Bolsa em N. Iorque

Thiago Pereira de Oliveira de 17 anos ganhou curso e que realizar sonho; amigos criaram rede de ajuda

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Thiago Pereira busca ajuda para levantar recursos que permitam viagem para EUA; curso terá duração de sete semanas (foto: Cristiano Mota)

Thiago Pereira de Oliveira Santos tem 17 anos e dança desde os 13. Primeiro bailarino do corpo de baile do “Sil Verzinhassi – Dança & Pilates”, o jovem está entre os poucos selecionados para um curso de aperfeiçoamento que será ministrado em Nova Iorque, nos Estados Unidos, em junho.

Thiago ganhou uma bolsa de estudos, no valor de R$ 13 mil relativos ao valor do curso, mas precisa de ajuda para arcar com os custos da viagem. Junto com o pai, ele criou uma campanha virtual e, com apoio dos amigos, uma rede solidária.

O grupo pretende arrecadar um total de R$ 20 mil, valor que envolve desde a compra de passagens aéreas (de ida e volta), estadia, despesas de locomoção e de alimentação ao processo de obtenção de visto. Thiago ainda não tem passaporte.

“Eu sempre gostei muito de dançar, sempre curti. Em festas, se tocava música, eu estava lá, dançando”, contou o jovem que começou a chamar a atenção dos pais quando pequeno. “Ele se destacava das demais crianças. Eu já achava que ele tinha jeito para a dança”, disse o pai, Jorge Fabiano de Oliveira Santos.

Primeiro filho dele e de Mayre Pereira Santos, Thiago entrou para a dança por influência da irmã e por insistência da professora de dança Silmara Verzinhassi. Os primeiros incentivos vieram dos pais, que notavam a facilidade para os movimentos. “Quando nós íamos embora das festas, as pessoas brincavam que os bailarinos estavam partindo. Dançavam ele e a irmã”, disse Jorge.

Segundo o pai, Thiago não escolhia ritmos e, ainda na infância, montava coreografias. “Ele tem facilidade para fazer desde passos simples a complexos”, contou.

O jovem deu os primeiros passos como bailarino no jazz, mas na terceira semana de curso mudou para o balé. “Fui percebendo que ele (o balé) ia me ajudar”, citou.

(foto: Cristiano Mota)

À medida que aprendia, Thiago começava a gostar da dança e do novo ritmo. Embora tenha optado por seguir carreira no balé, o jovem ainda pratica jazz. Ele, inclusive, faz parte do corpo de baile de jazz mantido pelo estúdio de dança.

Com o grupo, Thiago participa de festivais e de competições e mantém o aprimoramento. “O jazz é a dança de todos os ritmos. É possível adaptar qualquer música, porque ele permite movimentos mais longos e com muita técnica”, explicou.

Embora tenha demonstrado facilidade, Thiago contou que demorou a ir para a dança. O jovem só se descobriu bailarino depois de passar por várias experiências. Ele começou com o caratê, depois, foi para o futebol e só então para o jazz.

“Meu padrinho sempre me chamava para fazer aula e eu sempre falava não. Descobri que o queria depois de ver minha irmã, que dançava desde os nove anos”, disse.

Por ter a filha na dança, Jorge afirmou que ele e a esposa sempre incentivaram Thiago. A família apoia o sonho do jovem, patrocinando do próprio bolso as despesas de participação dele em festivais de dança e competições.

“O Thiago é um aluno que teve de ser convencido a dançar, porque, em princípio, ele não queria. Mas víamos um potencial nele, a musicalidade e a agilidade. Por isso nós sempre insistimos”, contou Silmara, professora de dança do jovem.

Embora tenha relutado, Silmara contou que Thiago demonstrou facilidade e uma “evolução bem rápida” na dança. Um dos motivos é a dedicação do jovem à arte.

“Ele gosta muito, se esforça, está sempre na sala de aula, se aquecendo, se preparando e estudando. Toda correção que colocamos, ele aplica, porque se dedica realmente. E ele descobriu a paixão e usa todo esse amor para melhorar”, disse.

Tamanha dedicação rendeu ao jovem convites para apresentações, já integrando o corpo de baile do estúdio. Também por isso, a professora ressaltou que os amigos e os colegas da escola de dança estão empenhados na missão de ajudar Thiago a viajar para Nova Iorque e a não perder a segunda oportunidade.

Em janeiro deste ano, Thiago ganhou um curso na Espanha, mas não conseguiu levantar recursos para viajar. O bailarino faria em Barcelona um aperfeiçoamento. A premiação havia sido anunciada em janeiro do ano passado como resultado de participação dele em um dos vários festivais pelo país.

A maratona de apresentações teve início com o ingresso dele no corpo júnior. Depois, Thiago passou para o corpo oficial, quando começou a viajar para festivais. No interior do Estado de São Paulo, o jovem disputou inúmeros.

Com o grupo de Tatuí, ele viajou para Santos, Mongaguá, Salto, Sorocaba, Votorantim e São Paulo. “Em todos os locais que tinham festivais, nós íamos”, disse Silmara.

Os bailarinos do estúdio de dança iniciaram em competições “menores” (menos acirradas). Com o tempo e por conta dos resultados, o grupo disputou grandes eventos. O maior deles, o Festival de Dança de Joinville, em Santa Catarina.

