Comidas de boteco ganham evento de 31h

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AC Prefeitura / Evandro Ananias

Público poderá degustar até 45 tipos de porções que serão servidas em tamanho ‘individual’ em uma das 145 mesas distribuídas pelo espaço da fábrica São Martinho

 

Visitar mais de uma dezena de bares em Tatuí de uma só vez, provar 45 tipos de porções, ouvir música, encontrar amigos e conhecer mais sobre um patrimônio arquitetônico da cidade. Esta é a proposta do primeiro “Festival de Comida de Buteco”, promovido pela Prefeitura, que terá 31 horas de duração.

Realizado pelo Departamento Municipal de Cultura e Desenvolvimento Turístico, da Secretaria Municipal da Educação, Cultura e Turismo, o evento privilegia a chamada “baixa gastronomia”. A abertura estava agendada para as 18h de sexta-feira, 20, após o fechamento desta edição (17h).

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O festival tem como atrações “os melhores petiscos da cidade” e grupos musicais . Ele acontece num dos espaços mais significativos do município, a fábrica São Martinho.

“São uma noite e dois dias de evento”, explicou o diretor do departamento organizador, Jorge Rizek.

Conforme ele, na sexta, sábado e domingo, 20, 21 e 22, os portões serão fechados às 23h. A Prefeitura deverá “desacelerar” o evento a partir das 22h30. “Vamos fazer como se faz em uma feira. A partir de certa hora, os serviços serão suspensos”, citou. O objetivo é evitar aglomeração ao final dos dias.

No sábado e no domingo, o festival terá duração de 12 horas (começa às 11h e termina às 23h). A iniciativa acontece no “jardim” da fábrica, local escolhido a partir de sugestão do prefeito José Manoel Correa Coelho, Manu.

Rizek contou que o prefeito aprovou a ideia a partir do “sucesso da Festa do Doce”. “Havia uma agenda feita pela nossa equipe no início do ano, com uma previsão de realização desse evento”, contou Rizek.

“Em conversas com o prefeito, ele aprovou a ideia, e toda a história de fazermos na São Martinho. Já tínhamos a pretensão, e parece que nós e o prefeito caminhamos no mesmo sentido”.

Para tornar a proposta realidade, o departamento deu início à formação de um grupo de trabalho. Inicialmente, houve contato com todos os representantes de estabelecimentos que se “encaixavam no perfil do festival”.

“Alguns aceitaram, outros, não. Depois de termos o retorno, começamos a fazer o mesmo trabalho que nós desenvolvemos com os produtores de doce”, citou Rizek.

O diretor convocou reuniões com os representantes e ofereceu a eles palestras com a Vigilância Sanitária e com o Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas).

As capacitações tiveram como objetivo dar apoio às equipes dos estabelecimentos na organização deles para participação no festival e em outros eventos.

“Nós formamos uma comissão que atuou junto com o departamento”. Rizek informou que o grupo produziu um dossiê do evento, no qual estão incluídas sugestões e opiniões apresentadas pelos representantes.

Todas as questões passaram por votação. “Até mesmo a localização dos estandes dos botecos dentro do jardim da fábrica aconteceu por sorteio”, disse.

Mais que apresentar a gastronomia dos bares à população, Rizek destacou que o evento tem como objetivo resgatar a “vida noturna” do município. O diretor citou que Tatuí “sempre teve grande fama de ter noites movimentadas”.

“Nós tínhamos alguns movimentos interessantes que, depois de certo tempo, acabaram. Então, queremos ativá-los, e nada melhor que uma gastronomia de boteco, de bares, para provar que Tatuí tem qualidade”, afirmou.

O público poderá experimentar cardápio variado. Cada boteco (são 15 no total) tem a oportunidade de oferecer três pratos. Serão servidas porções individuais, para estimular os consumidores a conhecer o máximo de opções possíveis.

“O evento é, na verdade, uma grande degustação. Também movimenta a economia local e atrai turistas”, opinou Rizek. Para ele, o festival permitirá não só que mais pessoas conheçam a gastronomia, mas um patrimônio arquitetônico do município.

A fábrica São Martinho é tombada pelo Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico).

“Ele vai estimular que as pessoas voltem a fazer o turismo noturno em Tatuí. Também acho que serve para unir todos os proprietários de bares, para que eles formem uma associação e possam ter representatividade”, argumentou.

O cardápio geral do evento, divulgado pela Prefeitura, apresenta a escolha dos representantes de bares e inclui pratos que possam ser preparados no espaço – o jardim da fábrica.

Apenas aquele espaço será utilizado. “Cada um escolheu seu carro-chefe. Também visamos à facilidade no preparo”, contou o diretor.

