Mais
    Início Cidades Câmara municipal de Tatuí aprova projeto de transferências de imóveis

    Câmara municipal de Tatuí aprova projeto de transferências de imóveis

    Doação será para implementação de empreendimentos habitacionais de interesse social

    Vereadores também aprovam o orçamento de 2026 (Foto: AI Câmara)
    Da redação

    Em sessão extraordinário na Câmara Municipal de Tatuí, sexta-feira da semana passada, 19, foi aprovado o projeto de lei 27/2025, de autoria do Executivo, que inclui o artigo primeiro A na lei municipal 5.871/2023, a qual autoriza o município a transferir imóveis de sua titularidade, por meio de doação, para a implementação de empreendimentos habitacionais de interesse social por programas subsidiados pelo governo federal e estadual.

    Da Comissão Permanente de Constituição, Justiça e Redação, foi aprovado o parecer minoritário proposto pelo vereador Kelvin Joelmir de Morais (PT), que promoveu ajustes na redação do projeto.

    Conforme a versão aprovada, as faixas marginais de preservação permanente (APPs) em áreas urbanas consolidadas no córrego Manduca deverão observar os parâmetros técnicos e ambientais previstos no artigo 62, parágrafo segundo, da lei federal 12.651/2012, que dispõe sobre a proteção da vegetação nativa, aplicando-se também as disposições da lei municipal 2.839/1995.

    Serão permitidas intervenções nas APPs situadas em áreas urbanas consolidadas do córrego Manduca em casos de utilidade pública, interesse social, baixo impacto ambiental, regularização fundiária e implementação de empreendimentos habitacionais de interesse social.

    Essas intervenções deverão ser precedidas de licenciamento ambiental e atender aos critérios de compensação ambiental estabelecidos pela legislação vigente.

    Ainda de acordo com a proposta, as obras e edificações existentes em faixas marginais de APPs, em áreas urbanas consolidadas no córrego Manduca em desacordo com a legislação, poderão ser regularizadas mediante apresentação de estudo técnico e aprovação dos órgãos competentes, desde que respeitados os limites e parâmetros estabelecidos.

    Na justificativa, o Executivo afirma que a alteração “se faz necessária para adequar o empreendimento à lei federal 14.285/2021, que dispõe sobre o parcelamento do solo urbano com áreas de preservação permanente no entorno de cursos d’água em áreas urbanas consolidadas, a fim de atender normativas dos órgãos de aprovação, correspondente à área de propriedade do município localizada no loteamento Jardim Santa Emília”.

    Explica também que a área com 12.617,89 metros quadrados “anteriormente classificada como ‘sistema de lazer’, foi selecionada como única alternativa viável para a construção de cem unidades habitacionais vinculadas ao programa Minha Casa Minha Vida – Faixa 1, em conformidade com a Medida Provisória 1.162/2023”.

    O empreendimento será financiado com recursos do Fundo de Arrendamento Residencial (FAR) e destinado a famílias em situação de vulnerabilidade social, “especialmente aquelas removidas de áreas de risco nas margens do ribeirão Manduca, a fim de atender orientações constantes em procedimento de regularização fundiária nesta municipalidade e conforme orientações do Ministério Público estadual, no âmbito do processo administrativo 28.279/1/2023”.

    O Executivo destaca, igualmente, que a proposta “estabelece parâmetros locais de delimitação das APPs no córrego Manduca, em áreas urbanas consolidadas, harmonizando o texto da legislação municipal com a legislação federal, com o Plano Diretor municipal e com as diretrizes de política ambiental e de ordenamento territorial”.

    Por fim, a justificativa ressalta que a aprovação do projeto é uma “medida de justiça ambiental, social e urbanística, em conformidade com os princípios constitucionais e federais que regem a matéria, e representa importante avanço para a consolidação de uma política urbana e ambiental sustentável no município de Tatuí”.

    Orçamento 2026

    Na mesma sessão, foram aprovados os projetos de lei de autoria do Executivo referentes ao Plano Plurianual de Tatuí para o período 2026-2029 (PPA), à Lei de Diretrizes Orçamentárias para 2026 (LDO) e à Lei Orçamentária Anual também para 2026 (LOA).

    O Orçamento de Tatuí para 2026 estima a receita e fixa as despesas em R$ 806,27 milhões. No período de 2026 a 2029, conforme o PPA, o total projetado chega a R$ 3,44 bilhões.

    Junto ao projeto de lei 22/2025, referente ao PPA 2026-2029, também foram aprovadas as emendas cinco, seis e sete, assinadas em conjunto por todos os vereadores.

    A emenda cinco dispõe sobre a realocação de recursos para a manutenção do Fundo de Assistência Social de Tatuí, no valor de R$ 150 mil. A seis dispõe sobre a realocação de recursos para a manutenção dos blocos de proteção social básica e especial da Secretaria de Assistência Social, no valor de R$ 459,4 mil, destinados ao financiamento das entidades sociais de Tatuí.

    Finalizando, a emenda sete dispõe sobre a realocação de recursos para a manutenção do Banco de Alimentos, no valor de R$ 300 mil, destinada ao fomento da política de alimentação e nutrição do município.

    Com o projeto de lei 23/2025, referente à LDO 2026, também foram aprovadas as emendas cinco, seis e sete, assinadas em conjunto por todos os vereadores.

    As emendas são as mesmas do projeto 22/2025. E, junto ao PL 33/2025, referente à LOA 2026, também foram aprovadas as emendas 19, 20 e 21, assinadas em conjunto por todos os vereadores. As emendas aprovadas são iguais às dos projetos anteriores.

    O Orçamento de R$ 806,27 milhões para 2026 está dividido entre os órgãos da administração pública do município, incluindo a prefeitura (R$ 696,09 milhões), o Instituto de Previdência/Tatuíprev (R$ 85,43 milhões), a Fundação “Manoel Guedes” (R$ 2,84 milhões) e a Câmara Municipal (R$ 21,9 milhões).

    Os maiores valores por secretarias municipais estão nas áreas da Educação (estimativa total de R$ 275,66 milhões, sendo R$ 131,07 milhões em recursos próprios) e Saúde (estimativa de R$ 197,31 milhões, sendo R$ 145,21 milhões em recursos próprios), representando 25,19% de recursos próprios na Educação (o mínimo pela legislação é de 25%) e 28,66% na Saúde (o mínimo é de 15%).

    A despesa com pessoal, que a legislação determina o máximo de 54%, está prevista em 38,48% do Orçamento, no montante de R$ 271,24 milhões.

    Para os exercícios de 2026, 2027, 2028 e 2029, o PPA 2026-2029 projeta os seguintes valores ao Orçamento de Tatuí: para 2025, R$ 806.270.266,66 (referência para a LDO 2026 e LOA 2026); para 2027, R$ 836.923.779,99; para 2028, R$ 878.770.013.99; e para 2029, R$ 922.708.499,44.

    Com a aprovação do PPA 2026-2029, da LDO 2026 e da LOA 2026, é iniciado oficialmente o recesso no Poder Legislativo. Nesse período, se houver necessidade, os vereadores poderão ser convocados para sessões extraordinárias. Já as sessões ordinárias retornam em 2 de fevereiro de 2026, às 19h.

    Os quatro projetos aprovados seguem para a sanção do prefeito Miguel Lopes Cardoso Júnior.