Apesar de ter melhorado em 2015, o ar de Tatuí registrou níveis altos de gás ozônio (O3), de acordo com o relatório de classificação de qualidade do ar divulgado pela Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo). O estudo é atualizado a cada três anos pelo órgão ambiental e foi divulgado há um mês pela agência.
De três tipos de compostos nocivos à saúde medidos na cidade, houve registros mínimos de partículas inaláveis (MP10) e dióxido de nitrogênio (NO2).
O equipamento de medição meteorológica está instalado no bairro Valinho e realiza medições de três dos cinco principais poluentes do ar. A estação local não mede níveis de dióxido de enxofre (SO2) e partículas inaláveis finas (MP2,5).
O gás ozônio, classificado como poluente perigoso, foi encontrado em alta concentração no ar. A poluição com O3 não é exclusiva de Tatuí. Das 40 estações meteorológicas instaladas no Estado que fazem a medição de ozônio, 28 apresentaram níveis preocupantes – dessas, dez apresentam índices muito altos.
O relatório da Cetesb estabeleceu a classificação de qualidade do ar com base em dados de monitoramento realizado entre os anos de 2013 e 2015. Segundo a companhia, o poluente presente em quantidades mais alarmantes nos municípios paulistas, incluído Tatuí, é o gás ozônio.
Para determinar a classificação dos poluentes, a Cetesb dividiu o Estado por regiões, de acordo com as estações medidoras, e estabeleceu cinco níveis de poluição: “MF” (mínimo), “M3”, “M2”, “M1” e “> M1” (máximo).
Considerado um dos poluentes mais perigosos para a saúde respiratória, o ozônio pode agravar sintomas de asma, causar deficiência respiratória, enfisemas, bronquites e arteriosclerose. A exposição a níveis altos do gás pode causar a redução da capacidade pulmonar e desenvolver asma.
De acordo com o alergologista Jorge Sidnei Rodrigues da Costa, o ozônio é mais prejudicial em grandes centros urbanos, onde há altíssima concentração do poluente. As crianças são mais propensas a reações alérgicas respiratórias do que os adultos.
Em Tatuí, o nível de ozônio recebeu o “selo” M1, o segundo mais intenso. A concentração dos poluentes é expressa em µg/m³ (micrograma por metro cúbico de ar). Em 2013, o quarto maior valor diário do gás foi de 112µg/m³. No ano seguinte, a presença do ozônio aumentou para 157µg/m³. Em 2015, o índice caiu para 141µg/m³.
A classificação M1 é dada para cidades com concentração de ozônio entre 130µg/m³ e 140µg/m³, na média dos três anos. Neste quesito, Tatuí teve 137µg/m³, a apenas 3µg/m³ de ser classificado no maior índice de ozônio pela Cetesb.
Apesar de alto, os índices locais ainda estão longe de patamares considerados de “atenção”, “alerta” e “emergência”. Um decreto estadual de 2013 estabelece que, para ser considerado “nível de atenção”, a quantidade de ozônio na atmosfera deve ser superior a 200µg/m³.
Os casos de “alerta” ocorrem quando a concentração ultrapassa os 400µg/m³, e os de “emergência”, quando superiores a 600µg/m³.
A média local foi superior às de outras cidades paulistas com população maior, como Araraquara, Santos, Bauru, Jaú, São José do Rio Preto, Marília, Presidente Prudente, São José dos Campos. Bairros paulistanos como Pinheiros e Parelheiros. Centros industriais petroquímicos, como Cubatão, tiveram índices menores que os de Tatuí.
No caso das partículas inaláveis, a cidade teve o segundo menor nível, o “selo” M3. Desde 2011, a concentração de material particulado no “ar tatuiano” sofre sucessivas quedas, com exceção de 2014, quando houve alta.
O médico especialista em alergias explicou que as partículas inaláveis frequentemente são causadoras de reações nasais e de lacrimejamento dos olhos.
“Essas partículas entram nas vias respiratórias e podem causar alergias, principalmente em grandes cidades com poluição severa, como São Paulo. Aqui no interior, é mais fácil encontrar reações com a fuligem da cana-de-açúcar”, observou.
Em 2011, primeiro ano de medição, a média diária foi de 26µg/m³. Em 2012, atingiu 25µg/m³. No ano seguinte, o índice caiu para 22µg/m³. Em 2014, a concentração voltou a subir, para 24µg/m³; em 2015, porém, voltou a cair para o menor do histórico, em 20µg/m³.
No quesito partículas inaláveis, Tatuí tem um dos menores índices de poluentes entre as cidades pesquisadas, só “perdendo” para Marília e Presidente Prudente, que registraram quantidades menores.
De forma a estabelecer “picos” de concentração de poluentes, a Cetesb também tabulou dados com os quartos maiores índices anuais. Para as partículas inaláveis, a maior concentração foi de 74µg/m³ de material particulado no ar, registrado em 2014. Em 2013, o quarto maior índice foi de 67µg/m³ e em 2015, de 61µg/m³.
As principais fontes de material particulado são a queima de combustíveis fósseis, como gasolina e óleo diesel, queima de biomassa vegetal, como a lenha utilizada em fornos cerâmicos, e emissões de amônia na agricultura, através de fertilizantes nitrogenados.
Esse tipo de poluente causa efeitos negativos no organismo, como agravamento de sintomas de asma, inflamação pulmonar, arteriosclerose e até câncer respiratório.
A concentração de dióxido de nitrogênio em Tatuí recebeu o selo MF, considerado o mínimo. Ele é gerado, principalmente, em processos de combustão, como motores de veículos (principalmente os movidos a óleo diesel) e fornos industriais.
O gás pode ocasionar internações hospitalares, processos alérgicos e problemas respiratórios e pulmonares. O composto colabora com a formação de gás ozônio nas camadas baixas da atmosférica.
Na série histórica divulgada pela Cetesb, o poluente manteve o índice de 10µg/m³ de ar, entre os anos de 2011 e 2015, à exceção de 2012, quando se elevou a 12µg/m³. A quantidade baixa de dióxido de nitrogênio na atmosfera deu a Tatuí o título de cidade com menor teor do poluente entre as pesquisadas.
A classificação da Cetesb serve como base para o controle de emissões de poluentes no Estado. Um decreto estadual de 2013 prevê critérios específicos para a instalação ou ampliação de empresas em regiões em que os padrões de qualidade do ar não são atendidos.
Os municípios com classificação >M1 terão que cumprir metas de redução de emissões de poluentes, previsto no Prefe (Plano de Redução de Emissões de Fontes Estacionárias).






