Cidade tem 95% de pichação e só 5% de grafite, aponta designer

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Noventa e cinco por cento das intervenções de rua em Tatuí representam pichação. É o que aponta o designer gráfico Jeferson Bart, voluntário no projeto “Go Graffiti Art”. Conforme ele, apenas 5% dos trabalhos encontrados nas ruas do município (em muros, prédios e outros espaços) são grafite.

Bart explicou que esses percentuais refletem o momento pelo qual o movimento vem passando no município. Até 2002, segundo ele, Tatuí não registrava “quase nenhuma” pichação ou grafitagem.

“Tinha uma ou outra espalhada pela cidade. Em 2004, houve o início de um movimento”, relatou. Na ocasião, ele, Diego Dedablio e Fábio Novaes começaram a realizar trabalhos coletivos. O trio produziu mais entre os anos de 2007 e 2011.

“Foi nossa época de ouro”, cita. Nesse intervalo de tempo, os grafiteiros investiram no aprimoramento da arte e começaram a realizar trabalhos em separado.

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“Hoje em dia, a cena não é tão legal. É muito confusa. O pessoal começou de uma forma errada e já querendo pintar, mas ‘sem eira, nem beira’”.

Bart disse que falta organização entre os grafiteiros e vontade de melhorar os traços. Citou que o grafite prioriza mais a qualidade que a quantidade e que, em Tatuí, os adeptos das latas de “spray” quase não encontram espaço.

“Faltam locais para esse pessoal se manifestar. Aí, havendo o fechamento do olho dos órgãos, a molecada que está começando acaba partindo para pichação”, opinou.

Segundo o designer, a pichação é considerada, para muitos iniciantes, como o “caminho mais prático” para criar. O resultado é um trabalho “mais amador”.

“A receita é investir no grafite, dar apoio artístico, porque, a partir do momento que isso não acontecer, os munícipes que hoje acham a cidade suja, vão achar ela bem pior, caso não haja um apoio para o movimento”, concluiu.


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