Cinco pontes no Manduca são ‘vigiadas’

 

Cinco vias que ligam pontos distintos do município passando pelo ribeirão do Manduca estão sob monitoramento constante da Prefeitura. O Executivo informou que mantém avaliação por um período indeterminado dos acessos ao Jardim Lírio, Colina Verde, Bosques do Junqueira, Jardim Paulista e vila Esperança.

“Tudo está sendo avaliado pelos nossos engenheiros”, declarou a prefeita Maria José Vieira de Camargo a O Progresso. Desde o dia 5, com a queda da ponte do Jardim Junqueira, funcionários municipais percorrem as vias de ligação para verificar a condição estrutural delas.

As pontes que passaram a receber atenção da administração absorvem boa parte do tráfego de veículos desviado das regiões do Marapé (cujo acesso caiu em março do ano passado) e da marginal do ribeirão do Manduca. A situação da região começou a se complicar em 2016, quando a ligação do Marapé caiu.

O acesso liga o centro da cidade à vila São Cristóvão e às rodovias Mário Batista Mori (SP-141), Antônio Romano Schincariol (SP-127) e Castello Branco (SP-280). Também é passagem para moradores, estudantes e trabalhadores da vila Angélica, Jardim Aeroporto, Jardins de Tatuí e Jardim Gonzaga.

De modo a reduzir o impacto para os usuários, a Prefeitura instituiu um novo traçado, pelo qual pedestres, motos, carros, ônibus e caminhões pudessem circular.

O percurso fazia uso, primordialmente, da ponte do Junqueira, até então sem problema. Por conta das chuvas que caíram entre o fim do ano passado e o início deste e do fluxo de veículos, o acesso ao Junqueira também caiu.

A ponte apresentou desnivelamento no início deste ano, o que obrigou o Executivo a interditá-la parcialmente. No dia 5, porém, por conta da chuva, o piso da ponte “escorregou”, fazendo com que ela cedesse em um dos lados da cabeceira. Em função disso, a Prefeitura decretou situação de emergência.

Na mesma semana, outras duas pontes – das oito que dariam “vazão ao tráfego” – sofreram interdições. A Prefeitura impediu totalmente a passagem de veículos no Bosques do Junqueira e parcialmente (com um veículo por vez) no Jardim Paulista, na semana passada, a fim de evitar novos danos.

Também restringiu a circulação nas ligações do Jardim Lírio, que faz parte do traçado do anel viário, e da vila Esperança, entre as ruas Bento Correa Antunes e Alfredo Simão de Oliveira. Esta ponte recebe a maioria dos veículos que têm como destino a vila Angélica e entorno e o município de Cesário Lange.

Na Colina Verde, a Prefeitura notificou a empresa responsável pela recuperação – contratada por meio de licitação em janeiro do ano passado – para retomar as obras na primeira semana do ano.

A assessoria de imprensa da administração informou que a empreiteira paralisou o processo por conta de um problema na medição. A recuperação foi retomada no início da semana passada.

A interrupção se deu após fiscalização de técnicos do governo do Estado de São Paulo. De acordo com a Prefeitura, houve um entrave com relação à espessura de uma das estruturas de reforço da ponte. A questão já foi sanada, possibilitando a retomada das obras de recuperação.

Em paralelo, Maria José ressaltou que a Prefeitura está trabalhando em ações pontuais. Na ponte do Jardim Lírio, por exemplo, funcionários do Demutt (Departamento Municipal de Trânsito e Transportes) e agentes da Guarda Civil Municipal realizaram fiscalização, com orientação a motoristas.

Por dois dias, os veículos transitaram no sistema “pare e siga”, em função de um acidente de trânsito. Na tarde de terça-feira, 10, um caminhão carregado com tijolos tombou no acesso do Reserva dos Ypês. O veículo precisou ser removido por um guincho e os produtos, reacomodados em outro veículo.

“Nós, inclusive, determinamos a instalação de uma sinalização para alertar que só é permitida a passagem de uma carreta por vez e não duas”, afirmou a prefeita.

Maria José também antecipou que técnicos da Prefeitura iniciaram a discussão do desenvolvimento de um projeto de microdrenagem para a região do São Cristóvão e de uma solução para a “churrasqueira” (como ficou conhecida popularmente a obra do canteiro central da avenida Vice-Prefeito Pompeo Reali).

