “Sou Doutor Cevac”, completa 40 anos de prestação de serviços em saúde preventiva em Tatuí. Localizado na rua Prefeito Assunção Ribeiro, 81, no centro, o empreendimento é reconhecido regionalmente.

Pioneiro na aplicação de vacinas no município, o “Sou Doutor Cevac” é fruto do trabalho de um dos mais respeitados médicos pediatras e alergologistas da cidade, o doutor Jorge Sidnei Rodrigues da Costa.

Formado há 45 anos pela Faculdade de Medicina de Itajubá, o profissional tem participação na saúde pública para além da vacinação. Em Tatuí, ajudou na estruturação da atenção básica.

Durante os estudos, Jorge Sidnei atuou como residente em diversos hospitais da prefeitura da cidade de São Paulo. Entre eles, os hospitais municipais do Tatuapé, Hospital “Menino Jesus” e do Servidor Público Municipal. Ainda atuou no Instituto de Infectologia “Emílio Ribas” e no Hospital Geral da Vila Nova Cachoeirinha. “Fui passando por vários estágios, conforme a especialidade”, conta.

O médico concluiu a graduação em 1981, retornando para Tatuí, em definitivo, no ano de 1982. Ele havia se mudado para a capital em 1972. Em Tatuí, instalou, com outros três colegas médicos, a primeira clínica pediátrica e de vacinação da cidade. Ela funcionou no número 770 da rua do Cruzeiro, no centro.

De lá, a clínica teve outros endereços, ficando, mais tarde, a cargo somente do pediatra. Na época, Jorge Sidnei conta que era o único especialista em crianças na cidade a ter consultório sozinho. “Sempre procurei estar na vanguarda, trazendo novidades na área da vacinação”, lembra o médico.

A primeira contribuição do atual centro de vacinação, como clínica, veio já em 1982. Naquele ano, o espaço trouxe para Tatuí a vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola.

A imunização só começou a ser aplicada nos postos de saúde em 1992, quando entrou para o PNI (Programa Nacional de Imunizações), que instituiu o calendário básico de vacinação. Hoje, o PNI da saúde pública é considerado um dos melhores do mundo.

O trabalho contribuiu para a redução dos casos de complicações na gravidez, de gestantes que contraíam doenças como a rubéola, por exemplo. Na mesma direção, ajudou a evitar mortes de crianças por rubéola congênita.

Além da vacina MMR (sigla em inglês para a tríplice viral – measles, mumps e rubella), a clínica introduziu a aplicação de outra imunização inédita. Dessa vez, contra a Haemophilus influenzae tipo B, bactéria que causa a popular meningite.

“Assim que começamos a aplicar, o número de casos começou a diminuir. Essa vacina também entrou na rede pública mais tarde, quatro ou cinco anos após”, relata.

O pioneirismo na área começou com a luta pela abertura da clínica. Para iniciar as atividades, Jorge Sidnei precisou realizar um curso de seis meses, na capital do estado, de BCG intradérmica, que protege contra a tuberculose. A capacitação era oferecida no Instituto “Clemente Ferreira”, na rua da Consolação, em São Paulo.

Além dela, a exigência para a autorização da clínica incluía leitura de PPD, como é chamado o teste de Mantoux, um exame voltado para o diagnóstico da tuberculose.

Já devidamente capacitado, o médico solicitou, junto à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), a autorização para a criação do posto de vacinação.

No início das atividades, a unidade recebeu autorização para operar tanto a nível municipal como estadual. “Naquele tempo, precisava ter os dois. Eu fui contemplado com a publicação no Diário Oficial do estado”, descreve.

Credenciada, a clínica faz parte do SUS (Sistema Único de Saúde) desde 1983. “Minhas vacinas são particulares, mas elas complementam o SUS”, acentua.

Isso significa que a clínica pode tanto carimbar as cadernetas emitidas pelo sistema público (aquelas emitidas nos postos de saúde) como preencher o próprio documento. As duas carteirinhas são válidas em todo o território nacional.

