Mais
    Início Cidades Candidatos de Tatuí não são eleitos

    Candidatos de Tatuí não são eleitos

    Alessandra Gonzaga, Marquinho da Santa Casa e Guiga Peixoto disputaram o congresso

    Alessandra Gonzaga, Guiga Peixoto e Marquinho da Santa Casa (Foto: Divulgação)
    Da reportagem

    No domingo passado, 4, ocorreu o primeiro turno das eleições de 2026, no qual havia três candidatos de Tatuí concorrendo a deputado federal, os quais acabaram não se elegendo. No entanto, todos encerraram o pleito como suplentes.

    Alessandra Vieira de Camargo Teles (Alessandra Gonzaga – PP) foi quem mais obteve votos, recebendo 26.271 (0,11% dos votos válidos para o cargo no estado), sendo 14.312 somente em urnas tatuianas.

    Alessandra concorreu a uma vaga em 2022 à Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). Na época, obteve 23.111 votos somente em Tatuí (38,85% dos válidos). No estado, conquistou 45.002, o que correspondeu a 0,19% dos válidos

    José Guilherme Negrão Peixoto (Guiga Peixoto – PSD), nestas eleições, recebeu 23.035 votos (0,10% dos válidos), sendo 4.691 em Tatuí; e Antônio Marcos de Abreu (Marquinho da Santa Casa – Republicanos) somou 4.623 votos (0,02% dos votos válidos), sendo 2.533 no município.

    Guiga também disputou o mesmo cargo na eleição passada, de 2022, quando buscava a reeleição e recebeu 14.001 votos em Tatuí (23,27% dos válidos). No estado, somou 54.849, equivalentes a 0,23% dos válidos.

    Ao jornal O Progresso de Tatuí, Alessandra declarou que “cada voto representa uma confiança que merece respeito”. “Sou grata a cada pessoa que participou dessa caminhada e sigo acreditando que fazer o bem e cuidar das pessoas devem estar sempre no centro da nossa vida. Essa é a minha luta”, acrescentou.
    Ainda conforme a candidata, neste primeiro turno, “foi visto um fenômeno de votos através da internet, em uma eleição marcada também pela polarização”.

    “Muitos deputados federais com mandato perderam votos significativamente. Para alguém como eu, que defendeu o voto distrital, foi uma eleição muito difícil”, comentou.
    “O Brasil vai precisar repensar esse modelo eleitoral, em algum momento. Precisamos de lideranças que representem de verdade suas cidades e regiões, para que as demandas locais tenham voz e os recursos possam chegar e se transformar em investimentos para a população”, argumentou.
    “Ser a deputada federal mais votada de Tatuí já foi uma vitória, em meio a tantos candidatos que aqui disputaram. Recebo esse resultado com gratidão, mas, acima de tudo, com a consciência de que essa responsabilidade vai muito além dos votos. Por tudo que vi e vivi nesses meses de campanha, acredito muito que o país precisa de mudança”, finalizou.

    Já Abreu agradeceu “principalmente, a cada tatuiano que participou dessa eleição e confiou em nosso trabalho”. “Recebo cada voto com responsabilidade, gratidão e humildade. Essas eleições me mostraram muitas coisas, mas uma delas, sem dúvida, é que eu nunca estive sozinho”, acentuou.

    “Nossa campanha terminou, nosso trabalho, não. Continuo, desde o dia 5, a fazer o que sempre fiz: estar perto da população, ouvir, entender as necessidades e buscar ajudar cada vez mais as pessoas”, acrescentou.

    O candidato também lembra que “entrou na vida pública porque tem um sonho”. “Quero uma Tatuí em que a saúde funcione bem, sem filas, com medicamentos, exames e com telemedicina. Uma cidade com vagas em creche para todas as crianças, merenda de qualidade e com uniformes entregues no tempo certo, mais segurança, moradia, transparência, oportunidades de trabalho e infraestrutura”, enumerou.
    “Quero uma Tatuí com menos buracos e mais investimentos, capaz de atrair mais empresas, gerar mais empregos, fortalecer ainda mais o comércio, valorizar cada vez mais seus servidores e criar condições para que a população possa se desenvolver mais, melhor e com autonomia, uma cidade em que o empresariado cresça e os produtores rurais se fortaleçam”, acrescentou.
    “É esse futuro que me motiva! Por acreditar nele, sigo firme e lanço, desde já, meu nome à prefeitura de Tatuí em 2028”, declarou.