O evento é considerado o maior da América Latina, tendo presença dos bailarinos de Tatuí nos anos de 2016 e 2017. “Em Joinville, o processo seletivo é bem rígido. É necessário enviar vídeos de performances”, explicou Silmara.

Somente participam do evento os dançarinos selecionados. No ano retrasado, 18 bailarinos do estúdio competiram. Já no ano passado, o número subiu para 25.

Nas duas participações, Thiago ganhou premiações como “melhor bailarino”. A primeira, uma bolsa de estudos para um curso no Grupo Raça Centro de Artes, em São Paulo, uma das mais conceituadas da capital. Lá, ele ganhou outra bolsa de estudos para frequentar aulas no Mostra Dança. Ele participou de um curso internacional, ministrado por professores de diversos países.

Foi em São Paulo que Thiago ganhou a bolsa de estudos para Nova Iorque. Dois dos professores que ministraram aulas são da Joffrey Ballet School, com sede em Nova Iorque. “Ele sempre se destaca nas apresentações”, ressalta Silmara.

O curso na Mostra Dança é usado como seletiva para concessão de bolsas de estudos. Thiago ganhou não uma, mas duas vezes. Em 2017, ele obteve 100% para fazer aulas no Barcelona Dance Center, na cidade de Barcelona, na Espanha.

O curso teria duração de um mês. Entretanto, em razão de não conseguir levantar os recursos necessários para as despesas de viagem, o jovem desistiu.

Silmara afirmou que os pais também estavam apreensivos e que Thiago ainda frequentava o ensino médio. Como houve receio, os familiares optaram por não aguardar uma segunda oportunidade, que veio no início deste ano.

Thiago conseguiu mais duas premiações. Além da bolsa nos Estados Unidos, o jovem bailarino obteve 100% de inscrição para um evento na Itália ao ser escolhido por Claudia Zaccari. “Ela veio da Itália para ministrar aula aqui e fez a seleção com todos os bailarinos. Eles apresentaram danças e ela gostou muito da performance do Thiago”, contou Silmara.

Com as duas possibilidades na mão, o jovem precisou optar por uma delas, uma vez que os eventos tinham datas muito próximas. Pensando no aprimoramento, Thiago contou que optou por Nova Iorque em função do tempo e do conhecimento que poderá adquirir. Na Itália, o festival durará um dia.

O jovem também precisou escolher em qual unidade norte-americana faria as aulas. Conforme Silmara, a escola existe em Miami, Los Angeles e Chicago. “Como Nova Iorque é o templo maior para cursos e a unidade de lá tem mais professores, o Thiago escolheu ela pelas possibilidades”, disse a professora.

No entanto, Silmara ressaltou que a bolsa cobre apenas os custos do curso e não da viagem. Para ajudar nas despesas, o próprio jovem criou, com ajuda do pai, uma campanha virtual. Ele abriu uma “vaquinha virtual” em site homônimo no qual pede ajuda para arrecadar os fundos suficientes para realizar o sonho.

A ideia da família – que tem apoio da professora e de amigos do jovem – é arrecadar o montante necessário não só pelo site, mas por meio de patrocínios. A família dele avalia, ainda, a possibilidade de usar sites de hospedagem.

Para Silmara, a oportunidade do jovem vai permitir benefícios não só a ele, mas ao município. O pai enfatizou que o filho já é conhecido na cidade e que poderá levar o nome de Tatuí, uma vez que vá ao exterior, para mais lugares.

Em Tatuí, Thiago já incursionou com o corpo de baile. Os dançarinos apresentaram-se em escolas da rede municipal. “Todo mundo ficava doido quando via o Thiago e os demais dançarem, mas ele era o destaque”, citou a professora.

Ainda na “Capital da Música”, o jovem fez apresentações no Pátio Vivaz e em mostra de dança realizada na Concha Acústica Municipal “Maestro Spártacco Rossi”.

A viagem ao exterior será a primeira do jovem. Thiago planeja ir sozinho e, como preparativo, está aperfeiçoando o aprendizado do inglês. Para isso, ele conta com ajuda de uma colega de curso. Os dois dançam e praticam o idioma.

Mesmo não sendo fluente, Thiago não deve ter problemas com as aulas. Isso porque a nomenclatura dos movimentos do balé clássico não muda. A dedicação aos estudos da língua tem como foco a imersão do jovem junto aos colegas.

Além disso, o dançarino terá de alimentar-se, deslocar-se e realizar outras atividades sozinho. Para isso, precisará ter uma noção mais ampla do idioma. “Essa é uma expectativa que eu venho criando há muito tempo”, revelou.

Além da vaquinha virtual, os amigos do jovem e a professora planejam realizar uma apresentação. O grupo está buscando um local que possa receber os bailarinos para um evento com até uma hora e meia de duração e bilheteria revertida para Thiago. “Cobraríamos um valor acessível”, explicou Silmara.

A professora também pensa em realizar vendas de rifa e de comidas, como pizzas. Quem quiser colaborar com o jovem, pela vaquinha, pode procurar por “Ajuda de Viagem ao Thiago Pereira”. O endereço é https://goo.gl/3mKjjg.

(foto: Cristiano Mota)