Quem vai à Clínica de Vacinação “Sou Doutor Cevac” pode tanto realizar a imunização completa – desde a infância até a fase adulta – como tomar doses que não são aplicadas no SUS (como a da dengue) ou reforçar alguma outra vacina.

A “Sou Doutor Cevac” oferece, por exemplo, a Prevenar 13, que ajuda a proteger o organismo contra 13 tipos diferentes da bactéria Streptococcus pneumoniae, responsável por doenças como pneumonia, meningite, sepse, bacteremia ou otite média.

O SUS, conforme o pediatra, distribui para os municípios a aplicação da Pneumo 10, que previne contra dez tipos de Pneumococos.

Jorge Sidnei ressalta que o SUS aplica a vacina pentavalente (combinação de cinco em uma) e a clínica, a hexavalente (que agrega seis vacinas numa só aplicação intramuscular).

O médico explica que a tríplice bacteriana distribuída na rede pública é feita da célula da bactéria (vacina celular – DPTw). Já a ofertada pela “Sou Doutor Cevac” é produzida com a proteína da bactéria (DTPa – tríplice acelular) e, por esse motivo, não provoca reações adversas e não é hiporresponsiva (não causa febre, irritação, sonolência e gemência).

“As vacinas celulares são extremamente reatogênicas; as acelulares, não”, atesta. “Entretanto, o efeito de proteção é o mesmo, só a reação é que é diferente”, pontua.

O médico explica que, por conta da tecnologia empregada, as imunizações ofertadas no centro de vacinação têm um custo. Contudo, os valores não são exorbitantes, iniciando-se a partir de R$ 100.

“Depende de cada vacina: quanto mais nova ela é, mais tecnologia ela tem, mais proteção ela vai oferecer, porém, são as mais caras. Mas, eu sempre costumo dizer para os meus clientes que vacina não é gasto: é investimento!”.

Outra vantagem de quem procura um centro de vacinação particular é o acesso a imunizações que ainda não estão disponíveis na rede pública. É o caso da dengue e da vacina contra o cobreiro (Herpes Zóster).

Jorge Sidnei explica que há quatro tipos da dengue (DEN 1, DEN 2, DEN 3 e DEN 4) e que a proteção é ofertada para pessoas a partir dos nove anos de idade que já tiveram a dengue. “São aplicadas três doses no intervalo de seis meses entre elas”, detalha.

A “Sou Doutor Cevac” disponibiliza para Tatuí e região, ainda, a vacina contra a Herpes-zoster, uma infecção que resulta da reativação do vírus da varicela zoster (catapora), que fica latente no organismo. Trata-se do popular “cobreiro”, combatido com aplicação da Zostavax.

“É uma doença muito dolorosa, que dá bolhas no corpo; às vezes, no tórax, no rosto (sendo mais comum no tórax). Mesmo quem esteja com a doença (em atividade) pode tomar a vacina. O efeito dela será a minimização dos sintomas”, explica.

Para quem já se imunizou contra difteria, tétano, coqueluche, hepatite B e meningite na rede pública, a Clínica “Sou Doutor Cevac” oferece “upgrade” ou, dependendo do caso, uma dose de reforço.

“Contra a hepatite A, por exemplo, o SUS aplica uma dose, mas a Sociedade Brasileira de Pediatria preconiza duas. No centro de vacinação, nós atuamos como um sistema complementar e seguimos o calendário preconizado pela Sociedade Brasileira de Pediatria e pela Sociedade Brasileira de Imunizações”, acentua.

Na mesma linha da medicina preventiva, Jorge Sidnei colaborou para a estruturação da Saúde no município. Com a clínica, trouxe imunizações e, na profissão, contribuiu para a construção do atual sistema municipal de saúde.

Na cidade, ele atuou para estimular o aleitamento materno, na maternidade, iniciando na gestão do ex-prefeito Joaquim Amado Quevedo. O processo de municipalização da Saúde durou três anos, tendo iniciado em 1983, com três funcionários, e concluído em 1986, com mais de 280 servidores.

