Caso de aluno que teria sido coagido em Emef será levado para a Justiça





O caso do estudante de 10 anos que teria sido obrigado por funcionários da Secretaria Municipal da Educação a tirar a roupa deverá seguir para a Justiça. A mãe do menino informou, na quinta-feira, 21, que ingressará com ação de danos morais. Ela disse que o filho passou por constrangimento.

Divulgada na edição do dia 3 de novembro, a denúncia havia sido feita no dia 30 de outubro. Na data, Paula Cazere procurou a Polícia Civil para registrar boletim de ocorrência. Ela disse que o filho teria sido obrigado a se despir para provar que não havia pegado dinheiro de um colega de sala de aula.

Segundo a mãe, o caso ocorreu na Emef (Escola Municipal de Ensino Fundamental) “Professora Eunice Pereira de Camargo”, situada no bairro Jardins de Tatuí. Paula disse que soube do episódio pelo filho e que, até então, não havia sido comunicada do fato por professores ou pela direção da unidade.

A secretária relatou que o menino estava dentro da sala de aula quando teria sido acusado de roubo por um coleguinha. O estudante estaria sentado à frente do garoto e teria chamado a professora depois de não ter encontrado R$ 5.

“O menino da frente foi procurar o dinheiro na bolsa, que estava virada para trás. Como não encontrou, ele acusou meu filho. Falou para a professora que meu menino havia pegado o dinheiro”, relatou Paula. A mãe do menino relembrou o caso quando esteve na redação do jornal O Progresso.

Conforme ela, a professora teria mandado o menino devolver a nota. “Meu filho falou que não havia pegado o dinheiro, mas a professora continuou insistindo. Então, ela chamou a coordenadora”, disse Paula.

A segunda funcionária teria “entrado na sala de aula gritando” com o menino. De acordo com a mãe, a coordenadora teria dito à criança que a tiraria da sala de aula caso não devolvesse a nota e que, também, chamaria a polícia.

Como o menino continuou insistindo que não havia pegado o dinheiro, ele teria sido retirado da sala de aula e levado até o banheiro. No caminho, a coordenadora teria pedido a outro funcionário para acompanhar o menino até o banheiro.

“Meu menino tirou a roupa e o coordenador ficou olhando. Quando ele estava tirando a cuequinha, a coordenadora entrou no banheiro e falou para ele parar, porque o coleguinha já tinha encontrado o dinheiro na bolsa”, disse a mãe.

Paula afirmou que ficou indignada com a reação dos funcionários. Reclamou que não havia sido avisada pelos responsáveis pela unidade e que o caso poderia se tornar ainda mais grave.

“Eu costumo dar dinheiro ao meu filho. E se eles tivessem encontrado alguma nota com ele. Eles iriam pegar o dinheiro, acusá-lo e fazer mais o quê com o meu filho?”, questionou.

A mãe disse que, depois de ter sido obrigado a se despir, o menino teria sido levado de volta à sala de aula. Segundo Paula, nenhum dos funcionários havia pedido desculpas ao estudante. “Fizeram o coleguinha dele se desculpar, mas, depois de tudo o que fizeram?”, indagou a secretária.

Imediatamente após saber do caso, Paula afirmou que procurou orientação de um advogado. “Ele me orientou a registrar um boletim de ocorrência”, relatou.

A mãe afirmou que tentou contato com a escola, mas que nenhum dos funcionários envolvidos quis falar com ela por telefone. “Me mandaram ir lá, mas eu não quis. Primeiro, fui atrás dos direitos do meu filho”, falou.

Paula disse que, depois do ocorrido, precisou transferir o filho de unidade escolar. O menino estuda, atualmente, na Emef “Accácio Vieira de Camargo”, na vila São Cristóvão. De acordo com ela, a transferência havia sido autorizada pela secretária municipal da Educação, Cultura e Turismo, Ângela Sartori.

“Ela resolveu o problema na hora, mas, depois disso, não tive mais novidades do caso”, afirmou. Paula acrescentou que o objetivo da ação de indenização por danos morais é “ressarcir o filho pela humilhação que ele sofreu e está sofrendo”.

“Ele fica com medo de ir à escola. Chegou a ser agredido verbalmente pelos colegas, motivo de chacota por ter tirado a roupa. Ele ficou chateado. Fora ser acusado por uma pessoa que deveria estar ensinando e não julgando”, disse.

Procurada pela reportagem, a Secretaria Municipal de Educação, Cultura e Turismo informou, por meio de nota enviada pela assessoria de comunicação da Prefeitura, que a mãe do aluno “foi atendida pessoalmente pela secretária”.

De acordo com a assessoria, a pedido da mãe, a secretária autorizou “imediatamente a transferência da criança para outra unidade escolar”. A pasta disse, também, que abriu sindicância para apurar o caso e que duas pessoas já foram ouvidas.

Por fim, o setor de comunicação da Prefeitura informou que, “por motivos éticos e legais, não pode antecipar qualquer fato sobre as averiguações, sequer condenar ou absolver qualquer servidor envolvido antes de concluído todo o processo”.