Mais
    Início Cidades Câmara de Tatuí aprova Plano de Cultura

    Câmara de Tatuí aprova Plano de Cultura

    Em extraordinária, Alves Miguel questiona solicitação de crédito ao Memorial do Rugby

    Plano Municipal de Cultura é aprovado por unanimidade (foto: Juliana Jardim)
    Da reportagem

    O presidente da Câmara Municipal de Tatuí, Eduardo Dade Sallum (PT), subiu na tribuna durante sessão extraordinária, na noite de segunda-feira, 13, para defender o novo Plano Municipal de Cultura.

    O projeto de lei, aprovado em segunda discussão por unanimidade dos vereadores, norteia, pelos próximos dez anos, as políticas públicas do setor cultural de Tatuí.

    De acordo com a justificativa, o PL visa à integração do poder público com a sociedade, com o intuito de “planejar e fomentar as políticas públicas culturais, além de assegurar, preservar e promover a valorização do patrimônio cultural material e imaterial do município”.

    Desta forma, estabelece condições para o desenvolvimento da economia da cultura, considerando, em primeiro plano, “o interesse público e o respeito à diversidade cultural”.

    A lei institui o Plano Municipal de Cultura (PMC) em consonância com o Sistema Municipal de Cultura (SMC), considerando o artigo 49 da lei 5.732, de 27 de outubro de 2022, conforme disposto no artigo 215 do Plano Nacional de Cultura (PNC).

    Para Sallum, o plano é “diferente de tudo o que já foi feito pela cidade em benefício ao setor, colocando-o em evidência no cenário cultural e turístico de Tatuí”. Ele observou que um dos destaques na elaboração do documento é ter sido pautado pelos trabalhadores da cultura.

    “Nós precisamos de pessoas da cultura falando sobre cultura. E é importante que o nosso povo tenha a devida reflexão sobre isso. Para muitos, parece que cultura é algo de entretenimento supérfluo, mas estamos falando de algo que movimenta a nossa economia”, argumentou.

    O PMC abrange a totalidade do território, e é o instrumento básico da política cultural do município, integrando o processo de planejamento local e as revisões do Plano Diretor.

    Desta forma, o Plano Plurianual (PPA), a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e a Lei Orçamentária Anual (LOA) devem incorporar às suas diretrizes e prioridades o PMC.

    “Queria dizer que nós demos um passo importante. E o primeiro foi o fomento direto aos trabalhadores de cultura que esta Casa (de Leis) batalhou e lutou junto com eles”, acentuou.

    Ele lembrou que, no ano de 2021, o Legislativo havia rejeitado, na Lei Orçamentária do município, o fomento destinado à cultura. A decisão, no entanto, foi revertida no ano seguinte, com a aprovação de uma fatia do Orçamento destinada ao setor.

    Ele disse reconhecer a importância da elaboração de um projeto cultural em razão de o setor ter um plano a seguir pelos próximos dez anos, não ficando, desta forma, direcionado a uma política unilateral de governo.

    “Eu li esse plano, e é de um orgulho tremendo, porque ele foi construído pelos semeadores da cultura, juntamente com a Secretaria de Cultura”, enfatizou.

    Sallum parabenizou o trabalho do diretor do Departamento de Cultura, Rogério Vianna.

    “Tenho que reconhecer o trabalho dele como diretor técnico da área e trabalhador da cultura. Tenho de fazer esse reconhecimento público”, parabenizou.

    A partir desse plano, segundo Sallum, a cultura passará a não ter mais improvisos, sendo determinados, a partir dele, programas e políticas a serem feitos por qualquer governo que assuma a gestão municipal.

    “O plano é muito bom porque é produto de inteligência coletiva, de quem de fato está pronto para produzir política pública. Ele tem as marcas da cidade. E é um plano construído de Tatuí para Tatuí”, defendeu.

    O projeto de lei, de 40 páginas, norteia, pelos próximos dez anos, diretrizes que a administração municipal deve, juntamente com os profissionais da área, seguir como orientação de plano de trabalho.

    Entre eles, Sallum apontou um trecho do projeto, no qual cita a Zeict (Zona Especial de Interesse Cultural e Turístico), do Plano Diretor do município, como um meio de nortear as políticas públicas de cultura.

    “Isso é fundamental, porque mostra que o pessoal do setor está olhando para a área urbana de Tatuí e para a Legislação”, acentuou.

    Citou ainda, como prioridade, a ampliação de espaços culturais mantidos pela gestão pública, em razão, segundo ele, de o Centro Cultural, CEU das Artes e Biblioteca Municipal não darem conta da demanda cultural de Tatuí.

    Por meio de políticas culturais contidas no plano de cultura, o uso de espaços públicos de forma impessoal também foi citado por Sallum. Assim, segundo ele, qualquer pessoa, sendo ligada ou não à gestão municipal, teria os mesmos direitos de uso.

    Por fim, argumentou sobre a necessidade de colocar em execução a lei “Prata da Casa”, em vigor na cidade. Nela, em todos os shows contratados pelo município, o artista local teria o direito a 20% do total arrecadado no evento.

    “Nós temos que valorizar os nossos artistas. E essa lei, aprovada nesta Casa, assegura a participação de artistas locais em eventos artísticos e culturais promovidos ou patrocinados por órgãos integrantes da administração direta ou indireta. É um direito deles a participação e a remuneração”, concluiu.