Nesse último ano, houve a abertura dos postos de saúde no São Cristóvão, na vila Dr. Laurindo e no Valinho (este ocupando parte do prédio da atual Escola Técnica de Enfermagem “Dr. Gualter Nunes”), na Fundação Manoel Guedes, a reforma do Centro de Saúde “Dr. Aniz Boneder”, com a colaboração do seu diretor na época, Dr. Newton Sasaki.

Na sequência, vieram as unidades do bairro de Americana (atual distrito) e de Quadra, que, na época, pertencia a Tatuí, sendo antigo distrito.

O médico também ajudou a implantar o serviço social, introduziu as primeiras ambulâncias e criou o CEP/CAR (Centro de Estimulação Precoce) do município, já com uma equipe de saúde multidisciplinar.

Auxiliaram no trabalho o dentista Dr. Flávio Hoffmann, os veterinários Dr. Maurício Brégula e Dr. Evaldo Santos de Campos e os médicos Dr. Lourenço Cristóbal Blanco, Dr. Newton Sasaki, Dr. Aniz Antonio Boneder e enfermeira Luiza Barbosa, que atuava na saúde municipal como diretora do antigo Eesa e chegou a ser vice-prefeita.

“Tivemos o auxílio, ainda, do saudoso engenheiro José Silveira e de muitos profissionais de saúde na época, que não conseguiremos marcar o nome de todos, devido ao espaço”, lembra o médico.

Jorge Sidnei ainda contou com apoio de um desembargador do estado aposentado que residia em Tatuí, Dr. Nélson Marcondes do Amaral. Por intermédio dele, o médico alcançou o então secretário de saúde do estado, José Aristodemo Pinotti, na gestão de Orestes Quércia. “Tivemos muita ajuda, também, na criação do Departamento de Saúde de nosso amigo, João Levi, o Repórter da Cidade”, conta.

“Nós íamos muito a São Paulo para reivindicar postos de saúde e melhorias para a saúde. Toda a estrutura que está aí, hoje, na saúde pública, metade dela foi a nossa equipe que construiu, com o apoio do prefeito Véio Quevedo”, afirma.

Além dos postos, Jorge Sidnei trabalhou para a inclusão nas escolas da rede estadual e nos postos de saúde de dentistas, médicos pediatras e especialistas. “Nós começamos a fazer o controle da gestão com as mães e, na Santa Casa, criamos a sala de amamentação para incentivar a prática”, recorda.

De acordo com o médico, o aleitamento materno é primordial para a prevenção de doenças, assim como as imunizações. “Nós prevenimos as doenças pelo aleitamento, que transmite anticorpos, e pelas vacinas”, explica.

Por acreditar nessa premissa – e nos resultados – é que o pediatra trouxe a Tatuí as imunizações e realizou o trabalho de construção do sistema municipal. “Desta forma, começamos a melhorar o nosso índice de saúde. E hoje, graças a Deus, Tatuí tem um modelo de saúde que nós criamos”, enfatiza.

No CEP/CAR, por exemplo, crianças com deficiência passaram a ter acompanhamento de equipe multiprofissional. Segundo o médico, desde o início – até os dias atuais –, o centro fornece atendimento a crianças com neurologistas, psicólogos, fonoaudiólogos, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais e outras especialidades afins.

“A equipe fazia com que a criança fosse estimulada precocemente, desde os primeiros meses de vida, para que tivesse um desenvolvimento neuropsicomotor melhor. Aquilo foi uma inovação na época”, avalia.

Outra mudança foi a criação do sistema de transporte de pacientes que, inicialmente, tinham de ir para fora do município para se consultarem com especialistas.

Superadas as dificuldades iniciais, o profissional ajudou a incorporar o Cemem (Centro Municipal de Especialidades Médicas) no município, além das Vigilâncias Sanitária e Epidemiológica, o canil municipal e o Departamento de Saúde, atualmente Secretaria Municipal de Saúde.

“Hoje, Tatuí conta com uma Secretaria Municipal de Saúde exemplar e que serve de modelo para várias cidades da região”, conclui Jorge Sidnei.

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