A meta é permitir maior estabilidade às futuras novas pontes (a do Marapé – em construção – e a do Junqueira – cujos recursos estão sendo pleiteados pela Prefeitura). Para isso, a Prefeitura está avaliando ações que não comprometam a impermeabilização do solo, especialmente na região do São Cristóvão.

Em obras desde março do ano passado, a avenida que corta o bairro recebeu novo recapeamento, restauração de calçadas, ganhará lombofaixas e melhorias na iluminação pública. Entretanto, uma das mudanças poderá ser revista.

Apesar de o projeto não ter sido concluído, a prefeita antecipou que o canteiro central deve ser alterado. Pelo menos, para garantir que as chuvas não criem o efeito de aquaplanagem (deslizamento de veículo sobre a água) e deteriorem mais cedo o asfalto.

O projeto em execução na avenida começou a ser discutido em 2014. Em junho de 2015, a Prefeitura firmou convênio com o governo do Estado. O custo total da obra é de R$ 863.025,48, incluindo contrapartida municipal.

O recurso foi disponibilizado por meio de emendas parlamentares dos deputados Carlos Cesar (estadual – PSB) e Baleia Rossi (federal – PMDB).

“Temos um projeto de canalização para reduzir o fluxo de água que desce pela avenida. E ele inclui a revisão do canteiro central”, antecipou a prefeita.

No entanto, o Executivo deve avaliar uma intervenção com o respaldo da Justiça. Maria José argumentou que a obra é resultado de convênio, tem recurso do governo do Estado e, portanto, não pode ser demolida de uma hora para outra.

“Houve um processo ali. Foi investido dinheiro público: mais de R$ 800 mil. Nós não podemos simplesmente chegar e colocar no chão”, argumentou.

A Prefeitura tem planos para “mudar a função do projeto original”. Contudo, precisa concluí-lo primeiro para, depois, avaliar o que pode ser feito.

“Temos que ter um respaldo do Ministério Público, porque o projeto até pode ser alterado, mas desde que se justifique a finalidade”, concluiu a prefeita.

Situação das pontes:

Ponte do Marapé

A Prefeitura notificou, no dia 11 deste mês, a empresa responsável pela obra. Conforme o Executivo, a empreiteira teria abandonada a reconstrução havia mais de 60 dias. Ela ainda tem prazo de cinco dias úteis para recorrer (a vencer nesta quarta, 18).

A tendência é que a atual administração rompa o contrato com a construtora, conforme antecipado pela prefeita. Uma nova empresa poderá assumir a obra, caso haja processo licitatório.

Ponte do Junqueira

Com autorização da Defesa Civil do Estado, o Executivo iniciou, no dia 11, a desobstrução do ribeirão do Manduca. Uma equipe começou a retirar o entulho.

De acordo com a Prefeitura, a desobstrução é importante “porque, com as chuvas, o entulho pode ser arrastado pelas águas e prejudicar outras pontes”. O Executivo também realizou a sondagem de solo, para futura reconstrução.

Ponte do B. do Junqueira

O local está interditado para a passagem de veículos por prevenção, já que uma das cabeceiras da ponte apresentou problemas. Os moradores do condomínio utilizam, desde a semana passada, uma entrada lateral, pelo Jardim Paulista.

A Defesa Civil do município já iniciou estudo que prevê a recuperação da via.

Ponte do Jardim Paulista

A Prefeitura interditou o local para caminhões e ônibus para “administrar o intenso tráfego de veículos na região e preservar a estrutura”. Conforme o Executivo, restos do entulho da ponte do Marapé permaneceram no leito do ribeirão do Manduca. Eles serão removidos com a finalização da limpeza no Jardim Paulista.

Ponte da Colina Verde

A obra iniciada com recursos estaduais foi paralisada pelo governo do Estado após a constatação de irregularidades na construção. Resolvidas as pendências, a empresa anunciou a retomada da revitalização da ligação da rua Nhô Inácio Vieira.

O Executivo informou, neste mês, que já concluiu a parte que lhe cabia (contrapartida) na obra. Também citou que permite apenas tráfego de veículos leves.

Ponte do Jardim Lírio

Também neste mês, a Prefeitura proibiu o tráfego de ônibus intermunicipais, uma vez que a ponte não foi projetada para o intenso tráfego de veículos.

Com as outras ligações comprometidas ao longo do ribeirão do Manduca, a Prefeitura passou a administrar o tráfego na região. A medida visa não prejudicar a estrutura da ponte, permitindo tráfego de veículos leves e caminhões.