Camisas

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Nada identifica mais uma torcida do que uma cor. O lado romântico e poético do futebol sempre se referiu a isso de uma forma sempre idílica, até didática. Era comum esse tipo de manchete: “O ‘Rubro-Negro’ entra em campo hoje…” O “Alvinegro” se prepara… A equipe “Esmeraldina” joga completa… O “Azulão” tem missão difícil… O “Tricolor Paulista” e/ou “Tricolor Carioca” é o líder… O “Alviverde” luta para… A aguerrida equipe “Rubro-Verde”… A formação “Canarinho”… A “Celeste”… E assim por diante. Sempre as cores tradicionais dos clubes e seleções eram identificadas pela imprensa, pelos torcedores, pelo público.

Viam–se nos estádios os torcedores com as cores do seu time, bandeirolas coloridas, identificando uma legião de torcedores. O São Paulo, diga-se, foi o primeiro clube de futebol do Brasil a ter uma, digamos, torcida organizada e constante, naqueles anos 1940.

Pois bem, o que se vê hoje contraria completamente o que foi uma marca do futebol. Onde já se viu o Santos daquele branco tradicional, uma camisa que até assustava seus adversários, trajar azul? E o Palmeiras, que do verde esmeralda se apresenta com uma caricata camisa de “cor marca texto”?. Outro dia vi o Corinthians entrar no Pacaembu de camisas cinza, parecia dia de treino, isso sim. Mais aberrações é ver o Flamengo de camisa rubro-negra tradicional, mas de calção preto, coisa mais feia, assim como o Corinthians todo de branco, deixando de lado os calções pretos, que fazem parte da história, sem dúvida, do clube. Todo de branco é o Santos e o São Cristovão, do RJ, e está acabado.

Tudo começou quando a arbitragem reclamou um dia das cores iguais, por exemplo, das meias e de calções das equipes. Proibiu-se, então, e os clubes passaram a jogar com combinação de cores estranhas aos costumes de seus uniformes históricos tradicionais.

Mais tarde, os patrocinadores e empresários, em muitos casos os verdadeiros donos atuais dos clubes, exigiram esses vergonhosos uniformes. E o que dizer, também, das horrorosas numerações altas nas camisas, e não mais de 1 a 11. É moda, hoje, uma substituição, tipo sair o número 80 e entrar o 56. Mau gosto maior é impossível.

Veja na foto o time corintiano de 1966, com seu uniforme número um tradicional, simples, sem as propagandas que, na verdade, fazem sumir o mais importante, o tradicional distintivo do clube, a marca de uma tradição, a razão de ser de um clube, onde está toda a sua história.

Tudo foi muito banalizado, um futebol com dirigentes amadores, com atitudes de arrogância, um trampolim descarado para outras finalidades e não visando o futebol verdadeiro, mascarando outras intenções e manipulações de uma paixão.

Saudosismo? Sim… muito. Afinal, coisas boas devem ser preservadas, admiradas, cultuadas e não desprezadas. A história é rica, e estamos precisando disso, de riqueza intelectual e cultural. A mediocridade se avoluma perigosamente. Eu… hein!.

Vamos relembrar do chamado Alvinegro em 17 de julho de 1966, na cidade de Ourinhos (SP), quando venceu o amistoso por 3 a 0. Em pé: Jair Marinho, Marcial, Ditão, Edson, Clóvis e Maciel. Agachados: Marcos, Tales, Flávio, Rivelino e Nilson. Oswaldo Brandão era o treinador. Grandes histórias e muito, muito mesmo, saudosismo.

NOTA: As fotos são do arquivo pessoal do autor, que data de 50 anos. Ele, como colecionador e historiador do futebol, mantém um acervo não somente de fotos, mas de figurinhas, álbuns, revistas, recortes e dados importantes e registros inéditos e curiosos do futebol, sem nenhuma relação como os sites que proliferam sobre o assunto na rede de computadores da atualidade