Circulo de dança e vivência

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Cristiano Mota

Atividade mantida em parceria com museu ‘Paulo Setúbal’ reúne grupo de 20 pessoas e visa ‘experimentações’

 

Se aproximar, interagir e aproveitar. Esses são os três passos básicos que se deve seguir para conhecer a “dança circular”. Ela é praticada em Tatuí há dois meses, na praça Manoel Guedes, no centro, por meio de parceria entre Géssica Gralhóz e a coordenação do Museu Histórico “Paulo Setúbal”.

“O que nós estamos fazendo aqui são vivências”, explicou Géssica, que é “focalizadora”. Esse é o nome dado aos professores de dança circular, que não são especializados, ou não têm formação em nenhum tipo de dança tradicional.

As experiências são gratuitas e apresentam aos participantes danças folclóricas do mundo todo. “A maioria delas é dançada em círculo”, disse a focalizadora.

O projeto na cidade existe há dois anos, tendo se iniciado por meio de iniciativa da então Secretaria Municipal da Educação. Géssica trabalhou por três anos na Prefeitura e, na gestão anterior, começou a desenvolver a dança circular com professores da rede municipal. Ela ministrava um curso regular, voltado aos educadores, para que eles pudessem aplicar a dança nas escolas.

“Foi bem interessante, mas, em março deste ano, eu pedi para sair”, contou a focalizadora. Géssica afirmou que tinha outros projetos e precisava de tempo para poder colocar todos em prática.

Apesar do distanciamento, a professora manteve contato com os “pupilos” e, por sugestão da coordenadora do museu, Raquel Fayad, decidiu retomar a experiência.

Desde o mês de outubro, Géssica reativou o projeto e abriu as vivências para o público em geral. Os encontros com os participantes acontecem todas as quartas-feiras, das 17h30 às 18h30. Ele é aberto a quem conhece e a quem não tem nenhum tipo de noção ou conhecimento sobre danças.

“Na verdade, o objetivo da dança circular é que a gente se harmonize, enquanto deixamos o estresse de lado. Damos as mãos, em círculo, e celebramos a vida. Deixamos fluir um pouco”, comentou.

Os tipos de danças são repassados por meio de propostas que incluem a apresentação de músicas. “Eu ensino rapidamente os passos, porque são danças dos povos, simples, e que não requerem grandes habilidades”, descreveu Géssica.

As vivências são divididas em três momentos, sendo o primeiro a apresentação da dança, seguida de explicação. No segundo, os participantes executam os movimentos e, no terceiro, debatem sobre a experiência.

Em todos os encontros, o grupo passa a conhecer sobre danças de povos antigos, países de origem e significados. “Depois que a gente executa, nós vemos se a dança fez sentido para cada um dos participantes, e qual”, disse Géssica.

O público é eclético e tem espaço – ao final do encontro semanal – para apresentar e debater impressões sobre a experiência. “Não necessariamente as pessoas precisam falar, mas, durante a dança, as emoções afloram, e, depois, os participantes podem dizer alguma coisa”.

Segundo Géssica, a dança circular não é comum na região. Além de Tatuí, é executada em Itu, por um “pequeno grupo” de pessoas. Talvez uma das razões para que não seja tão difundida é que a dança circular não é voltada a apresentações.

A focalizadora relatou que ela visa “mais a parte interior dos participantes, da descoberta pessoal e do desenvolvimento das pessoas enquanto ser humano”. “Lógico que nós nos apresentamos para divulgar, mas a dança circular não tem muito esse objetivo, e também não há uma linha específica”.

Segundo a focalizadora, as danças circulares surgiram com o coreógrafo de origem alemã-polonesa Bernhard Wosien. “Ele percebeu, depois de já mais idoso, que o corpo não respondia como antes. Daí, com pesquisas, percebeu que a dança deveria estar com o povo e não só no palco”.

Géssica defende a dança circular como algo “mais livre” que as tradicionais (clássica, jazz, entre outras). “Por ter o sentido mais popular, ela ganhou apelo cultural, sendo reforçada por meio de encontros entre pequenos grupos de pessoas”.

As reuniões na cidade seguem, neste ano, até a quarta-feira da semana que vem, 18. Depois, retornam no dia 8 de janeiro, aceitando novos participantes.

“Não há inscrição, não há exigências. A única coisa que pedimos é que as pessoas assinem um livro de presença no museu, para termos controle”, disse Géssica.

Desde outubro, a média de participantes tem se mantido em 20. Entre eles, está Eloisa Pedroso, de 61 anos, que vive as experiências há praticamente um ano. Ela começou na dança circular quando o projeto era voltado aos professores.

“No ano passado, ela (Géssica) abriu para quem quisesse conhecer. Eu fui, e estou até agora”, relatou Eloisa. “A dança circular é algo muito bom. A gente acaba criando um vínculo de amizade com as pessoas, tanto que algumas que não eram do meu convívio, hoje, eu tenho muita consideração”.

Ao longo de um ano, Eloisa ampliou o repertório cultural, fez amigos e melhorou a concentração. A participante disse que não conhecia nenhuma dança apresentada por Géssica e que só se lembrava das brincadeiras de roda da infância.

“É muito interessante. Mexe muito com a gente. Inclusive, eu acho que é uma hora que equivale quase a uma meditação. Isso porque você está focado naquilo, tem de prestar atenção nos passos, para acompanhar”, descreveu.

Além da mente, Eloísa disse que sentiu melhora no corpo. Mesmo com muitos movimentos – a grande maioria suave –, a participante afirmou que não se sente cansada. “Ao contrário, tenho disposição. O dia que venho aqui, durmo melhor”, comentou.

Quem também teve a vida modificada com a dança circular foi Danilo Vieira de Camargo Filho. Há mais tempo que Eloísa – participa há dois anos –, Filho disse que o aprendizado em grupo o fez refletir melhor sobre a vida, e recomenda a experiência para todos.