    Abreu ainda contou que a candidatura a deputado federal nascera desse propósito: “Eu queria alcançar um espaço que me permitisse buscar mais recursos e abrir portas as quais, como vice-prefeito, não consigo abrir, porque não sou o dono da caneta. Um deputado federal tem mais de R$ 40 milhões em emendas e conta com instrumentos diferentes para trazer soluções para a cidade”.
    “Nessas eleições, destaco as conquistas que tivemos no Republicanos, do qual sou presidente do diretório municipal. O partido tinha uma meta clara: contribuir para a ampliação da representação da direita, e esse objetivo foi alcançado, graças, também, aos tatuianos”, argumentou.
    “Tenho a consciência de que ainda há muito a fazer, de que podemos melhorar mais, não nos atos, mas na aproximação com as pessoas. Para isso, sigo contando com os que sempre acreditaram no nosso nome, com quem nasceu ou vive em Tatuí, mas, principalmente, com quem fez outras escolhas. A eleição terminou. O compromisso com Tatuí, não.”, finalizou Abreu.

    Guiga Peixoto foi procurado pela reportagem, mas não havia se manifestado até o fechamento desta edição (sexta, às 16h).

    Para definir os candidatos eleitos a deputado federal e estadual, é considerado o sistema proporcional. Nesse caso, os votos recebidos pelos candidatos e os votos de legenda são somados na definição do número de cadeiras que cada partido ou federação poderá ocupar, conforme estabelece o artigo sétimo da resolução TSE número 23.677/2021.

    Assim, quanto mais votos um partido ou uma federação receber, maior poderá ser o número de vagas conquistadas. Por isso, o sistema é chamado de “proporcional”. O eleitor também pode escolher votar apenas no partido, o chamado “voto de legenda”. Na prática, basta digitar na urna o número da agremiação que deseja apoiar.

    Nesse modelo, os votos recebidos pelos candidatos são somados aos votos de legenda para determinar a votação de cada partido ou federação. A partir desse resultado, é definida a quantidade de cadeiras que cada legenda poderá ocupar.

    Para entender como o sistema funciona, é preciso conhecer dois cálculos: o quociente eleitoral e o quociente partidário. O primeiro passo é calcular o quociente eleitoral.

    Ele resulta da divisão do total de votos válidos pelo número de vagas em disputa. No entanto, a legislação determina que, no resultado, a fração igual ou inferior a 0,5 seja desprezada e a superior a 0,5 seja arredondada para cima.

    Nas eleições de 2026 para deputado federal em São Paulo, foram contabilizados 23.674.188 votos válidos para as 70 vagas em disputa. Para saber o quociente eleitoral, basta dividir os 23.674.188 votos válidos pelas 70 vagas, resultando em 338.202,6. Neste caso, como a fração 0,6 é superior a 0,5, o quociente eleitoral foi fixado em 338.203 votos.

    Já para o cargo de deputado estadual em São Paulo, foram contabilizados 23.290.014 votos válidos para as 94 vagas em disputa para a Alesp. Logo, calcula-se o quociente eleitoral dividindo-se os 23.290.014 votos por 94 vagas, resultando em 247.766,1. Como a fração é inferior a 0,5, ela é desprezada conforme determina a legislação, ficando o quociente eleitoral fixado em 247.766 votos.

    Já o quociente partidário define quantas cadeiras cada partido ou federação terá direito a ocupar. O resultado indica o número de cadeiras a que a legenda terá direito.

    As vagas conquistadas são preenchidas pelos candidatos mais votados dentro daquele partido, desde que cada um tenha obtido votação nominal mínima correspondente a 10% do quociente eleitoral.

    Para ilustrar, pode-se imaginar que, nas eleições 2026 para deputado federal de São Paulo, um partido tenha recebido 1 milhão de votos válidos. Como o QE para deputado federal foi fixado em 338.203. Ao dividir 1.000.000 de votos por 338.203, o resultado é 2,9568. Como não existe fração de cadeira, a parte decimal é descartada. Na prática, isso significa que o partido teria direito a duas vagas na Câmara dos Deputados. Para assumir, cada um desses dois candidatos precisa ter obtido, no mínimo, 33.820 votos (10% do QE).