    O Plano Municipal de Cultura será a base das atividades e programações do Sistema Municipal de Cultura, tendo o financiamento previsto no Plano Plurianual, Lei de Diretrizes Orçamentárias e Lei Orçamentária Anual.

    No segundo projeto da noite, aprovado por nove votos a seis, o vereador João Éder Alves Miguel (União) questionou o Executivo sobre a abertura de crédito adicional especial à Secretaria Municipal de Esportes, Cultura, Turismo e Lazer, no valor de R$ 545.716,37, para a conclusão do Memorial do Rugby 1928.

    De acordo com a justificativa, o valor, autorizado por meio da lei municipal 5.775, de 24 de março de 2023, adiciona o suplemento na unidade administrativa, não contemplado no Orçamento de 2024.

    Conforme o documento, o pagamento da primeira parcela das obras foi quitado por meio do convênio 201/2022, no dia 13 de novembro do ano passado.

    No entanto, de acordo com o PL, “devido a alguns imprevistos e à demora no início das obras, houve um reajuste no valor contratual, resultando em uma segunda parcela, a ser paga no mês de abril deste ano, no valor de R$ 54.001,67”.

    Desta forma, justificou que a aprovação do valor adicional “é essencial para garantir a continuidade e a conclusão satisfatória das obras”.

    Alves Miguel, contudo, declarou achar “estranho” o pedido de abertura de crédito, em razão de ser um projeto semelhante, o qual já havia sido aprovado em março do ano passado.

    “Então, nós tivemos um equipamento público inaugurado sem que o dinheiro tivesse provisionado para pagar aquele que construiu o equipamento?”, questionou, referindo-se ao Memorial do Rugby.

    Ele afirmou que, após ter sido aprovado o crédito adicional por meio da lei 5.775, em março do ano passado, a prefeitura emitiu, no mês de dezembro do mesmo ano, o decreto 24.704, fazendo uma suplementação no valor de R$ 18.627.703, colocando a lei 5.753, da Lei Orçamentária Anual (LOA), como referência.

    No entanto, segundo ele, na justificativa desse pedido, o Executivo “não trouxe respostas”, as quais garantiam os 15% de suplementação que prefeitura tem o direito de fazer. “Até porque esse não foi o único decreto emitido para a suplementação. Isso está parecendo pedalada fiscal”, declarou Alves Miguel.

    A lei 5.753, apontada pelo vereador, “estima a receita e fixa a despesa do município de Tatuí para o exercício financeiro de 2023, compreendendo: o orçamento fiscal referente aos poderes do município, seus fundos especiais, órgãos e entidades da administração direta e indireta, inclusive fundações instituídas e mantidas pelo poder público”.

    Alves Miguel continuou dizendo também achar estranho o pedido de abertura do crédito, lembrando que, pelo PL 16/2023, a prefeitura recebeu, por meio de convênio com o estado, o valor de R$ 615 mil, a ser complementado com uma contrapartida da administração municipal de R$ 184 mil.

    O dinheiro também seria destinado às obras do Memorial do Rugby. No entanto, segundo o vereador, a prefeitura anulou a despesa de R$ 184 mil para inseri-la na folha de pagamento do mês de dezembro de 2023.

    Antonio Marcos de Abreu (Republicanos) argumentou que, de acordo com o Departamento de Convênios Municipal, a prefeitura tem ainda a receber do governo estadual o valor de R$ 300 mil para o memorial. Deste valor, cerca de R$ 200 mil serão destinados para pagar a empresa responsável pela obra.

    Entretando, conforme esclareceu Abreu, caso não seja paga a segunda parcela para a qual foi pedido a abertura do crédito adicional, o estado cancelará a parcela futura. “Por isso que nós estamos precisando o mais rápido possível da aprovação desse convênio para a conclusão das obras”, concluiu.

    Ainda durante a sessão extraordinária, foi aprovado o projeto de lei 76/2023, de autoria de Fábio Villa Nova (PSD) e do então vereador Leandro de Camargo Barros, o qual pede para que seja instituído o Dia Municipal da Guarda Civil, a ser comemorado em 10 de outubro. Nesse dia, segundo o PL, seria “prestada uma homenagem aos profissionais responsáveis em zelar e proteger os bens públicos e principalmente civis de Tatuí”.

    De autoria de Alves Miguel, o PL 95/2023 pede a denominação de “Padre Paulo César Ferreira à rua 1 do loteamento Jardim São Conrado II.

    Em Tatuí, o padre foi o primeiro vigário da Paróquia Nossa Senhora das Graças. Em 14 de agosto de 1993, tomou posse como pároco da igreja Santa Cruz.

    No período entre 1993 e 2008, no qual atuou como padre no local, construiu a Comunidade Santa Teresinha do Menino Jesus, no Jardim Planalto, atualmente paróquia.

    O religioso fundou a Comunidade Santa Rita de Cássia, também tendo se tornado paróquia, posteriormente. Ainda construiu a Comunidade Nossa Senhora Consoladora dos Aflitos, no Jardim Rosa Garcia II, e a Comunidade São José, no Jardim Gramado. Ele faleceu no dia 25 de julho de 2014, no município de Jacarezinho, no Paraná.