Rizek disse que o público terá acesso somente ao jardim da São Martinho. Os demais ambientes da fábrica “serão vedados”. O acesso será feito pelos portões que ficam no cruzamento das ruas Nhô Nhô da Botica com Coronel Aureliano de Camargo.

O trecho será interditado pelo Demutt (Departamento Municipal de Trânsito e Transportes). De acordo com o diretor, não será permitido o estacionamento de veículos na região, para facilitar o acesso do público.

As tendas e quiosques ficarão espalhados nas laterais do jardim. O espaço também ganhará banheiros químicos, abrigará gerador e palco para apresentações – montado no centro. A expectativa é de que os grupos e cantores façam apresentações “de hora em hora” na sexta, sábado e domingo.

A Prefeitura também solicitou, por meio do Demutt, a presença de taxistas nas proximidades da fábrica. O intuito é permitir que os visitantes que consumirem bebida alcoólica possam voltar para a casa sem oferecer ou sofrer riscos.

Conforme Rizek, o serviço será facultativo e oferecido a quem se disponibilizar a pagar pelo transporte.

Os taxistas haviam sido contatados pelo Departamento de Trânsito, que desenvolve campanha educativa a pedido do diretor. Entre seis e dez táxis deverão oferecer o serviço de transporte.

A programação musical inclui jazz, choro e samba raiz. São estilos considerados “lights” e apropriados para o evento. A maioria dos artistas deverá optar por show “mais intimista”, com “banquinho e violão”. “É um som de barzinho, que vamos ter durante todo o evento”, destacou Rizek.

Segundo ele, a organização está preparando o repertório – em acordo com os músicos – de forma a integrá-lo ao evento. A intenção é fazer com que as músicas não “destoem do clima” e, desta forma, o público possa desfrutar da mesma sensação de estar num dos 15 botecos participantes do festival.

Como esta será a primeira edição do evento, Rizek disse que a expectativa sobre a presença de público é diferente da “Festa do Doce”. Conforme ele, a organização espera que quem for ao festival possa, realmente, consumir a “baixa gastronomia”.

Para recriar a mesma atmosfera, cada boteco contará com uma “varanda” para os clientes mais frequentes, com mesas e cadeiras.

Quem não conseguir lugares nesses espaços, poderá se sentar numa das outras 145 mesas espalhadas pela organização. “Elas serão montadas de modo que não atrapalhem o deslocamento das pessoas pela fábrica”, disse Rizek.

Esta é a razão de o placo ser montado no centro. A localização garantirá que os artistas sejam vistos dos quatro cantos do espaço.

O jardim receberá, também, exposições de fotografias e quadros produzidos sobre a São Martinho. Os trabalhos são assinados por artistas variados, convidados para a mostra.

No primeiro dia do festival, o departamento faria a apresentação e posse dos novos membros da diretoria do Conselho Municipal do Patrimônio Histórico.

Havia, ainda, a expectativa de que o proprietário da fábrica, Jorge Chammas, pudesse comparecer à abertura e anunciar (em Tatuí) projeto apresentado em 2011.

Trata-se da ocupação das instalações da São Martinho por um teatro (que teria o nome de João Carlos Martins) e de uma sala de espetáculos.

A proposta havia sido anunciada pelo empresário em São Paulo, na sede do Moinho São Jorge, e repercutida por O Progresso, por meio de coluna social de Rizek.

O diretor disse que há entendimento inicial entre o Executivo e o proprietário para a recuperação do espaço. Ele afirmou, também, que o uso da fábrica para o evento só foi possível por conta de colaboração de Chammas.

Ao realizar o evento na fábrica, Rizek cita que se está abrindo precedente: o de chamar a atenção para os demais prédios históricos do município.

“Junto com o evento e o novo conselho, queremos angariar novos espaços e ver se conseguimos, de uma forma efetiva, que eles sejam restaurados”.

“Criamos esse evento para dar movimento à área de patrimônio histórico e cultural. Queremos chamar a atenção para ela e para a preservação”, emendou.

A Prefeitura contratou segurança particular para atuar internamente no local. A área externa será monitorada por equipes da GCM (Guarda Civil Municipal) e PM (Polícia Militar).

O Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) também disponibilizará viaturas para prestar primeiros-socorros.

“Tomamos todos os cuidados possíveis. Tanto é que o evento não vai chegar à madrugada. Aliás, o horário (das 23h) fica como se fosse um convite para quem quiser dar uma ‘esticada’ nos outros lugares da cidade”, concluiu.

O primeiro “Festival de Comida de Buteco” terá como atrações musicais: bossa e jazz, com Ditinho do Sax; Zé Erasmo e Trio; Trio Clariô; banda Lexxus; Grupo de Choro Casa Velha; Camisa Listrada; Sancachambô; Quarteto Lagartixa; Delírios do Samba; Aruan e Tigre; 2 Friends; e Julio Nascimento Trio.


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