    Por isso, os candidatos tatuianos não foram eleitos, mas ficaram como suplentes. Os partidos conquistaram cadeiras, mas eles não entraram no número de vagas. No entanto, como atingiram 10% do quociente partidário, ficaram como suplentes e podem assumir cadeiras se as vagas dos partidos ficarem desocupadas.

    Quando um deputado titular precisa se ausentar de forma temporária ou definitiva, o primeiro suplente do seu partido ou da federação partidária é convocado para ocupar a vaga.

    Os candidatos que não foram eleitos, mas ficaram entre os mais votados de seus respectivos partidos ou federações, passam a ser considerados suplentes.

    Os mais votados

    Entre os candidatos a deputado federal mais votados em Tatuí, além dos locais, obtiveram votos expressivos no município: Lucas Pavanato (PL), com 8.063 (13,48%); Erika Hilton (Psol), 2.224 (3,72%); Coronel Telhada (PP), 1.535 (2,57%); e Edinho Silva (PT), 1.371 (2,29%).

    Já em relação aos deputados estaduais, o mais votado no município foi Rodolfo Fanganiello (PSD), com 7.553 (13,14%), mas o candidato não foi eleito. Em seguida, aparecem: Eduarda Campopiano (PL), 6.317 (10,99%); Rogério Franco (PL), 2.383 (4,15%); Telhadinha – Capitão Telhada (PP), 2.337 (4,07%); e Ricardo Madalena (PL), 1.815 (3,16%).

    Na eleição majoritária, os candidatos a presidente Flavio Nantes Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foram para o segundo turno. Eles tiveram, respectivamente, 56.104.503 votos (47,03% dos válidos) e 53.879.538 (45,16% dos válidos) em todo o país. Já em Tatuí, Flávio Bolsonaro recebeu 40.608 votos (65,19%) e Lula, 16.465 (26,43%).

    Outros candidatos a presidente que receberam votos no município foram: Augusto Cury (Avante), com 1.996 (3,20%); Renan Santos (Missão), 1.609 (2,58%); Ronaldo Caiado (PSD), 1.341 (2,15%); Zema (Novo), 118 (0,19%); Samara (UP), 86 votos (0,14%); Hertz Dias (PSTU), 26 (0,04%); Clariana Barão, 20 (0,03%); Edmilson Costa (PCB), 7 (0,01%); Veterinário Wilson Grassi (Democrata), 11 (0,02%); e Rui Costa Pimenta (PCO), 2 (0,01%).

    Já para o cargo de governador, foi eleito no estado Tarcísio Gomes de Freitas (Republicanos), com 14.491.874 votos (62,65% dos válidos), sendo 43.442 em Tatuí (75,03%). Os outros candidatos ao cargo que tiveram votos no município foram: Fernando Haddad (PT), com 13.968 (24,13%); Vera Lúcia (PSTU), 172 (0,30%); Vivian Mendes (UP), 163 (0,28%); e Carlos Machado (PCB), 153 (0,26%).

    Já para o cargo de senador, foram eleitos Guilherme Derrite (PP), com 13.273.880 votos (30,59%), e André do Prado (PL), com 12.703.089 (29,28%). Em Tatuí, os candidatos tiveram, respectivamente, 40.877 votos (37,65%) e 38.557 votos (35,52%).

    Já os outros candidatos a somarem votos no município foram: Simone Tebet (PSB), com 13.887 (12,79%); Marina Silva (Rede), 12.920 (11,90%); Guto Schiavetto (Missão), 871 (0,81%); Geraldo Rufino (Pode), 723 (0,67%); Soninha Francine (Cidadania), 203 (0,19%); Maíra de Souza (UP), 174 (0,16%); Dra. Eliana Ferreira (PSTU), 148 (0,14%); Marcio Alves (UP), 77 (0,07%); Petter Maahs (PCB), 76 (0,07%); Weller Gonçalves (PSTU), 38 (0,04%); e William Teixeira (AGIR), 10 votos (0,01%).